Magazine Luiza (MGLU3) ganha força com alívio na curva de juros e Natura (NATU3) é a pior ação da semana; confira os destaques do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) engatou a segunda semana consecutiva de perdas com redução do apetite local em meio à proximidade das eleições, incertezas geopolíticas e pressão da curva de juros norte-americana sobre a renda variável. O principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 0,95% na semana e encerrou a última sessão aos 183.476,86 pontos. Já […]

O Ibovespa (IBOV) engatou a segunda semana consecutiva de perdas com redução do apetite local em meio à proximidade das eleições, incertezas geopolíticas e pressão da curva de juros norte-americana sobre a renda variável.
O principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 0,95% na semana e encerrou aúltima sessão aos 183.476,86 pontos.
Já o dólar à vista terminou a R$ 5,1817, com valorização de 0,73% no acumulado da semana.
“O Ibovespa descolou-se das bolsas internacionais, com o recuo das ações ligadas a commodities e matérias-primas básicas e as incertezas na corrida eleitoral. Já o real voltou a se enfraquecer ante o dólar, pressionado pela queda das commodities e pelo aumento do risco-país”, destacou a consultoria 4intelligence.
O que movimentou os mercados?
Por aqui, a política monetária continuou a concentrar as atenções. Na última terça-feira (22), a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a avaliação de que os juros elevados estão conseguindo desacelerar a economia brasileira, mas indicou que a inflaçãoainda pressionada pela demanda, as expectativas desancoradas e os riscos no cenário impedem uma flexibilização mais rápida da política monetária.
O colegiado ainda destacou que as evidências de transmissão da política monetária restritiva para a atividade econômica “têm se acumulado gradualmente”.
Na semana passada, o Copom cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, a quinta flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime. O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado.
- LEIA TAMBÉM: Ata do Copom: BC vê desaceleração ganhar força, mas deixa próximos cortes da Selic em aberto
Ainda no cenário macroeconômico, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 2,0% para 1,8%. Para 2027, o BC espera desaceleração adicional, com avanço de 1,4%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM).
No cenário de referência, o BC projeta que a inflação recue para 4,4% no terceiro trimestre de 2026, mas volte a acelerar e alcance 5,2% no fim do ano.
O governo ainda revisou a projeção para o resultado primário em 2026, passando de um superávit de R$ 10,8 bilhões para déficit de R$ 13,6 bilhões.
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT) discursou na Assembleia Geral da ONU e as pesquisas eleitorais continuaram a mostrar um empate técnico no primeiro e segundo turnos entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Exterior
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro, os Treasuries, mantiveram a trajetória de alta e renovaram máximas históricas, com precificação de novas altas altas nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) após novos dados e novas declarações de dirigentes do BC. Em destaque, o rendimento do título de 30 anos atingiu 5,446%, no maior nível desde junho de 2004 na última quinta-feira (24).
Entre os dados divulgados, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do país, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 neste mês, segundo a S&P Global. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após um resultado de 56,0 em agosto.
A leitura acima de 50 indica expansão no setor privado, o que foi lido pelo mercado como um sinal de pressão inflacionária.
Já o diretor do Fed, Michael Barr, afirmou que o BC deu um passo importante na semana passada para “recalibrar” os juros de curto prazo a fim de reduzir a inflação, acrescentando que provavelmente será preciso realizar novos aumentos nas taxas.
“Os riscos para alcançarmos nossa meta de inflação aumentaram, enquanto os riscos para o mercado de trabalho diminuíram”, disse Barr em discurso preparado para ser proferido em uma conferência sobre acessibilidade à moradia, organizada pelo Fed de Chicago.
Com isso, o mercado passou a precificar cerca de 70% de chance de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base na próxima decisão, em outubro. Para dezembro, a probabilidade de uma outra alta de pelo menos 25 pontos-base é superior a 90%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.
Sobe e desce do Ibovespa
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) lideraram os ganhos da semana com alta de mais de 15%, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogar uma medida que proibia a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos pela varejista.
Além disso, a agência classificadora de riscos S&P National Ratings reafirmou a nota de crédito ‘brAA-’ do varejista, tendo em vista uma expectativa de melhora operacional na companhia. A perspectiva é estável.
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | 15,56% |
| AZZA3 | Azzas 2154 | 14,55% |
| VAMO3 | Vamos ON | 12,17% |
| RAIL3 | Rumo ON | 7,48% |
| RENT3 | Localiza ON | 5,94% |
Confira as maiores altas do Ibovespa entre 21 e 25 de setembro:
Já na ponta negativa do Ibovespa foi liderada por Natura (NATU3), com forte pressão vendedora.
Os papéis da varejista possuem a segunda maior taxa de aluguel, de 17,74%, entre as listadas no IBOV, segundo relatório de monitoramento de “short” da Ágora Investimentos.
Mas o destaque da semana ficou por conta das farmacêuticas. As ações da RD Saúde (RADL3) acumularam mais de 10% de queda após o Mercado Livre (MELI34) anunciar a expansão no mercado de venda de medicamentos.
“Para as grandes redes de farmácia como RD Saúde, Pague Menos, Panvel e DSPS, apesar do Mercado Livre abrir seu marketplace para outros players, esse movimento é negativo, pois pressiona a competição com um player bem posicionado e reconhecido no mercado de varejo”, avaliou a equipe de analistas da Ativa Investimentos.
Já para a XP, o movimento do Meli é um risco a ser monitorado. “Acreditamos que as grandes redes estão bem posicionadas devido às duas vantagens competitivas, como a proposta de valor das lojas físicas, escala, densidade de lojas e operações omnicanal estabelecidas. A entrada do Meli também já era amplamente esperada”, afirmaram os analistas Pedro Caravina e Laryssa Sumer.
Veja as quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| NATU3 | Natura ON | -10,33% |
| RADL3 | RD Saúde ON | -10,23% |
| CMIN3 | CSN Mineração ON | -9,34% |
| BBAS3 | Banco do Brasil ON | -6,94% |
| TEND3 | Tenda ON | -6,84% |
