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Sacre Investimentos
InvestMercadosFIN
12/08/2026
4 min

Maior fundo soberano do mundo lucra US$ 185 bi e revela aposta em empresa de Elon Musk

Gestora do fundo revelou participação de 0,05% na SpaceX, avaliada em US$ 1,2 bilhão

Maior fundo soberano do mundo lucra US$ 185 bi e revela aposta em empresa de Elon Musk

O maior fundo soberano do mundo teve lucro recorde de US$ 184,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, equivalente a mais de 1,75 trilhão de coroas norueguesas. O resultado foi impulsionado pela disparada das ações de tecnologia na Ásia.

No mesmo anúncio, a Norges Bank Investment Management (NBIM), responsável pela gestão do fundo, revelou pela primeira vez uma participação de 0,05% na SpaceX, avaliada em pouco mais de US$ 1,2 bilhão.

O desempenho do fundo não foi linear ao longo do semestre. No primeiro trimestre, as ações da carteira caíram 2,6%, em meio ao nervosismo do mercado com inteligência artificial (IA) e à guerra entre Estados Unidos e Irã. No segundo trimestre, porém, a renda variável do fundo saltou 15,98%.

O retorno acumulado das ações no semestre, assim, chegou a 12,95%. Entre os destaques estavam Samsung, SK Hynix, TSMC, ASML, Intel e a Nvidia.

US$ 2,34 trilhões em ativos

Criado nos anos 1990 para investir as receitas do petróleo e do gás da Noruega, o fundo teve retorno de 9,4% no semestre. A carteira, avaliada em US$ 2,34 trilhões, está presente em mais de sete mil empresas em mais de 50 países.

Isso representa uma fatia de cerca de 1,5% de todas as ações negociadas em bolsas no mundo. Mais de dois terços dos recursos estão aplicados em ações. O restante é dividido entre renda fixa, imóveis e infraestrutura de energia renovável.

Cerca de 40% do total está investido em papéis americanos. As maiores posições seguem sendo Nvidia, Apple e Microsoft. "O resultado é impulsionado por bons retornos no mercado de ações, particularmente de ações de tecnologia asiáticas", disse o executivo-chefe da NBIM, Nicolai Tangen.

Participação na SpaceX

A fatia de 0,05% na SpaceX é pequena quando comparada a outras posições do fundo. A participação de 1,3% na Nvidia vale US$ 61,8 bilhões, enquanto os 1,2% na Apple somavam US$ 52,7 bilhões até 30 de junho. Ainda assim, o investimento inclui a SpaceX entre as empresas de Elon Musk presentes na carteira do fundo, que também detém 1% da Tesla.

Na montadora, o fundo detém 1% do capital, participação avaliada em cerca de US$ 15,7 bilhões ao fim do primeiro semestre. Já as ações da SpaceX tiveram um forte rali inicial após estrearem na bolsa em junho, mas perderam centenas de bilhões de dólares em valor de mercado até o fim de julho.

Questionado sobre a evolução do peso da SpaceX na carteira, o vice-presidente-executivo da NBIM, Trond Grande, evitou detalhar a posição. "Ficamos praticamente alinhados à taxa de referência no primeiro semestre, e essa tendência se manteve durante o verão", pontuou.

Tangen, por sua vez, minimizou a volatilidade do papel ao lembrar a dimensão da carteira administrada pelo fundo. "Somos proprietários de 7.000 empresas; algumas sobem, outras descem, todos os dias. E não apenas todos os dias, mas muitas vezes ao dia", esclareceu.

Histórico de atritos com Musk

A relação entre a NBIM e Elon Musk não é das mais amistosas. Em 2024, o fundo votou contra o pacote de remuneração de US$ 56 bilhões que Musk buscava receber da Tesla. O bilionário também chegou a recusar um convite de Tangen para um jantar e uma conferência promovida pela gestora em Oslo.

A troca de farpas ficou registrada em uma mensagem de texto de Musk a Tangen. "Quando eu lhe peço um favor — o que faço muito raramente — e você recusa, então não deveria me pedir um até ter feito algo além do mínimo para reparar a situação", de acordo com texto divulgado via lei de acesso à informação.

O impasse continuou no fim de 2025, quando a NBIM voltou a votar contra Musk. Dessa vez, a gestora rejeitou o pacote de remuneração bilionário que poderia chegar à casa do trilhão de dólares na assembleia de acionistas da Tesla.

Em nota na época, a NBIM afirmou reconhecer o papel de Musk na criação de valor, mas apontou riscos na concentração de poder em torno de um único executivo. A gestora também disse que seguiria buscando diálogo com a Tesla sobre o tema.

Executivo alerta para riscos

Tangen definiu o fundo como o "cofrinho para toda a Noruega", mas moderou o entusiasmo em torno do resultado recorde e alertou que o país precisa estar preparado para oscilações de valor. Questionado se o fundo poderia desaparecer algum dia, a resposta foi positiva.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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