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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
01/09/2026
5 min

Maior alta do Ibovespa em agosto está de saída do índice; Hapvida liderou perdas

Papéis castigados no ano lideraram as altas de agosto, mas quedas em saúde e varejo pesaram; Ibovespa fechou mês no vermelho

Maior alta do Ibovespa em agosto está de saída do índice; Hapvida liderou perdas

A ação de melhor desempenho do Ibovespa em agosto pode estar fora da próxima carteira teórica do índice. Os papéis da SLC Agrícola (SLCE3) subiram 20,93% no mês e ficaram no topo da carteira do principal indicador da bolsa brasileira. Mas a terceira prévia divulgada pela B3 nesta segunda-feira, 31, deixou o ativo de fora, assim como os da PetroReconcavo (RECV3). A nova composição entra em vigor em 8 de setembro.

O agosto positivo da SLC veio em um momento em que o mercado reconhece que a operação está entregando, mas ainda questiona o quanto ela vale de fato diante de uma dívida maior, da aquisição de terras e do risco climático.

Também foi um mês favorável às construtoras. A MRV (MRVE3) apareceu em segundo lugar, com valorização de 16,03%, ainda que acumule queda de 28,76% em 2026. O papel subiu porque o mercado começou a enxergar uma saída para os dois problemas que mais o castigavam, a operação americana Resia e a dívida. A companhia está acelerando a liquidação dos ativos da Resia, mesmo aceitando vender parte deles abaixo do valor contábil. No segundo trimestre, isso gerou um impairment de cerca de US$ 110 milhões e boa parte do prejuízo contábil do período, mas o mercado olhou além, já que a MRV havia vendido US$ 401 milhões em ativos da Resia no ano.

A Cyrela (CYRE3), outra incorporadora que vinha enfrentando dificuldades, subiu 12,77% em agosto e voltou ao terreno positivo no ano. A companhia divulgou um balanço do segundo trimestre bem recebido pelo mercado, com lucro líquido de R$ 452 milhões, alta de 16% na comparação anual, expansão de margem e forte geração de caixa.

No início do mês, a Cyrela havia assinado um memorando de entendimentos não vinculante com a gestora e o fundo TRX Real Estate para a venda de um portfólio de ativos não residenciais avaliado em cerca de R$ 2,14 bilhões, que incluía lajes corporativas no Edifício Cyrela Oscar Freire Corporate e participações em estruturas detentoras de quatro galpões logísticos. Nesta segunda, porém, a companhia comunicou que a TRX desistiu da operação e que o memorando foi distratado em comum acordo, sem ônus ou penalidades para as partes.

A Cury (CURY3) completou o bloco das construtoras entre as maiores altas do Ibovespa em agosto, com valorização de 8,18%.

Duas das "joias da bolsa" brasileira também apareceram no top 10 do mês. A Embraer (EMBJ3) subiu 6,88% e a WEG (WEGE3) avançou 6,04%.

Maiores altas do Ibovespa em agosto
Empresa Ticker Variação no mês Variação no ano
SLC Agrícola SLCE3 +20,93% +9,40%
MRV MRVE3 +16,03% -28,76%
Fleury FLRY3 +14,53% +32,37%
Totvs TOTS3 +14,33% -13,35%
Cyrela CYRE3 +12,77% +0,58%
CSN CSNA3 +10,95% -38,28%
Cury CURY3 +8,18% +3,27%
Embraer EMBJ3 +6,88% +4,83%
WEG WEGE3 +6,04% +3,73%
Yduqs YDUQ3 +5,93% -28,22%

Na ponta oposta, a Hapvida (HAPV3) liderou as perdas com um tombo de 40,96% em agosto, superando até a Braskem (BRKM5), que recuou 28,14% e deixou o índice na semana passada após entrar com pedido de recuperação extrajudicial. A queda da operadora de saúde foi puxada por um balanço do segundo trimestre muito pior do que o mercado esperava.

O lucro líquido ajustado somou R$ 12,5 milhões, queda de 95,8% em um ano, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 504,4 milhões, cerca de 20% abaixo do consenso compilado pela LSEG, de R$ 629 milhões. A sinistralidade caixa voltou a assustar, chegou a 75,2%, com alta de 3 pontos percentuais ante o primeiro trimestre e de 1,3 ponto percentual em um ano, o que reacendeu a dúvida central da tese sobre quando as margens finalmente vão se normalizar.

As maiores baixas do mês se espalharam por diferentes setores. No varejo, a Lojas Renner (LREN3) caiu 19,78%. Nos serviços, a Smart Fit (SMFT3) recuou 14,21%. Na indústria, a Marcopolo (POMO4) perdeu 17,14%. No petróleo, a Brava (BRAV3) cedeu 12,73% no mês em que a Ecopetrol concluiu a oferta pública de aquisição a R$ 23 por ação e assumiu o controle da companhia com 51% do capital, com liquidação financeira em 17 de agosto.

No acumulado de 2026, o quadro é outro. As maiores altas do ano ficaram concentradas em petróleo e energia, com Ultrapar (UGPA3) à frente, em valorização de 64,81%, seguida por Petrobras ON (PETR3), com 53,67%, e PRIO (PRIO3), com 49,19%. Na ponta negativa do ano, a Raízen (RAIZ4) lidera as perdas, com queda de 71,25%, à frente da Hapvida, que recua 54,26%, e do Magazine Luiza (MGLU3), com baixa de 45,53%.

O Ibovespa fechou agosto em queda de cerca de 0,33%, na casa dos 177 mil pontos, mas ainda com valorização em torno de 10,11% em 2026.

Maiores baixas do Ibovespa em agosto
Empresa Ticker Variação no mês Variação no ano
Hapvida HAPV3 -40,96% -54,26%
Braskem BRKM5 -28,14% -44,65%
Lojas Renner LREN3 -19,78% -18,46%
Marcopolo POMO4 -17,14% -25,17%
Smart Fit SMFT3 -14,21% -26,46%
Copasa CSMG3 -14,17% +26,71%
Brava Energia BRAV3 -12,73% +3,66%
C&A CEAB3 -12,39% -33,36%
Raízen RAIZ4 -11,54% -71,25%
Porto Seguro PSSA3 -9,84% +2,47%
AutorMitchel Diniz
FonteExame
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