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InvestMercados
14/07/2026
4 min

Lucro do Goldman Sachs mais que dobra e bate estimativas no 2º tri

Lucro do Goldman Sachs mais que dobra e bate estimativas no 2º tri

O Goldman Sachs reportou um lucro líquido mais do que o dobro de um ano atrás, indo de US$ 3,72 bilhões para US$ 6,63 bilhões no segundo trimestre, nesta terça-feira, 14. O resultado equivale a US$ 20,98 por ação e superou a estimativa de US$ 14,48 feita por analistas consultados pela LSEG.

A receita somou US$ 20,34 bilhões, também muito acima da projeção de US$ 16,13 bilhões, e as ações do banco chegaram a subir cerca de 1,9% no pré-mercado hoje.

A volatilidade provocada pela guerra no Irã, somada a incertezas sobre inflação e juros, levou investidores a reorganizar suas carteiras de forma mais intensa, o que aqueceu as mesas de operação do banco.

Ao mesmo tempo, a retomada de aberturas de capital e um nível saudável de fusões e aquisições (M&As, em inglês) turbinaram o lado de banco de investimento, enquanto a valorização das participações do braço de private equity completou o quadro positivo.

Negociação de ações bate recorde

A área de equities, que negocia ações por conta própria e de clientes, foi o destaque do trimestre. A receita da divisão somou US$ 7,42 bilhões, salto de 72% na comparação anual e cerca de US$ 2,3 bilhões acima do que o mercado projetava, patamar recorde para o banco.

Analistas apontam que a oferta pública inicial (IPO, em inglês) da SpaceX, da qual o Goldman foi um dos coordenadores, pode ter dado impulso adicional aos volumes negociados no período, de acordo com dados da Reuters.

A área de renda fixa, câmbio e commodities também surpreendeu, com receita de US$ 4,59 bilhões, alta de 32% e cerca de US$ 880 milhões acima do esperado. O número chamou atenção porque vinha de um primeiro trimestre considerado decepcionante para essa mesa de operações.

Onda de fusões bilionárias

O apetite corporativo por grandes aquisições também favoreceu o Goldman. Dados da LSEG mostram uma onda de megatransações acima de US$ 10 bilhões levou o volume global de M&As a níveis recordes no primeiro semestre de 2026, movimento que beneficia bancos, remunerados por assessorar esse tipo de negócio.

O Goldman Sachs assessorou mais de US$ 1 trilhão em operações anunciadas apenas no primeiro semestre, ritmo inédito para uma instituição financeira.

Já as taxas de banco de investimento somaram US$ 3,40 bilhões no trimestre, alta de 55% e cerca de US$ 610 milhões acima da estimativa do mercado, impulsionadas pela força em ofertas de ações, tanto IPOs quanto ofertas secundárias, além de emissões de dívida.

A receita com assessoria em fusões também cresceu, e o banco destacou que a carteira de negócios em andamento aumentou em relação ao primeiro trimestre, sinal considerado positivo para o desempenho no segundo semestre.

Em maio, o presidente do Goldman, John Waldron, já havia projetado que os volumes de M&As deveriam terminar o ano perto dos recordes vistos em 2021.

CEO do banco, David Solomon também destacou que o ritmo de nossas atividades ganhou força em todas as nossas áreas de negócio. Os clientes recorrem a nós para liderar suas transações mais estratégicas e de maior impacto, as quais frequentemente dão origem a desdobramentos em toda a nossa plataforma de negócios."

Gestão de patrimônio cresce

A área de gestão de ativos e de grandes fortunas também contribuiu para o resultado, com receita de US$ 4,60 bilhões, alta de 20%. O Goldman tem investido para fortalecer esse negócio como forma de construir uma base de receita mais estável e reduzir a dependência das áreas de trading e banco de investimento, mais voláteis.

Dentro dessa divisão, o fundo de crédito privado do banco, o GS Credit, tem escapado da fraqueza que atinge o setor, marcada por pressão de acionistas por resgates em meio a temores de que a inteligência artificial (IA) possa afetar os modelos de negócio de empresas de software presentes nas carteiras desses fundos.

O próprio GS Credit informou no início do mês que os pedidos de resgate no segundo trimestre ficaram abaixo do limite de 5% estabelecido pelo fundo.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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