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NegóciosMPOL
20/08/2026
8 min

Maior academia do mundo fica no Brasil e fecha parceria com gigante americana para ter 200 unidades

Ironberg abre oficialmente seu modelo de franquias em 26 de agosto e fecha acordo para que Life Fitness e Hammer Strength forneçam 70% dos equipamentos das novas unidades

Maior academia do mundo fica no Brasil e fecha parceria com gigante americana para ter 200 unidades

Quase 12 mil metros quadrados, mais de 20 esteiras e uma área de musculação que passa dos 8 mil metros quadrados. É assim a unidade da Ironberg inaugurada recentemente em Brasília. O espaço foi medido e reconhecido pelo Guinness World Records como a maior academia do mundo na área dedicada à musculação.

A Ironberg nasceu com uma proposta diferente das redes que cresceram espalhando academias menores pelas cidades. Seus centros de treinamento têm centenas de equipamentos e apostam em estruturas de grande porte.

Brasília é só um caso. Mas há operações gigantes também em cidades como São Paulo eFortaleza, onde 15 mil pessoas treinaram juntas. Uma unidade média da empresa reúne entre 300 e 320 máquinas.

Agora, a empresa quer transformar projetos desse tipo em uma rede nacional.

Em 26 de agosto, a Ironberg vai abrir oficialmente seu modelo de franquias e apresentar um plano de expansão que pode levar a marca a mais de 200 unidades próprias e franqueadas nos próximos anos.

Para tentar manter o mesmo padrão à medida que aumenta o número de academias, a empresa fechou uma parceria de longo prazo com as gigantes de equipamentos dos Estados Unidos Life Fitness e Hammer Strength.

“Não dá para a gente pensar num centro de alta performance sem ter na cabeça Life e Hammer”, diz Piter Demétrio, executivo da Ironberg.

Pelo acordo, 70% dos equipamentos das novas unidades serão fornecidos pelas duas marcas. A parceria inclui ainda planejamento da produção, alinhamento dos cronogramas de abertura e desenvolvimento conjunto de produtos.

Qual é a história da Ironberg

Fundada por Roberto Rautenberg, o Betão, a Ironberg nasceu durante a pandemia com um modelo atípico: ao invés de buscar o volume e preços baixos, como fazem as gigantes do setor, a rede apostou em espaços enormes, ambiente aspiracional e conteúdo digital.

Em 2019, ainda como sócio da Bluefit, Betão apresentou ao conselho da empresa a proposta de criar um novo tipo de centro de treinamento, voltado à musculação em larga escala. A ideia foi rejeitada, e ele decidiu vender sua participação.

“O conselho achou que não era algo promissor no mercado brasileiro. Então ele saiu”, diz Demétrio.

Já durante a pandemia, Betão inaugurou em São Caetano um espaço fechado, sem atendimento ao público, onde produzia conteúdo focado em musculação e fisiculturismo. Enquanto o setor recuava, a Ironberg ganhava tração online.

“Estavam todos poupando, e ele estava investindo em visibilidade. Isso fez a marca ficar conhecida mesmo antes de ter uma academia aberta”, diz o CEO.

A primeira unidade com atendimento ao público veio só depois, em Florianópolis — e não em São Caetano, como muitos acreditam. Foi ali que o modelo baseado em megaestruturas, atletas de referência e atmosfera de comunidade começou a tomar forma.

A entrada de Piter Demétrio como CEO se deu em outubro de 2024. Amigo de Betão há duas décadas e com carreira em uma big four de consultoria, ele havia recusado convites anteriores, mas aceitou o desafio após uma transição planejada.

“A gente tem uma frase entre nós: quando a resposta para a pergunta ‘vou poder mandar em você?’ for sim, aí a gente começa”, brinca. “Eu assumi depois de fazer uma transição completa, deixando meus clientes, meu time e tudo estruturado. Era importante entrar aqui com clareza de missão e cabeça 100% na operação.”

A partir dali, a marca acelerou seu plano de expansão — com estrutura própria, investidores locais e presença digital forte.

Como foi o primeiro teste com franquias

Antes de abrir formalmente as franquias para novos investidores, a Ironberg já colocou o modelo em prática.

A unidade de Brasília é a primeira franquia da rede e foi desenvolvida com o Grupo 4P. O projeto também permitiu à empresa testar uma operação muito maior do que o formato médio de suas academias.

“Brasília é uma franquia. Ela já foi a nossa primeira franquia, junto com um grupo bastante relevante da cidade, que é o Grupo 4P”, afirma Demétrio.

Segundo ele, a unidade tem quase 12 mil metros quadrados no total. Para o reconhecimento do Guinness, foi considerada a área destinada diretamente à prática da musculação, com pouco mais de 8 mil metros quadrados.

A unidade de Brasília também ganhou uma área dedicada ao Hyrox, modalidade que combina corrida e exercícios funcionais. Para a Ironberg, a ideia é usar os novos projetos para adicionar outros tipos de treinamento sem abandonar a musculação, principal produto da rede.

Plano é abrir mais de 200 unidades em dez anos

A abertura das franquias muda a velocidade de expansão da Ironberg.

