Lula e OMS pressionam G7 para concluir tratado global de pandemias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, cobraram nesta segunda-feira, 15, que os líderes do G7 reúnam vontade política para concluir o tratado internacional voltado à prevenção e resposta a futuras pandemias.
Em comunicado conjunto divulgado durante a cúpula do G7, em Évian-les-Bains, os dois defenderam que os países cheguem a um consenso sobre um dos principais pontos ainda pendentes do acordo: o mecanismo de acesso a patógenos e repartição de benefícios.
Segundo Lula e Tedros, os negociadores precisam chegar à próxima rodada de conversas, marcada para julho, preparados para finalizar o texto.
O tratado foi aprovado no ano passado, mas ainda não pode entrar em vigor porque faltam definições sobre como serão compartilhados patógenos com potencial pandêmico e distribuídos benefícios como vacinas, testes e tratamentos.
Impasse envolve distribuição de vacinas e tratamentos
O principal desafio das negociações é definir como os benefícios serão distribuídos entre os países, de que forma o sistema será administrado e quais mecanismos garantirão acesso equitativo a medicamentos e imunizantes.
Os negociadores dos Estados-membros da OMS voltarão a se reunir entre 6 e 17 de julho para tentar concluir o anexo pendente.
No comunicado, Lula e Tedros afirmaram que o mundo precisa concluir o trabalho iniciado após a pandemia de covid-19 e evitar a repetição dos problemas observados durante a crise sanitária.
Os dois lembraram que a OMS estima até 20 milhões de mortes associadas à covid-19 e destacaram que o Fundo Monetário Internacional calcula perdas superiores a US$ 13 trilhões provocadas pela pandemia.
Lula e o diretor-geral da OMS também citaram estudos que apontam cerca de 25% de chance de uma nova pandemia ocorrer na próxima década.
Para eles, garantir que países que compartilham informações sobre novos patógenos tenham acesso aos tratamentos resultantes não é uma questão de caridade, mas de estratégia global.
"Um vírus que é deixado para se espalhar em qualquer lugar acabará, com o tempo, afetando todo o mundo", afirmaram.
*Com AFP
