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InvestMercadosBDR
14/07/2026
4 min

Lucro do JP Morgan salta 41% no 2º trimestre e supera projeções

Lucro do JP Morgan salta 41% no 2º trimestre e supera projeções

O JP Morgan, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, divulgou nesta terça-feira, 14, um lucro de US$ 21,2 bilhões no segundo trimestre, alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado equivale a US$ 7,70 por ação e superou com folga as projeções de analistas consultados pela LSEG, que estimavam ganhos de US$ 5,85 por ação.

A receita também veio muito acima do previsto, em US$ 58,02 bilhões, ante expectativa de US$ 50,19 bilhões. Parte da diferença entre o resultado e a projeção vem de dois ganhos extraordinários no trimestre, um de US$ 4,6 bilhões relacionado a ações da Visa e outro de US$ 1 bilhão em investimentos em participações acionárias.

Ao excluir esses efeitos não recorrentes, o lucro do JP Morgan fica em US$ 16,9 bilhões, ou US$ 6,14 por ação, número que a própria instituição destaca como mais representativo da operação recorrente do negócio e que, mesmo assim, segue acima do que Wall Street esperava.

O que puxou o resultado do JP

Praticamente todas as áreas do banco cresceram no período, mas o destaque ficou por conta da divisão que reúne banco de investimento e operações de mercado, batizada de CIB. O lucro dessa área saltou 46% na comparação anual, para US$ 9,7 bilhões, com receita de US$ 24,9 bilhões, alta de 27%.

As taxas cobradas em operações de banco de investimento, como assessoria em fusões e aquisições (M&A) e abertura de capital, subiram 30% e levaram o JP Morgan à liderança global do setor, com fatia de mercado de 9,3% no acumulado do ano.

A área de mercados, que negocia títulos, moedas e ações por conta do banco e de clientes, também teve receita 35% maior, puxada, principalmente, pela negociação de ações, que avançou 86%.

Algo que já era esperado devido à oferta pública inicial (IPO) recorde da SpaceX, que envolveu algumas instituições financeiras e alavancou as expectativas do segmento bancário.

Já o banco para pequenas e médias empresas, chamado de CCB, teve lucro de US$ 5,3 bilhões, alta de 3%, com receita de US$ 20,3 bilhões, 8% maior. O crescimento veio de mais receita com gestão de patrimônio, tarifas de conta e do braço de cartões e financiamento de veículos.

Por outro lado, a área de gestão de ativos e de grandes fortunas, a AWM, teve lucro de US$ 2 bilhões, salto de 33%, com o volume total de recursos sob gestão do banco chegando a US$ 5,1 trilhões, 18% a mais do que um ano antes.

O que diz o CEO, Jamie Dimon

Em comunicado, o CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, atribuiu o desempenho a um ambiente de negócios favorável, com forte atividade de mercado somada à execução da estratégia do banco.

Ele vê que todas as linhas de negócio bateram recordes de receita no trimestre, com destaque para o crescimento de 35% em mercados e de 30% nas taxas de banco de investimento, que atingiram o maior patamar desde 2021.

Apesar do otimismo, Dimon fez questão de citar riscos que, em suas palavras, se movem "como placas tectônicas" sob a superfície da economia estadunidense, como tensões geopolíticas e conflitos armados, inflação persistente, déficits fiscais elevados ao redor do mundo e preços de ativos em patamares esticados.

Para o executivo, esses fatores podem permanecer sob controle, mas também têm potencial de gerar disrupções relevantes caso se intensifiquem ou se combinem, razão pela qual o banco monitora de perto esses cenários.

US$ 4 bilhões em dividendos

O JP Morgan também informou que pretende distribuir parte do resultado aos acionistas. Foram destinados US$ 4 bilhões em dividendos, equivalentes a US$ 1,50 por ação, além de US$ 6,2 bilhões em recompra líquida de ações próprias.

O valor patrimonial por ação do banco, medida que reflete o quanto a instituição vale contabilmente para cada papel em circulação, chegou a US$ 133,01, alta de 9% em doze meses.

Do lado do risco de crédito, o banco reservou US$ 2,5 bilhões para cobrir possíveis perdas com empréstimos no trimestre, incluindo US$ 2,4 bilhões em créditos já considerados incobráveis.

O indicador de capital do banco, usado pelos reguladores para medir sua capacidade de absorver perdas em cenários de estresse, ficou em 14,1%, folga considerada confortável para o tamanho da instituição.

Ao fim de junho, o JP Morgan somava US$ 5 trilhões em ativos totais e US$ 375 bilhões em patrimônio líquido.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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