Lula, Flávio ou nenhum dos dois: JPMorgan traça mapa da Bolsa para as eleições — e separa ações em 3 carteiras
A quatro dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a disputa entre o incumbenteLuiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue acirrada e sem um vencedor claro, segundo as pesquisas eleitorais. De olho nesse cenário mais incerto, o JPMorgan projetou três cenários e elegeu as melhores ações para diferentes resultados no próximo […]

A quatro dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a disputa entre o incumbenteLuiz Inácio Lula da Silva(PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue acirrada e sem um vencedor claro, segundo as pesquisas eleitorais.
De olho nesse cenário mais incerto, o JPMorgan projetou três cenários e elegeu as melhores ações para diferentes resultados no próximo domingo (4), sem citar diretamente os candidatos.
O primeiro deles, considerado otimista, considera uma mudança política e mais comprometimento com a situação fiscal, enquanto o segundo cenário prevê a continuidade da política atual e taxas de juros mais elevadas. O terceiro, por sua vez, considera ativos menos expostos às eleições.
“Independentemente do resultado das eleições, a perspectiva para 2027 permanece incerta, pressionada por elevados riscos de inflação – incluindo os preços do petróleo, embora parcialmente compensados pelos subsídios governamentais ao diesel – altas taxas de juros reais, preocupações com o déficit fiscal após os aumentos de gastos aprovados nas últimas semanas, desaceleração do crescimento e deterioração do ciclo de crédito”, diz o relatório divulgado a clientes nesta quarta-feira (30).
Cenário otimista: juros menores favorecem shoppings, construtoras e autopeças
Para o cenário otimista, os analistas consideram uma mudança política fiscal e, consequentemente, queda nas taxas de juros.
Partindo disso, o JPMorgan vê espaço para valorização de ações mais sensíveis ao custo de capital.
Entre os shoppings, o banco destaca Iguatemi (IGTI11), Multiplan (MULT3) e Allos (ALOS3), nessa ordem de preferência. Para os analistas, as ações negociam a níveis descontados, apesar de possuírem portfólios resilientes com vendas nas mesmas lojas (SSS) positivas e taxas de ocupação elevadas, entre 96% e 97%.
Nas construtoras, Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) aparecem como principais beneficiárias de juros futuros menores, enquanto MRV(MRVE3) também poderia se beneficiar, especialmente pela maior alavancagem.
Já entre as autopeças, Randoncorp(RAPT4) e Fras-le(FRAS3) são as indicadas, devido a maior exposição ao mercado interno, voltadas para o segmento de veículos pesados, e pelo potencial alívio das despesas financeiras em um ambiente de capital mais barato.
O JPMorgan também vê potencial de valorização de 50% da Bolsa e valorização de 6% do real em relação aos níveis atuais, o que faria o dólar/real se aproxima de R$ 4,90.
Cenário pessimista: juros altos mantêm foco em baixa renda e exportadoras
Caso as eleições resultem em taxas de juros mais elevadas e menor confiança dos investidores, o JP Morgan prefere empresas menos dependentes da queda do custo de capital. No segmento de construção residencial, o banco destaca Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) eCury (CURY3), apoiadas pela demanda de baixa renda e pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), além de possíveis mudanças nas condições de financiamento.
Entre as autopeças, a preferência recai sobre Tupy (TUPY3) e Iochpe-Maxion (MYPK3) , devido à maior exposição aos mercados externos e à menor dependência do crescimento do PIB brasileiro. A desvalorização do real também tende a favorecer essas companhias. Marcopolo (POMO4) e Mahle Metal Leve (LEVE3) aparecem ainda na lista, sustentadas principalmente pelos dividendos projetados de 11% e 10%, respectivamente.
Nesse cenário, o JPMorgan projeta uma queda de 21% da Bolsa e desvalorização de 6% do real em relação aos níveis atuais, o que faria o dólar/real se aproxima de R$ 5,50.
Ações para todos os cenários
Para investidores que buscam empresas menos expostas ao resultado das eleições brasileiras, o JPMorgan destacaEmbraer(EMBJ3) e WEG(WEGE3).
No caso da Embraer, o banco vê impacto limitado do pleito devido à receita dolarizada e à baixa exposição a clientes brasileiros. A companhia também conta com carteira de pedidos recorde, de US$ 34,5 bilhões, além de crescimento de receitas e margens.
A WEG, por sua vez, tem como principais vetores a expansão de suas fábricas de transformadores e a adoção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil, em que o banco projeta crescimento de receita de dois dígitos nos próximos dois anos.
O principal risco para as duas ações seria uma forte valorização do real frente ao dólar, embora o banco considere esse cenário improvável diante dos juros elevados nos Estados Unidos e dos riscos inflacionários no Brasil.
