Maior alta do Ibovespa em agosto está de saída do índice; Hapvida liderou perdas
Papéis castigados no ano lideraram as altas de agosto, mas quedas em saúde e varejo pesaram; Ibovespa fechou mês no vermelho

A ação de melhor desempenho do Ibovespa em agosto pode estar fora da próxima carteira teórica do índice. Os papéis da SLC Agrícola (SLCE3) subiram 20,93% no mês e ficaram no topo da carteira do principal indicador da bolsa brasileira. Mas a terceira prévia divulgada pela B3 nesta segunda-feira, 31, deixou o ativo de fora, assim como os da PetroReconcavo (RECV3). A nova composição entra em vigor em 8 de setembro.
O agosto positivo da SLC veio em um momento em que o mercado reconhece que a operação está entregando, mas ainda questiona o quanto ela vale de fato diante de uma dívida maior, da aquisição de terras e do risco climático.
Também foi um mês favorável às construtoras. A MRV (MRVE3) apareceu em segundo lugar, com valorização de 16,03%, ainda que acumule queda de 28,76% em 2026. O papel subiu porque o mercado começou a enxergar uma saída para os dois problemas que mais o castigavam, a operação americana Resia e a dívida. A companhia está acelerando a liquidação dos ativos da Resia, mesmo aceitando vender parte deles abaixo do valor contábil. No segundo trimestre, isso gerou um impairment de cerca de US$ 110 milhões e boa parte do prejuízo contábil do período, mas o mercado olhou além, já que a MRV havia vendido US$ 401 milhões em ativos da Resia no ano.
A Cyrela (CYRE3), outra incorporadora que vinha enfrentando dificuldades, subiu 12,77% em agosto e voltou ao terreno positivo no ano. A companhia divulgou um balanço do segundo trimestre bem recebido pelo mercado, com lucro líquido de R$ 452 milhões, alta de 16% na comparação anual, expansão de margem e forte geração de caixa.
No início do mês, a Cyrela havia assinado um memorando de entendimentos não vinculante com a gestora e o fundo TRX Real Estate para a venda de um portfólio de ativos não residenciais avaliado em cerca de R$ 2,14 bilhões, que incluía lajes corporativas no Edifício Cyrela Oscar Freire Corporate e participações em estruturas detentoras de quatro galpões logísticos. Nesta segunda, porém, a companhia comunicou que a TRX desistiu da operação e que o memorando foi distratado em comum acordo, sem ônus ou penalidades para as partes.
A Cury (CURY3) completou o bloco das construtoras entre as maiores altas do Ibovespa em agosto, com valorização de 8,18%.
Duas das "joias da bolsa" brasileira também apareceram no top 10 do mês. A Embraer (EMBJ3) subiu 6,88% e a WEG (WEGE3) avançou 6,04%.
| Empresa | Ticker | Variação no mês | Variação no ano |
| SLC Agrícola | SLCE3 | +20,93% | +9,40% |
| MRV | MRVE3 | +16,03% | -28,76% |
| Fleury | FLRY3 | +14,53% | +32,37% |
| Totvs | TOTS3 | +14,33% | -13,35% |
| Cyrela | CYRE3 | +12,77% | +0,58% |
| CSN | CSNA3 | +10,95% | -38,28% |
| Cury | CURY3 | +8,18% | +3,27% |
| Embraer | EMBJ3 | +6,88% | +4,83% |
| WEG | WEGE3 | +6,04% | +3,73% |
| Yduqs | YDUQ3 | +5,93% | -28,22% |
Na ponta oposta, a Hapvida (HAPV3) liderou as perdas com um tombo de 40,96% em agosto, superando até a Braskem (BRKM5), que recuou 28,14% e deixou o índice na semana passada após entrar com pedido de recuperação extrajudicial. A queda da operadora de saúde foi puxada por um balanço do segundo trimestre muito pior do que o mercado esperava.
O lucro líquido ajustado somou R$ 12,5 milhões, queda de 95,8% em um ano, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 504,4 milhões, cerca de 20% abaixo do consenso compilado pela LSEG, de R$ 629 milhões. A sinistralidade caixa voltou a assustar, chegou a 75,2%, com alta de 3 pontos percentuais ante o primeiro trimestre e de 1,3 ponto percentual em um ano, o que reacendeu a dúvida central da tese sobre quando as margens finalmente vão se normalizar.
As maiores baixas do mês se espalharam por diferentes setores. No varejo, a Lojas Renner (LREN3) caiu 19,78%. Nos serviços, a Smart Fit (SMFT3) recuou 14,21%. Na indústria, a Marcopolo (POMO4) perdeu 17,14%. No petróleo, a Brava (BRAV3) cedeu 12,73% no mês em que a Ecopetrol concluiu a oferta pública de aquisição a R$ 23 por ação e assumiu o controle da companhia com 51% do capital, com liquidação financeira em 17 de agosto.
No acumulado de 2026, o quadro é outro. As maiores altas do ano ficaram concentradas em petróleo e energia, com Ultrapar (UGPA3) à frente, em valorização de 64,81%, seguida por Petrobras ON (PETR3), com 53,67%, e PRIO (PRIO3), com 49,19%. Na ponta negativa do ano, a Raízen (RAIZ4) lidera as perdas, com queda de 71,25%, à frente da Hapvida, que recua 54,26%, e do Magazine Luiza (MGLU3), com baixa de 45,53%.
O Ibovespa fechou agosto em queda de cerca de 0,33%, na casa dos 177 mil pontos, mas ainda com valorização em torno de 10,11% em 2026.
| Empresa | Ticker | Variação no mês | Variação no ano |
| Hapvida | HAPV3 | -40,96% | -54,26% |
| Braskem | BRKM5 | -28,14% | -44,65% |
| Lojas Renner | LREN3 | -19,78% | -18,46% |
| Marcopolo | POMO4 | -17,14% | -25,17% |
| Smart Fit | SMFT3 | -14,21% | -26,46% |
| Copasa | CSMG3 | -14,17% | +26,71% |
| Brava Energia | BRAV3 | -12,73% | +3,66% |
| C&A | CEAB3 | -12,39% | -33,36% |
| Raízen | RAIZ4 | -11,54% | -71,25% |
| Porto Seguro | PSSA3 | -9,84% | +2,47% |
