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InvestMercadosACS
03/11/2026
5 min

Lucro do Itaú bate novo recorde e chega a R$ 12,6 bilhões no 3º trimestre

Crédito garante a 12ª alta seguida do lucro, mas rentabilidade recua e serviços ficam estagnados

Lucro do Itaú bate novo recorde e chega a R$ 12,6 bilhões no 3º trimestre
  • Lucro recorrente recorde de R$ 12,6 bilhões no 3º trimestre, alta de 6,7% em um ano
  • Carteira de crédito chega a R$ 1,54 trilhão, com consignado privado quase dobrando em 12 meses
  • Inadimplência do Itaú é cerca de metade da do resto do mercado em pessoas físicas e empresas
  • Retorno sobre o patrimônio recua para 23,6%, e receitas com serviços e seguros ficam estagnadas
  • Banco mantém projeções para 2026 e reduz a estimativa de alíquota de imposto

O Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro recorrente gerencial recorde de R$ 12,6 bilhões, alta de 6,7% sobre o mesmo período de 2025 e de 2,5% em relação ao segundo trimestre. As comparações desconsideram o resultado da operação de varejo na Colômbia, vendida em julho. Sem esse ajuste, o avanço foi de 6,2% no ano e de 1,7% no trimestre. É a 12ª alta trimestral consecutiva do lucro do banco.

No acumulado de nove meses, o lucro soma R$ 37,3 bilhões, ante R$ 34,5 bilhões no mesmo intervalo do ano passado.

A rentabilidade, porém, perdeu fôlego. O ROE recorrente consolidado ficou em 23,6%, abaixo dos 24,3% registrados no segundo trimestre. Na operação brasileira, o indicador foi de 24,5%.

O banco argumenta que carrega capital acima do necessário: com o índice de capital principal (CET1) em 11,5%, e não nos 12,7% atuais, o ROE consolidado seria de 24,7%.

Crédito cresce 10% puxado por consignado, imóveis e pequenas empresas

A carteira de crédito total chegou a R$ 1,544 trilhão em setembro, alta de 10,2% em 12 meses e de 1,4% no trimestre. Excluindo a venda da operação colombiana, o crescimento foi de 10,9% no ano e de 2,2% no trimestre. No Brasil, o saldo somou R$ 1,3 trilhão, avanço de 10,9%. A projeção para 2026, de expansão entre 5,5% e 9,5%, foi mantida.

O destaque é o consignado privado, cuja carteira subiu 93,7% em um ano e 11,6% no trimestre. O Itaú se apresenta como líder desse produto.

O crédito imobiliário cresceu 15,8%, para R$ 158,8 bilhões, e o banco afirma ter 56% de participação entre os privados na originação dos últimos 12 meses.

A carteira de micro, pequenas e médias empresas avançou 15,1%, para R$ 320,4 bilhões. Na contramão, o financiamento de veículos encolheu 3,6%.

Com mais crédito na rua, a margem financeira com clientes subiu 6,9% em um ano, para R$ 33,3 bilhões. A margem com o mercado, ligada à gestão da tesouraria, saltou 42,3% no trimestre, para R$ 1,3 bilhão.

'Calote' do Itaú segue na metade do visto no resto do sistema

A inadimplência acima de 90 dias ficou em 2% no consolidado, alta de 0,1 ponto percentual no trimestre, e em 2,1% no Brasil, estável. Entre pessoas físicas, o índice foi de 3,7%. O ponto de atenção está nas pequenas e médias empresas, cujo atraso acima de 90 dias subiu para 2,1%, ante 1,6% em junho de 2025.

O banco vendeu no trimestre R$ 251 milhões em créditos com baixa chance de recuperação, o que reduziu os indicadores em até 0,05 ponto.

A comparação com o restante do mercado é o argumento mais forte do balanço. Em pessoas físicas, o atraso acima de 15 dias no Itaú está em 6,7%, contra 13,1% nos demais bancos. Em pessoas jurídicas, a relação é de 2,9% para 5,8%. No consignado privado, produto que mais cresce no banco, o atraso é de 6,9%, ante 18,9% no mercado.

O custo do crédito, que reúne provisões para perdas, descontos e recuperações, somou R$ 10,4 bilhões, alta de 10,2% em um ano, ritmo igual ao da carteira.

Serviços travam, e despesas ficam sob controle

As receitas com serviços e resultado de seguros somaram R$ 14,1 bilhões, praticamente estáveis, com queda de 0,2% no trimestre e alta de 0,2% em um ano. O banco manteve a projeção de crescimento entre 2% e 5% para essa linha em 2026.

Do lado dos custos, as despesas não decorrentes de juros cresceram 1,7% em 12 meses, para R$ 17,1 bilhões, abaixo da inflação do período. O índice de eficiência ficou em 37,5% no consolidado e em 35,7% no Brasil, ante 37,1% um ano antes. Quanto menor o índice, mais eficiente é o banco.

Imposto menor no radar para 2026

Todas as projeções para o ano foram mantidas, com uma exceção. O Itaú reduziu a estimativa de alíquota efetiva de IR e CSLL para a faixa de 28% a 29%, ante 29,5% a 32,5% projetados originalmente.

A alíquota mostra quanto do lucro antes dos impostos o banco de fato paga em Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, depois de deduções e benefícios fiscais. Com uma alíquota menor, uma fatia maior do resultado chega ao lucro líquido, o que favorece o resultado final do ano mesmo sem melhora operacional.

O banco encerrou setembro com valor de mercado de US$ 83 bilhões e ativos totais de R$ 3,35 trilhões.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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