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28/10/2026
7 min

Lucro do Santander Brasil cai 28% e rentabilidade vai ao menor nível em três anos

Calote na pessoa física segue em alta e banco não sinaliza alívio nas provisões

Lucro do Santander Brasil cai 28% e rentabilidade vai ao menor nível em três anos
  • Lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no 3º trimestre, queda de 28,0% em um ano e de 4,3% frente ao 2º trimestre
  • Rentabilidade (ROAE) recua para 11,9%, ante 17,5% no mesmo período de 2025
  • Inadimplência acima de 90 dias da pessoa física sobe para 5,5%, alta de 1,3 ponto percentual em doze meses
  • Provisões (PDD) somam R$ 7,46 bilhões, 14,4% acima do 3T25, e o custo de crédito vai a 3,89%
  • Despesas gerais caem 0,6% em um ano, com 5.965 funcionários a menos no quadro

O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 28% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o banco havia lucrado R$ 4,009 bilhões. Frente ao segundo trimestre, o recuo foi de 4,3%.

É a terceira queda trimestral consecutiva do lucro. Depois de somar R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025, o resultado caiu para R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre deste ano e para R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre.

O lucro líquido contábil, que inclui efeitos não recorrentes, ficou em R$ 2,833 bilhões, recuo de 28,2% em doze meses e alta de 6,2% sobre o trimestre anterior. A alta trimestral reflete a base de comparação, já que o segundo trimestre carregou R$ 291 milhões em efeitos não recorrentes negativos, que não se repetiram agora.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) recorrente foi de 11,9%, queda de 0,6 ponto percentual no trimestre e de 5,6 pontos em um ano. O indicador é o menor da série desde o segundo trimestre de 2023.

Inadimplência da pessoa física segue subindo

O índice de inadimplência acima de 90 dias, que mede os atrasos mais longos, atingiu 3,4% da carteira, alta de 0,1 ponto percentual no trimestre e de 0,6 ponto em um ano. A pressão está concentrada na pessoa física, cujo índice chegou a 5,5%, avanço de 0,4 ponto no trimestre e de 1,3 ponto em doze meses. O indicador subiu em todas as leituras trimestrais desde setembro de 2025, quando estava em 4,2%.

Segundo o banco, a alta na pessoa física veio dos segmentos de baixa renda e de agronegócio, em um cenário econômico ainda desafiador e de elevado endividamento. Na pessoa jurídica, o índice recuou 0,1 ponto no trimestre, para 1,5%. Nas pequenas e médias empresas, caiu 0,3 ponto, para 5%, efeito em parte do volume maior de baixas a prejuízo no trimestre anterior. Em grandes empresas, ficou em 0,2%.

Os atrasos mais recentes deram algum alívio. O índice de inadimplência de 15 a 90 dias encerrou setembro em 3,2%, queda de 0,1 ponto no trimestre e praticamente estável em um ano. Na pessoa física, ficou em 5,2%, estável no trimestre, mas 0,3 ponto acima de um ano antes. Em PMEs, recuou para 4,1%, ante 4,7% em setembro de 2025. O banco atribui o desempenho à maior seletividade na concessão de crédito e à gestão ativa das carteiras.

A formação de novos créditos problemáticos (NPL formation) somou R$ 7,204 bilhões, alta de 2,6% no trimestre e de 4,2% em um ano, o equivalente a 1,01% da carteira. A carteira renegociada encerrou setembro em R$ 46,7 bilhões, 2,3% menor que em junho e 3,3% maior que um ano antes.

Desde o primeiro trimestre de 2026, o Santander passou a calcular a inadimplência sobre a carteira expandida, que inclui títulos e avais. Os números de 2025 foram ajustados pelo banco para permitir a comparação.

Provisões recuam no trimestre com ajuda de venda de carteira

O resultado de provisões para devedores duvidosos (PDD) somou R$ 7,460 bilhões, queda de 2,5% frente ao segundo trimestre e alta de 14,4% em doze meses. A despesa equivale a 36,6% da receita total do trimestre, ante 31,4% um ano antes.

