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27/10/2026
5 min

Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26

Analistas veem mais um trimestre difícil para o banco, com queda da lucratividade e custo de risco elevado; a OPA da matriz também está no radar

Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26

A recuperação do Santander Brasil (SANB11) ainda não convenceu o mercado. Enquanto tenta reduzir o custo dos calotes e recuperar a rentabilidade, o banco chega a mais uma temporada de balanços com a expectativa de queda no lucro — e sob os holofotes da oferta da matriz espanhola para trocar ações da operação brasileira por papéis do grupo global. 

O consenso da Bloomberg aponta para um lucro líquido de R$ 3,161 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), o que representaria um recuo de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.  

Do lado da rentabilidade, a expectativa do mercado é de um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) próximo a 12,7%. 

A perspectiva mais fraca já vinha sendo sinalizada pela própria administração. Na divulgação dos resultados anteriores, o diretor financeiro (CFO) do Santander Brasil, Carlos Muñiz, afirmou que novas pressões sobre as provisões ainda eram esperadas, o que poderia adiar a recuperação da rentabilidade. 

“Se tivesse que colocar essa data, provavelmente estaria no começo de 2027 mais do que no fim de 2026”, disse o executivo no fim de julho. 

Agora, a expectativa é que o balanço dê sinais de que a estratégia de reduzir a exposição a operações mais arriscadas começa a aliviar a pressão sobre os resultados — e quando essa mudança poderá se traduzir em uma recuperação mais consistente do lucro. 

O que esperar do balanço do Santander no 3T26? 

O principal entrave continua sendo o custo do crédito. Mesmo com o crescimento da carteira, os analistas veem dificuldades para o Santander Brasil transformar os empréstimos em resultados mais robustos, diante das provisões elevadas e da pressão sobre as margens financeiras. 

O Citi projeta um trimestre fraco, com margens menos favoráveis e custo de crédito ainda alto. Na mesma linha, o Goldman Sachs avalia que a recuperação dos lucros deve continuar limitada pelo elevado custo de risco. 

A qualidade dos ativos segue no centro das preocupações, especialmente nas carteiras de cartões voltadas a clientes de menor renda, pequenas e médias empresas (PMEs) e agronegócio.  

A pressão nesses segmentos pode exigir mais provisões — recursos que os bancos reservam para cobrir possíveis inadimplências. 

O Itaú BBA também espera nova contração do lucro. Segundo os analistas, a estratégia de reduzir a exposição a operações mais arriscadas continua pressionando as margens, sem que os benefícios apareçam de forma clara nos indicadores de inadimplência e provisões. 

Na avaliação da XP, o crescimento da carteira deve continuar concentrado em segmentos de menor risco.

Diante da pressão sobre a qualidade do crédito, o Santander reduziu nos últimos meses a exposição a linhas como crédito rotativo e empréstimos para clientes de menor renda, que costumam ter spreads mais elevados.  

Para o 3T26, a corretora espera que a expansão venha principalmente de operações com garantia, crédito imobiliário, Pronampe, financiamento de veículos novos e clientes de maior renda do Select. 

A XP também espera nova pressão sobre a margem financeira, com a migração para linhas de crédito de menor rentabilidade e a redução da participação de empréstimos sem garantia. 

Nem tudo, porém, aponta para baixo. A receita com tarifas deve oferecer algum alívio, apoiada pelo desempenho dos cartões, enquanto as despesas administrativas devem continuar sob controle.  

Os benefícios fiscais associados aos juros sobre capital próprio e aos títulos isentos de impostos também devem ajudar, embora em intensidade ligeiramente menor do que no segundo trimestre. 

O que muda para o acionista com a OPA? 

Além do balanço, os investidores têm outra decisão no radar: a oferta pública de aquisição de ações (OPA) anunciada pela matriz espanhola, que pretende comprar a participação minoritária que ainda não detém no Santander Brasil. 

Anunciada no fim de julho, a operação prevê a troca das ações do banco brasileiro por recibos representativos de novas ações ordinárias do grupo espanhol. Ou seja, não há pagamento em dinheiro: quem aderir deixa de ter exposição direta apenas à operação brasileira e passa a deter papéis ligados ao grupo global. 

A relação de troca proposta é de: 

  • 0,4056 BDR para cada unit SANB11 ou ADS do Santander Brasil; 
  • 0,2028 BDR para cada ação SANB3 ou SANB4. 

Quando a proposta foi apresentada, a relação de troca representava um prêmio de 15% em relação às cotações de mercado. 

Caso todos os minoritários aceitem a oferta, a operação poderá movimentar até 1,908 bilhão de euros, cerca de R$ 11,5 bilhões, conforme a estimativa apresentada à época. 

A proposta ainda depende da análise dos documentos pelos reguladores no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a SEC. O Santander prevê concluir a operação no primeiro semestre de 2027. 

Vale destacar que a OPA não prevê o fechamento de capital do Santander Brasil. A adesão é voluntária e não exige um percentual mínimo de participação. Quem decidir ficar com as ações continuará sócio da operação brasileira, que permanecerá listada na B3. 

O que pode mudar é o tamanho da parcela de ações disponível para negociação na bolsa. Se muitos minoritários aderirem à oferta, a quantidade de papéis em circulação poderá diminuir.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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