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InvestMercadosACS
30/09/2026
7 min

Magalu foi maior alta do Ibovespa em setembro; Natura, a maior baixa — veja lista

Varejista teve alta de mais de 50% em um mês marcado por parceria com Meli

Magalu foi maior alta do Ibovespa em setembro; Natura, a maior baixa — veja lista

O Ibovespa encerrou setembro com alta de 5,03%, aos 186.340 pontos, em um mês marcado pelo quinto corte seguido da Selic, pela aproximação das eleições e por notícias corporativas que redesenharam o ranking da bolsa. Na ponta positiva, Magazine Luiza (MGLU3) liderou com salto de 55,09%. Na negativa, Natura (NATU3) foi a ação que mais perdeu valor, com recuo de 22,77%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, movimento que favoreceu varejistas e empresas mais endividadas. Do outro lado, a greve de 19 dias dos funcionários da Caixa travou repasses de financiamento imobiliário e derrubou as construtoras voltadas ao Minha Casa, Minha Vida.

Maiores altas do Ibovespa em setembro

No início de setembro, a Magazine Luiza anunciou que colocaria cerca de 28 mil itens de estoque próprio, das marcas Magalu, KaBuM! e Época Cosméticos, dentro do marketplace do Mercado Livre. A ação disparou 16,88% no dia do anúncio. Analistas avaliaram que o acordo dá à Magalu acesso à audiência do concorrente com margem melhor do que a de campanhas pagas, e ao Mercado Livre uma categoria em que ainda tinha pouca penetração, a de eletrodomésticos e itens pesados.

Vamos (VAMO3), locadora de caminhões e máquinas do grupo Simpar, está entre as ações mais sensíveis à taxa de juros da bolsa, por operar com alto nível de dívida e capital intensivo. O papel subiu 5,5% na semana encerrada em 18 de setembro e mais 12,17% na seguinte, acompanhando o corte da Selic e a redução das projeções para a taxa básica, de 13,75% para 13,50%.

Assaí (ASAI3) também surfou a queda dos juros futuros. Em 10 de setembro, a ação saltou 7,17% e fechou a semana com ganho de 8,15%. Dias depois, o Bank of America elevou o preço-alvo do atacarejo de R$ 10 para R$ 12. Pelas contas do banco, cada ponto percentual a menos na Selic eleva em 6,7% o lucro por ação da companhia.

Yduqs (YDUQ3) ganhou 27,61% no mês em que foi confirmada a fusão com a Afya, anunciada em 23 de setembro. As empresas estimam sinergias de R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões em valor presente, e o grupo terá cerca de 18% das vagas autorizadas de medicina do país. A operação ainda depende do aval do Cade. Antes disso, a ação já havia subido 6,96% na semana encerrada em 18 de setembro, depois de o Bradesco BBI elevar o preço-alvo de R$ 15 para R$ 17.

Azzas 2154 (AZZA3) subiu 16,96% no mês em que anunciou a divisão em duas companhias independentes, Arezzo&Co e Soma. A Farm Rio ficará sob controle compartilhado, com 57,4% para a Arezzo&Co e 42,6% para a Soma. Em 25 de setembro, a ação saltou 12,62%, com a proximidade do prazo para propostas não vinculantes pela marca, cuja venda é avaliada pelo Morgan Stanley desde junho.

As 10 ações que mais subiram no Ibovespa em setembro
# Ticker Empresa Variação no mês Variação no ano
1 MGLU3 Magazine Luiza +55,09% -15,52%
2 VAMO3 Vamos +43,81% +32,72%
3 RAIZ4 Raízen +34,78% -61,25%
4 ASAI3 Assaí +29,50% +50,14%
5 YDUQ3 Yduqs +27,61% -8,61%
6 PCAR3 GPA +22,71% -15,40%
7 CEAB3 C&A +20,55% -19,18%
8 BPAC11 BTG Pactual +17,16% +22,82%
9 AZZA3 Azzas 2154 +16,96% -31,55%
10 AURE3 Auren Energia +16,35% +11,95%

Fonte: B3. Dados de fechamento de 30/09/2026.

Maiores baixas do Ibovespa em setembro

Natura (NATU3) teve o pior desempenho do índice no mês. No fim de agosto, a companhia anunciou a saída de João Paulo Ferreira do comando após dez anos e a volta de Alessandro Carlucci, que presidiu a empresa entre 2005 e 2014, ao cargo de CEO a partir de 1º de outubro. Como o estatuto proíbe o acúmulo das funções, Carlucci deixou a presidência do conselho, que passará a Fábio Barbosa, também ex-CEO, se houver aprovação em assembleia. A troca acontece depois de um primeiro semestre com prejuízo de R$ 410 milhões. Na semana encerrada em 25 de setembro, a ação caiu 10,33%, a maior queda do Ibovespa no período, pressionada por dúvidas sobre a recuperação operacional.