A melhora trimestral veio, em grande parte, das recuperações de crédito já baixado a prejuízo, que subiram 24%, para R$ 752 milhões, impulsionadas pela venda de uma carteira do segmento de grandes empresas. Dos R$ 194 milhões de redução na PDD, R$ 145 milhões vieram dessa linha. A despesa de provisão em si, de R$ 8,212 bilhões, caiu apenas 0,6% no trimestre e subiu 9,4% em um ano, acima da formação de novos créditos problemáticos.

Na divisão por segmentos, a melhora em PMEs foi parcialmente compensada pela piora em agronegócio e grandes empresas. Na comparação anual, o banco cita efeitos concentrados no segmento massivo e reforços pontuais de provisão para casos do atacado.

O custo de crédito de 12 meses chegou a 3,89%, alta de 0,1 ponto no trimestre. Em um ano, o indicador ficou praticamente estável, ante 3,86%. O índice de cobertura da carteira em estágio 3 subiu para 65,5%, ante 65,0% em junho e 66,2% um ano antes.

O que diz a administração

No informe de resultados, o Santander afirma que o cenário de crédito permanece desafiador e que as despesas de provisão "ainda se mantêm pressionadas pelo cenário macroeconômico, com altas taxas de juros e elevado nível de endividamento das famílias".

O banco diz seguir atuando "com prudência e disciplina na gestão de riscos" para construir uma carteira mais resistente aos ciclos econômicos. Nas renegociações, afirma ter adotado uma postura mais restritiva, passando a exigir pagamento de entrada em todos os acordos.

A estratégia de reduzir a exposição ao público de menor renda aparece na carteira. O crédito consignado caiu 13,6% em doze meses, para R$ 54,6 bilhões, principalmente pela redução no consignado do INSS. O crédito pessoal recuou 11,6%, para R$ 33,2 bilhões. Com isso, a carteira de pessoa física encolheu 0,9% em um ano, para R$ 261,8 bilhões.

Margem encolhe com mudança no perfil dos clientes

A margem financeira bruta somou R$ 14,958 bilhões, queda de 1,6% em doze meses e de 2,5% no trimestre. A margem com clientes recuou 4,2% em um ano, para R$ 15,853 bilhões, e o spread caiu de 10,63% para 9,70% ao ano. O banco atribui a compressão à menor participação do segmento massivo, que tem spreads mais altos, à cessão de carteira da financeira, ao aumento do diferimento de comissões pagas a correspondentes bancários e ao menor resultado de funding.

A margem com o mercado, ligada à tesouraria, teve perda de R$ 895 milhões, maior que a de R$ 718 milhões do segundo trimestre, mas 33,6% menor que a de um ano antes.

As receitas com comissões totalizaram R$ 5,417 bilhões, alta de 1,6% no trimestre e queda de 2,4% em um ano. O recuo anual veio principalmente de corretagem e colocação de títulos, que despencaram 46,5% com o mercado de capitais menos aquecido, e de conta corrente, com queda de 11,3% por causa de maiores isenções.

Administração de recursos avançou 23,7%, cartões subiram 8,1% e seguros, 5,6%. A receita total ficou em R$ 20,375 bilhões, queda de 1,9% em doze meses.

Corte de custos e de agências

As despesas gerais somaram R$ 6,383 bilhões, queda de 3% no trimestre e de 0,6% em um ano, abaixo da inflação do período, segundo o banco. As despesas de pessoal caíram 4,2% em doze meses. O Santander encerrou setembro com 45.782 funcionários, 5.965 a menos que um ano antes, e com 827 lojas, ante 961.

Mesmo com o corte, o índice de eficiência piorou 1,3 ponto percentual em um ano, para 38,8%, reflexo de receitas mais fracas. No trimestre, houve melhora de 0,4 ponto.

Carteira cresce puxada por empresas

A carteira de crédito ampliada encerrou setembro em R$ 721,3 bilhões, alta de 4,7% em doze meses e de 0,9% no trimestre. Grandes empresas avançaram 7,8% em um ano, para R$ 265,7 bilhões, com alta de 4,3% só no trimestre. PMEs cresceram 8,5%, e o financiamento ao consumo, 9,1%. Na pessoa física, os destaques foram crédito imobiliário, com alta de 10,3%, e cartões, com 9,8%.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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