Luiza Helena Trajano: 'Se levarmos 50% de mulheres aos altos cargos, vamos mudar o Brasil'
Primeiro Summit Mulheres nas Profissões reúne cerca de 15 mil pessoas em São Paulo e marca o início de um movimento nacional para ampliar a presença feminina na alta liderança

‘Se levarmos 50% de mulheres aos altos cargos, vamos mudar o Brasil’, diz Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, durante o lançamento do 1º Summit Mulheres nas Profissões, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo.
O evento deve reunir entre 4 e 5 de agosto cerca de 15 mil pessoas por dia, entre empresárias, executivas, estudantes, lideranças e profissionais de diferentes áreas. Mais de 50 marcas (entre grandes empresas e empreendedoras) apoiam a iniciativa, que conta ainda com mais de 200 voluntários e cerca de 400 embaixadoras.
O encontro, segundo Trajano, representa o início de um movimento permanente, com ações previstas até 2030.
"A gente sente que esse salto precisava ser selado em um grande movimento. Queremos que todas as profissões estejam representadas e dar um salto para ter 50% de mulheres em altos cargos até 2030", afirma Trajano em entrevista à EXAME.
O Summit, segundo a empresária do Magalu, faz parte de uma estratégia mais ampla, que continuará nos próximos anos.
“Esse Summit já está fechado para os próximos cinco anos. Mas não é só o Summit. É o movimento que nós vamos fazer a partir deste primeiro ano.”
Um movimento para além do evento
O avanço da participação feminina na política e nas empresas foi um dos fatores que motivaram a criação do encontro, diz Trajano.
"Nós mulheres demos um salto muito grande nos últimos três anos. Haja vista que todos os presidentes querem uma mulher para vice. Isso não existia antes", afirma Trajano.
A empresária ressalta que o Summit vai acompanhar indicadores e desenvolver planos específicos por área para acelerar a presença feminina na liderança.
Segundo ela, o objetivo é transformar a discussão em ações concretas dentro das empresas e organizações.
A origem do Grupo Mulheres do Brasil
Em sua palestra de abertura, pouco antes de cantar o hino nacional, Trajano também relembrou como nasceu o Grupo Mulheres do Brasil, organização criada em 2013 e que hoje reúne milhares de participantes dentro e fora do país.
Ela contou que o nome surgiu de forma espontânea durante uma reunião, mas que a escolha trouxe um desafio inesperado.
"Quando pesquisamos 'Mulheres do Brasil' no Google, ficamos assustadas. Os resultados mostravam uma imagem muito limitada da mulher brasileira. Tivemos duas alternativas: mudar o nome ou mudar o que aparecia sobre ele. Escolhemos mudar o que estava escrito lá."
Segundo ela, a organização nasceu com atuação suprapartidária.
"O Grupo Mulheres do Brasil é totalmente apartidário. A nossa causa são as causas. Se uma pauta é importante para o país, nós vamos lutar por ela. Nunca mandamos ninguém votar em ninguém, mas especialmente neste ano temos um pedido: votem em mulheres."
Hoje, o grupo atua em diversas frentes para tirar do papel políticas públicas de diferentes setores, como educação, empreendedorismo, combate à violência contra a mulher, empregabilidade, políticas públicas e igualdade de oportunidades. Um dos exemplos foi o movimento civil Unidos pela Vacina, criado em 2021 para auxiliar na logística e acelerar a imunização contra a Covid-19 no Brasil.
"Nós estamos aqui para servir a sociedade. Eu acredito que política pública muda um país. E acredito que mais mulheres ocupando espaços de decisão mudam o Brasil."
Igualdade depende também dos homens
Durante a palestra, Trajano reforçou que o avanço feminino no mercado de trabalho não será possível sem o envolvimento dos homens.
"Nós somos a favor das mulheres. Mas, homens, sem vocês nós não vamos chegar lá."
Segundo ela, a proposta é construir um movimento coletivo envolvendo empresas, consultorias e a sociedade civil.
"Estamos fazendo pesquisas e vamos ter consultorias nos ajudando. Acreditamos plenamente que, se levarmos 50% das mulheres aos altos cargos, conseguiremos mudar o Brasil."
Evento reúne diferentes profissões
O Summit foi estruturado para reunir profissionais de diversas áreas, com palestras simultâneas sobre carreira, empreendedorismo, tecnologia, saúde, política, indústria, educação e liderança – e boa parte da estrutura contou com voluntários.
"Nós não pagamos artistas. É tudo beneficente, feito por pessoas que acreditaram nesse movimento. Sou muito grata às empresas parceiras, aos voluntários e à imprensa."
Ela também convidou mulheres e famílias para participarem da programação.
"Ainda temos um dia inteiro de evento amanhã. Podem trazer as crianças. Tem espaço para elas também. Queremos que cada vez mais mulheres participem desse movimento."