Tenda (TEND3) entrou este mês na carteira do Ibovespa e sentiu diretamente a greve da Caixa, que começou em 10 de setembro e só terminou ontem, 29, por decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação atrasou aprovações de financiamento e pode empurrar repasses de um mês para outro. Em apresentação a investidores, a construtora também alertou para critérios mais rígidos de crédito do banco, que podem reduzir a conversão de vendas entre clientes de baixa renda. A ação chegou a cair 8,62% no pregão. A Tenda informou que pretende reduzir a participação da Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida em seu portfólio de 46%, em 2025, para 35% em 2027.

CSN Mineração (CMIN3) revisou para baixo as projeções de 2026. A produção esperada caiu de 45 milhões a 47 milhões de toneladas para 39 milhões a 41 milhões, e o custo caixa C1 subiu de US$ 22 a US$ 23,50 por tonelada para US$ 25 a US$ 26. A mineradora atribuiu o corte a um mercado mais restrito e ao frete marítimo mais caro, e vai reduzir temporariamente a produção de minério de baixo teor na usina de Pires, em Ouro Preto (MG).

Cury (CURY3) foi arrastada pelo mesmo ambiente que atingiu a Tenda. A construtora, concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro e com forte exposição ao Minha Casa, Minha Vida, depende dos repasses da Caixa para receber das vendas na planta. A Direcional (DIRR3) também aparece entre as maiores quedas do mês.

Vale (VALE3) apagou os ganhos acumulados em 2026. Até o pregão de 29 de setembro, a mineradora acumulava queda de 10,58% no mês, com o minério de ferro de 61% de teor recuando para cerca de US$ 94 por tonelada, pressionado por dados fracos da China e pelas margens apertadas das siderúrgicas chinesas. No dia 29, o UBS cortou o preço-alvo da ação de R$ 85 para R$ 77, com recomendação neutra. A Bradespar (BRAP4), holding cujo principal ativo é a participação na Vale, acompanhou o movimento e recuou 8,05% no mês.

RD Saúde (RADL3), dona da Raia e da Drogasil, desabou na última semana do mês. Em 24 de setembro, o Mercado Livre anunciou que passaria a vender medicamentos com receita em São Paulo, incluindo antibióticos e canetas emagrecedoras como o Ozempic, com entrega em até uma hora e integração de ao menos três redes de farmácias até o fim do ano. A ação caiu 5,38% no dia, a R$ 18,45, e fechou a semana com perda de 10,23%. Bancos como XP, Safra e BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) avaliam que o movimento representa mais uma migração de canal do que o fim da farmácia física, mas o risco de perder o relacionamento direto com o cliente pesou sobre o papel.

As 10 ações que mais caíram no Ibovespa em setembro
# Ticker Empresa Variação no mês Variação no ano
1 NATU3 Natura -22,77% -6,25%
2 TEND3 Tenda -18,40% +16,32%
3 CMIN3 CSN Mineração -15,37% -5,47%
4 CURY3 Cury -14,91% -11,99%
5 VALE3 Vale -10,20% -3,41%
6 DIRR3 Direcional -9,08% -25,83%
7 MBRF3 MBRF -8,11% -14,56%
8 BRAP4 Bradespar -8,05% +0,75%
9 RADL3 RD Saúde -6,28% -22,46%
10 USIM5 Usiminas -6,16% +17,22%

Fonte: B3. Dados de fechamento de 30/09/2026.

Maiores altas e baixas do Ibovespa no ano

No acumulado de 2026, Ultrapar (UGPA3) lidera o ranking de valorização da carteira, com ganho de 79,54% desde o primeiro pregão do ano. Na ponta oposta, Raízen (RAIZ4) acumula a maior perda, de 61,25%.

As 5 ações que mais sobem no Ibovespa em 2026
# Ticker Empresa Variação no ano
1 UGPA3 Ultrapar +79,54%
2 PETR3 Petrobras ON +65,40%
3 PETR4 Petrobras PN +59,95%
4 FLRY3 Fleury +53,67%
5 ASAI3 Assaí +50,14%

Fonte: B3. Dados de fechamento de 30/09/2026.

As 5 ações que mais caem no Ibovespa em 2026
# Ticker Empresa Variação no ano
1 RAIZ4 Raízen -61,25%
2 HAPV3 Hapvida -54,19%
3 BRKM5 Braskem -45,29%
4 CSNA3 CSN -33,68%
5 AZZA3 Azzas 2154 -31,55%

Fonte: B3. Dados de fechamento de 30/09/2026.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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