Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
16/06/2026
4 min

Louis Vuitton, Hermès, Prada e Ferrari sobem na bolsa após acordo Irã-EUA

Louis Vuitton, Hermès, Prada e Ferrari sobem na bolsa após acordo Irã-EUA

As ações de empresas de luxo sobem pelo segundo dia seguido após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra que vinha pressionando os mercados globais nos últimos meses.

O entendimento também prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte mundial de petróleo, provocando uma forte queda nos preços da commodity e desencadeando uma rotação de investidores para setores mais ligados ao consumo.

As companhias de luxo enfrentaram, nos últimos anos, um ambiente mais desafiador marcado por juros elevados, desaceleração da economia chinesa e menor ritmo de crescimento dos gastos de consumidores mais ricos.

Como estão as ações de luxo hoje

Na Europa, as ações da LVMH avançavam 0,48 por volta das 7h30 (horário de Brasília), negociadas a 515,05 euros. O conglomerado francês é o maior grupo de luxo do mundo e controla marcas como Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co., Bulgari e Moët Hennessy.

A Hermès, conhecida por seus produtos de alta exclusividade e pela forte demanda de consumidores de alta renda, subia 1,2%, para 1.733 euros. A fabricante francesa tem sido uma das raras empresas do setor a manter crescimento consistente mesmo em períodos de desaceleração econômica global.

Outro destaque do dia era a Ferrari. As ações da montadora italiana negociadas em Nova York fecharam em alta de 3,99% véspera, a US$ 369,06. Na bolsa de Milão, onde a companhia também tem ações, os papéis subiam 0,5% agora pela manhã. Embora seja tradicionalmente classificada como uma fabricante de automóveis, muitos investidores enxergam a Ferrari como uma empresa de luxo.

Já a Richemont, grupo suíço dono de marcas como Cartier, Van Cleef & Arpels e IWC, avançava 0,47%, para 181,60 francos suíços. É uma das mais expostas ao mercado global de joias de alto padrão.

Só que nem todas as empresas acompanharam o movimento positivo. Na Ásia, a Prada devolvia os ganhos da véspera, caindo 2,45%. A companhia tem apostado na recuperação da demanda chinesa por artigos de luxo e segue como uma das principais representantes do segmento na região.

A Kering, controladora de marcas como Gucci, Saint Laurent e Balenciaga, caía 0,13%, para 262,35 euros. O grupo enfrenta desafios operacionais há vários trimestres.

Por que o setor de luxo reagiu tão bem?

O analista da Ciano Investimentos, Rafael Minotto, vê que a forte valorização das empresas de luxo não é coincidência. O setor vinha sendo um dos mais prejudicados nos últimos anos pelos juros e pela inflação.

"Um dos grandes destaques do dia é a disparada em bloco das gigantes do setor de luxo na Europa. O setor vinha sofrendo com o fantasma da inflação e dos juros altos, mas o fim da guerra muda o jogo por duas frentes", disse..

A primeira delas é o chamado efeito riqueza. Com a perspectiva de juros menores no futuro, ativos financeiros e imóveis tendem a se valorizar, aumentando a confiança e o poder de consumo das famílias mais ricas.

Além disso, a redução das hostilidades no Oriente Médio tende a favorecer o turismo internacional, um dos principais motores de vendas das grandes grifes globais, segundo o especialista entrevistado pela EXAME.

"O mercado já vinha ensaiando uma virada para o luxo em 2026, e a perspectiva de paz hoje funcionou como o empurrão final que o setor precisava para destravar valor", ressalta.

Entenda o acordo entre EUA e Irã

O movimento ocorre depois que autoridades do Irã e EUA confirmaram avanços nas negociações para encerrar as hostilidades e restabelecer o fluxo comercial na região do Golfo Pérsico.

O presidente Donald Trump disse que o estreito será reaberto e que o bloqueio naval imposto a portos iranianos será suspenso. Segundo autoridades envolvidas nas negociações, um memorando de entendimento deve ser assinado na sexta-feira, 19, na Suíça.

A reação dos mercados foi imediata, com o barril do petróleo Brent caindo mais de 5% nesta manhã, assim como o West Texas Intermediate (WTI), próximo aos US$ 82. Ambos os contratos atingiram os menores níveis desde março.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
Distribuído por