Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
06/07/2026
5 min

Macron é o primeiro líder europeu a visitar a Síria após a Guerra Civil

Macron é o primeiro líder europeu a visitar a Síria após a Guerra Civil

O presidente da França, Emmanuel Macron, chegou à Síria nesta segunda-feira, 6, para realizar a primeira visita de um líder da União Europeia ao país desde o fim do governo de Bashar Al-Assad e da Guerra Civil Síria, em 2024. A chegada do europeu ocorre em um momento em que Damasco tenta ampliar sua reinserção internacional, reativar a economia e acelerar o processo de reconstrução.

Segundo a Presidência francesa, a viagem, que se estende até terça-feira, tem como objetivo defender "uma Síria livre e plural que respeite todos os seus componentes", além de contribuir para a redução das tensões no Oriente Médio.  Em seu perfil na rede social X, o mandatário francês afirmou que foi à Síria para reafirmar o compromisso da França em abrir uma nova etapa de estabilidade e paz na região.

Macron foi recebido em Damasco pelo ministro das Relações Exteriores sírio, Assad al-Shaybani, enquantoo presidente Ahmed al-Sharaa busca consolidar a normalização das relações diplomáticas do país após mais de uma década de guerra.

A chegada à Síria ocorre logo antes da cúpula da OTAN, sediada em Ancara, na Turquia.

Macron tem defendido a cooperação francesa com diversos países do Levante recentemente, com destaque para o Líbano e a Faixa de Gaza. Dias antes da viagem, o presidente francês anunciou a manutenção de meios militares franceses no Oriente Médio, incluindo navios especializados em desminagem, fragatas e uma aeronave de patrulha marítima, afirmando que os equipamentos permanecerão prontos para atuar ao lado de parceiros internacionais na proteção da navegação no Estreito de Ormuz.

Segundo Macron, a assinatura domemorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã em junho representou um avanço importante para a estabilidade regional, permitindo a adaptação do dispositivo militar francês na região.

Visita à Síria

A agência oficial síria Sana classificou a visita como um passo importante para a restauração da presença internacional da Síria. Em entrevista à emissora francesa BFMTV, o presidente

afirmou que a França desempenhou um papel construtivo durante a transição política síria, acompanhando o processo desde a queda de Al-Assad e contribuindo para a suspensão das sanções impostas ao país.

Ele também disse que a visita deverá resultar na assinatura de acordos econômicos entre os dois países. Segundo o presidente sírio, empresas francesas deverão participar de projetos ligados à infraestrutura, ao setor financeiro e a outras áreas consideradas estratégicas para a reconstrução nacional.

Al-Sharaa também afirmou que a Síria superou diversos obstáculos nos últimos meses, ampliou suas relações diplomáticas com outros países e desmantelou redes de produção e tráfico de drogas que operavam durante o antigo regime.

Durante a visita, Macron também oficializará a devolução de 23 artefatos arqueológicos sírios que permaneciam sob guarda do Museu do Louvre.

As peças haviam sido emprestadas à França antes do início da guerra civil, mas não puderam ser devolvidas em razão do conflito. O retorno dos objetos ocorre simultaneamente à visita presidencial e foi apresentado pelas autoridades francesas como um gesto de preservação e restituição do patrimônio cultural sírio.

Macron e o Oriente Médio

A Síria não é o único país do Oriente Médio com o qual Macron tem buscado fortalecer as relações recentemente. O presidente francês tem ampliado sua atuação diplomática em diferentes frentes da região, defendendo iniciativas voltadas à estabilidade, à reconstrução e ao fortalecimento das instituições nacionais.

No final de junho, o presidente francês e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciaram a intenção de formar uma coalizão internacional para assumir o papel da força de paz da ONU no Líbano após o encerramento da missão atual.

Ahmed al-Sharaa: presidente sírio busca reestabelecer alianças do país com nações ocidentais após a Guerra Civil (AFP Photo)

A iniciativa prevê uma presença multinacional que atue em coordenação com as Nações Unidas e a União Europeia. A proposta foi apresentada por Macron após uma reunião com Meloni em Antibes, no sul da França. Segundo o presidente francês declarou à imprensa, o objetivo é reforçar a soberania do Líbano e apoiar as forças armadas do país, evitando que o território se torne um ponto de instabilidade em meio às tensões regionais.

A primeira-ministra italiana afirmou que França e Itália podem contribuir para a criação do novo modelo e defendeu a manutenção de uma presença internacional para impedir um cenário de insegurança após a saída da atual missão da ONU, prevista para 31 de dezembro deste ano.

Em junho, Macron também declarou apoio ao cessar-fogo entre Líbano e Israel anunciado em Washington. Na ocasião, ele afirmou que França e Estados Unidos deveriam atuar conjuntamente para acompanhar e verificar a implementação do acordo, defendendo o fortalecimento da soberania libanesa e a ampliação do controle das Forças Armadas do país sobre o território.

Em relação à Faixa de Gaza, o presidente francês manteve a defesa da solução de dois Estados. Em setembro de 2025, durante uma cúpula das Nações Unidas, a França reconheceu oficialmente o Estado da Palestina. No discurso, Macron afirmou que era o momento de interromper a guerra em Gaza, libertar os reféns mantidos pelo Hamas e avançar em direção à paz, ao mesmo tempo em que reiterou o compromisso francês de combater o antissemitismo.

Com AFP

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
Distribuído por