Até agora, a marca avançou por meio de grandes projetos individuais. No fim de 2025, por exemplo, a inauguração de Fortaleza reuniu, segundo Demétrio, quase 15 mil pessoas dentro da academia no primeiro dia. Um número semelhante teria ficado do lado de fora sem conseguir entrar.

Nos próximos anos, o desafio passa a ser repetir esse modelo em diferentes cidades e com diferentes operadores.

“Temos um projeto de horizonte de dez anos, que quebra em duas fases de cinco em cinco anos”, diz Demétrio. “No resumo, estamos falando em abrir potencialmente mais de 200 lojas nesse espaço de tempo, sejam elas franquias ou lojas próprias.”

Ainda em 2026, a companhia trabalha com sete a nove inaugurações. Como parte dos projetos está em obras, Demétrio admite que alguma abertura pode passar para o início de 2027. Uma das próximas unidades será em Sorocaba, no interior de São Paulo, com inauguração prevista para o fim de setembro.

Como funciona o Ironberg70

Para crescer por franquias, a Ironberg terá de resolver um problema comum a redes em expansão: como manter o produto parecido quando cada academia passa a ser construída e operada em mercados diferentes.

É nesse ponto que entra o Ironberg70. O programa estabelece que 70% do parque de equipamentos das novas unidades próprias e franqueadas será formado por máquinas daLife Fitness e da Hammer Strength.

Life Fitness é a marca mais ampla do grupo americano. A Hammer Strength, marca de equipamentos de força e treinamento de alta performance, foi adquirida pela companhia há cerca de duas décadas.

O acordo vai além da compra das máquinas. As empresas passarão a trabalhar juntas no planejamento da capacidade produtiva, nos cronogramas das inaugurações e no suporte comercial e operacional para os novos projetos.

Isso ganha importância pelo volume necessário para colocar uma academia da Ironberg de pé.

“Se você pegar uma unidade média, talvez a gente esteja falando de 300, 320 equipamentos somando todo o parque”, diz Demétrio.

Como vão criar produtos juntos

A parceria prevê ainda que a Ironberg participe do desenvolvimento de produtos.

Executivos da rede brasileira visitaram o centro de inovação da Life Fitness em Chicago, nos Estados Unidos, e se reuniram com profissionais responsáveis pela criação de novos equipamentos.

A ideia é que a operação das academias brasileiras também sirva como fonte de informação para mudanças e novos produtos da fabricante.

“A gente criou uma via de mão dupla. Sempre que precisar ou puder debater um pouquinho do que pode ser uma tendência, um futuro, a gente tem portas abertas”, diz Demétrio.

A colaboração já terá um resultado visível nas academias. Life Fitness e Hammer Strength desenvolveram uma cor exclusiva para as máquinas da Ironberg.  “A gente é, entre aspas, fazedor de academias. A gente constrói academias. Os fazedores de equipamentos são eles”, diz Demétrio. “Mas isso mostra o quanto essa parceria tem apoio e tem todo mundo envolvido.”

Para a Life Fitness, a parceria dá acesso a uma parte relevante das compras de equipamentos previstas no plano de crescimento da Ironberg. A fabricante americana atua desde 1968 e administra sua operação latino-americana a partir de São Paulo. No Brasil, trabalha com oito revendas. No restante da América Latina, são dez distribuidores.

Segundo Pedro Goyn, responsável pela operação da Life Fitness na região, a América Latina tem crescido acima de dois dígitos há três ou quatro anos consecutivos e ganhou espaço dentro dos planos globais da empresa.

A parceria será apresentada durante o Life Fitness Experience, evento realizado pela fabricante em São Paulo nos dias 25 e 26 de agosto. Pela primeira vez, segundo Goyn, um parceiro terá participação direta no evento. A Ironberg usará o encontro para apresentar seu projeto a potenciais franqueados.

Executivos globais da Life Fitness também virão ao Brasil para acompanhar o lançamento e discutir o desenvolvimento de novos produtos com a rede.

Quais são os desafios

O movimento coloca a Ironberg diante de uma conta diferente daquela que levou à construção da maior academia do mundo.

Brasília é um projeto fora da curva até para os padrões da própria empresa. Para chegar a mais de 200 unidades, a rede terá de trabalhar com academias de diferentes tamanhos e encontrar investidores capazes de bancar estruturas com centenas de equipamentos.

A companhia ainda não divulga o investimento necessário para abrir uma franquia. Também não apresenta uma projeção fechada de faturamento para a rede. Demétrio afirma que esses números ainda passam por ajustes.

Ao falar de receita, porém, o executivo dá uma dimensão da ambição do projeto. Segundo ele, em cinco anos, a Ironberg pode atingir um faturamento entre 100 e 110 vezes maior do que o atual.

O crescimento dependerá de quantas unidades sairão do papel e de quão rápido a empresa conseguirá formar sua rede de franqueados. A maior academia do mundo já existe.

O próximo teste da Ironberg é descobrir se consegue transformar um projeto de quase 12 mil metros quadrados em uma marca presente em centenas de endereços.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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