'Machado afiado': a universidade dentro do Bradesco que já formou mais de 81 mil funcionários
No banco, a Unibrad combina trilhas sob medida, avaliação por competências e IA para reter talentos

Fazer um MBA em uma universidade tradicional costuma significar se adaptar a um pacote fechado de disciplinas. Dentro de bancos como o Bradesco, a lógica é outra: o conteúdo nasce da necessidade real do negócio.
Essa diferença sustenta a Unibrad, universidade corporativa que hoje atravessa a carreira de mais de 81 mil funcionários do banco.
A estrutura é o primeiro episódio da série documental Universidades Corporativas, que percorre como grandes empresas brasileiras transformam educação em estratégia de negócio. No Bradesco, quem toca a frente é Gislane Lima, superintendente de Capital Humano e Unibrad, ao lado de Marcelo Catelan, que soma 15 anos dedicados à área.
MBA tradicional ou trilha sob medida?
A pergunta que orienta o episódio é simples: qual a diferença entre estudar dentro do banco e cursar um MBA fora dele? Quem responde é Jonatas Magalhães, superintendente executivo do Corporate no Banco de Atacado, com 34 anos de mercado financeiro e uma década de convivência com a Unibrad.
"Você vai fazer um MBA numa universidade normal, é um pacote, um programa que você se adequa a esse programa. Já a universidade corporativa, acho que o grande ganho dela é que ela se adequa ao que as estratégias da companhia, ao que você precisa desenvolver naquele segmento específico", diz Jonatas.
Segundo ele, a Unibrad opera em dois modelos simultâneos: uma grade curricular de autosserviço, aberta a quem quer se desenvolver por conta própria, e treinamentos sob encomenda, montados quando uma área específica identifica uma lacuna concreta.
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Da avaliação por competências às trilhas individuais
O ponto de partida de qualquer treinamento, segundo Marcelo Catelan, é uma dor identificada por uma área ou departamento específico. "A gente recebe um pedido, uma dor, e vai verificar se cabe para aquele problema um treinamento ou também uma outra solução", diz Catelan.
Gislane Lima detalha o processo por trás disso: o banco avalia os funcionários com base em um conjunto de comportamentos ligados a quatro competências centrais.
A partir daí, monta planos de desenvolvimento individuais, cruzados com diagnósticos feitos junto aos business partners sobre os anseios de carreira de cada pessoa. "Com isso a gente estrutura trilhas de desenvolvimento dentro da Unibrad para solucionar esses gaps", diz Gislane.
Inteligência artificial entra na criação dos cursos
A IA já é parte do processo de desenho pedagógico. "A gente tem trabalhado para desenvolver conteúdos que a inteligência artificial nos apoie. Hoje, quando vai desenvolver um curso, a gente tem ali ajuda da IA para nos orientar se estamos indo pro caminho certo e para nos propor soluções novas", diz Marcelo Catelan.
Para Gislane, o desafio não é só técnico. "A gente precisa ajudar as pessoas a entender como conseguem usar essas tecnologias para automatizar as atividades que a gente consiga dispensar durante o dia e colocar energia em outras", afirma.
Talento abre a porta, mas é o treino que mantém
Valéria Silveira, do time de gestão do conhecimento da BU Prime, no Bradesco desde 2016, resume o começo dessa jornada: todo funcionário passa por um onboarding voltado a apresentar a cultura do banco antes de qualquer trilha técnica.
Já para Jonatas, o valor da Unibrad aparece no longo prazo, na comparação entre talento bruto e desenvolvimento constante. "Você tem o Cristiano Ronaldo, que se tornou um talento por dedicação, treinamento. Eu percebo muita diferença: a gente contrata pessoas de mercado, entrevista, e é nítido que aquela pessoa tem uma carga de desenvolvimento maior do que a outra", diz.
A metáfora que ele usa para resumir a proposta da universidade corporativa é direta: "É como afiar o machado. Você vai sair cortando a floresta, mas precisa ter um machado afiado."
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Talento abre a porta. Mas, segundo quem constrói a Unibrad todos os dias, é o treino que mantém essa porta aberta, para o craque em campo, para o executivo em ascensão e para quem está começando a carreira agora.
