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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
20/10/2026
5 min

Lucro da Netflix vem acima do esperado. Por que a ação recua 5% mesmo assim?

Corte na previsão com anúncios e dúvida sobre audiência ofuscam recompra recorde

Lucro da Netflix vem acima do esperado. Por que a ação recua 5% mesmo assim?
  • Lucro por ação de US$ 0,87 superou os US$ 0,82 esperados pelo mercado; a receita de US$ 12,87 bilhões veio em linha
  • A Netflix reduziu de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões a previsão de receita com publicidade em 2026
  • A empresa admitiu preocupação dos investidores com o tempo de tela e recomprou US$ 4,8 bilhões em ações, recorde para um trimestre
  • As ações recuavam cerca de 5% no after-market após a divulgação

No terceiro trimestre de 2026 a Netflix entregou o que tinha prometido e teve lucro acima do esperado. O ponto fraco é a projeção para o ano, que caiu por causa da publicidade, e há preocupação dos investidores com o tempo de tela.

A receita somou US$ 12,87 bilhões entre julho e setembro, alta de 11,8% em relação ao mesmo período de 2025. O número ficou em linha com o consenso de analistas compilado pela LSEG e com a projeção da própria companhia, de US$ 12,86 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 0,87, acima dos US$ 0,82 esperados e dos US$ 0,59 de um ano antes.

O lucro líquido chegou a US$ 3,66 bilhões, alta de 44%. O lucro operacional cresceu 37%, para US$ 4,46 bilhões, e a margem operacional subiu de 28,2% para 34,6%, acima do previsto pela empresa. Na carta aos acionistas, a Netflix diz que a margem superou a projeção principalmente porque parte das despesas previstas para o trimestre ficaram ficou para para os próximos meses, além de a receita ter vindo um pouco acima do esperado.

No terceiro trimestre de 2025, a empresa registrou uma despesa de US$ 619 milhões ligada a uma disputa tributária no Brasil, referente à Cide, que derrubou a margem daquele período. O custo de receita deste trimestre ficou 1,4% abaixo do registrado um ano antes.

Os papéis fecharam o pregão regular desta terça-feira, 20, a US$ 68,69. Por volta das 17h20 (horário de Brasília), recuavam cerca de 5% no after-market, para US$ 65,97. A ação acumula queda de mais de 25% em 2026 e chegou ao balanço depois de uma semana de saída de executivos e anúncio de cerca de mil demissões.

Publicidade abaixo do plano

A Netflix agora espera receita de US$ 51,1 bilhões em 2026, alta de 13%. O valor está 0,2% abaixo do ponto médio da faixa divulgada anteriormente. Segundo a empresa, a receita com assinaturas cresceu mais do que o esperado, mas a publicidade deve render cerca de US$ 2,7 bilhões no ano, abaixo dos aproximadamente US$ 3 bilhões projetados antes. A explicação dada é o lançamento mais lento do que o previsto de algumas ferramentas de anúncios.

A projeção de fluxo de caixa livre também foi revisada, de US$ 12,5 bilhões para cerca de US$ 12 bilhões. A companhia atribui o ajuste principalmente a uma transação imobiliária que deve ser concluída no quarto trimestre.

Para o último trimestre do ano, a Netflix projeta receita de US$ 13,44 bilhões, alta de 11,5%, e margem operacional de 26%, contra 24,5% um ano antes. O número inclui um impacto negativo de cerca de 1,2 ponto percentual dos cortes de pessoal anunciados recentemente. Para 2026 como um todo, a margem esperada é de 31,5%, ante 29,5% em 2025, já considerando um efeito de 0,3 ponto dos desligamentos. A empresa prevê crescimento de mais de 20% do lucro operacional no ano.

A dúvida sobre o tempo de tela

A carta aos acionistas trata diretamente do tema que mais pesa sobre a ação. "Sabemos que há alguma preocupação dos investidores com o crescimento das nossas horas assistidas", escreveu a empresa. Segundo a Netflix, a reação dos assinantes aos aumentos de preço de 2026 foi semelhante à de reajustes anteriores, o que indicaria que o engajamento segue saudável. No Brasil, o plano Premium passou de R$ 59,90 para R$ 71,90.

A companhia afirma que quer acelerar o crescimento das horas assistidas e usa a Índia como exemplo. No país, o tempo de visualização subiu 24% no trimestre, a Netflix teve o maior número de novos assinantes pagos de sua história e a receita cresceu cerca de 18%, sem o efeito do câmbio.

O cancelamento de assinaturas caiu na comparação anual, no mundo e nos Estados Unidos, e ficou abaixo do previsto.

Recompra recorde

A Netflix recomprou 63,9 milhões de ações por US$ 4,8 bilhões no trimestre, o maior volume de sua história em um único período. No acumulado de 2026, as recompras somam US$ 10,8 bilhões, mais do que os US$ 9,1 bilhões de todo o ano passado. A empresa ainda tem US$ 22,3 bilhões autorizados para novas recompras.

A companhia terminou setembro com dívida bruta de US$ 15,3 bilhões e caixa de US$ 8,2 bilhões. A dívida aumentou cerca de US$ 1 bilhão em relação a junho por causa de uma emissão de títulos feita para pagar um vencimento do mesmo valor no quarto trimestre.

América Latina e Mercado Livre

A receita na América Latina foi de US$ 1,60 bilhão, alta de 17%. Sem o efeito do câmbio, o avanço foi de 12%, abaixo dos 16% do segundo trimestre. Ainda assim, foi a maior alta percentual entre as quatro regiões em que a Netflix divide seus resultados.

Na publicidade, a empresa anunciou uma parceria com o Mercado Livre na América Latina, como parte da expansão de sua plataforma de tecnologia de anúncios.

O plano com anúncios chegará a 15 novos países em 2027, entre eles Colômbia e Peru, que estão na primeira leva, prevista para março. Entre os títulos de destaque do trimestre na região aparece o filme brasileiro Nando Entre Dois Mundos, com 18 milhões de visualizações.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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