Lula reeleito: Capital Economics vê dívida rumo a 95% do PIB e freio nos cortes da Selic
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter a dívida pública brasileira em trajetória de alta e dificultar novos cortes de juros, segundo a Capital Economics. A consultoria projeta que a dívida passe de aproximadamente 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para cerca de 95% ao fim do próximo mandato, […]

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter a dívida pública brasileira em trajetória de alta e dificultar novos cortes de juros, segundo a Capital Economics. A consultoria projeta que a dívida passe de aproximadamente 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para cerca de 95% ao fim do próximo mandato, em 2030.
Na avaliação de William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da casa, a perspectiva de déficits elevados, combinada ao custo dos juros, deve pressionar as contas públicas nos próximos quatro anos.
“A vitória de Lula colocará os problemas das finanças públicas do Brasil em evidência”, afirma o economista no relatório.
Para a consultoria, há poucos sinais de que o próximo governo adotará uma política fiscal mais disciplinada. Jackson considera que o arcabouço fiscal, introduzido em 2023, carece de credibilidade e não tem funcionado como um freio ao crescimento real das despesas.
A casa também avalia que a desaceleração da atividade pode aumentar o incentivo do governo a estimular a economia por meio de gastos públicos, ampliando as dificuldades para estabilizar a dívida
Selic deve encerrar o ano em 13,75%
O cenário fiscal também deve limitar o espaço para o Banco Central reduzir a Selic, segundo a Capital Economics. A projeção é de manutenção da taxa em 13,75% ao ano nas duas reuniões restantes de 2026.
Na avaliação da casa, riscos fiscais maiores e uma eventual desvalorização do real podem pressionar a inflação e dificultar a continuidade do afrouxamento monetário.
A consultoria não descarta cortes em 2027, diante do patamar elevado dos juros reais — que descontam a inflação. Mas avalia que esse movimento dependerá de sinais concretos de melhora na disciplina fiscal.
Há ainda o risco de um círculo de pressão sobre as contas públicas: a desconfiança dos investidores pode elevar os juros exigidos para financiar o governo, aumentando o custo da dívida e dificultando seu controle.
Crescimento deve perder força
A Capital Economics projeta crescimento médio de 1,3% ao ano no próximo mandato, ante 2,7% no atual.
Jackson afirma que já via dificuldades para qualquer um dos candidatos elevar a produtividade brasileira, mas considera que reformas nessa direção são menos prováveis sob Lula.
Nesse cenário, eventuais estímulos fiscais ou por mecanismos fora do orçamento tenderiam a produzir mais inflação do que crescimento, segundo a análise.
Mercado havia antecipado vitória de Flávio
No relatório, divulgado antes da abertura dos negócios desta segunda-feira (26), a Capital Economics previa uma reação negativa dos ativos brasileiros à vitória de Lula.
Segundo a consultoria, uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e a expectativa de reformas já estavam amplamente incorporadas aos preços. Por isso, a casa esperava queda do real e das ações, além de alta dos juros dos títulos públicos, com reversão dos ganhos registrados após o primeiro turno.
Uma eventual indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin para comandar a economia poderia ajudar a conter a turbulência, avalia Jackson. O relatório, porém, trata essa possibilidade como rumor e pondera que integrantes mais moderados do governo tiveram influência limitada sobre a condução da política econômica no mandato atual.
