Maior influência dos EUA na América Latina é 'uma conquista extraordinária', diz Rubio
Segundo o secretário de Estado, praticamente todas as eleições realizadas desde a posse de Donald Trump resultaram na vitória de candidatos alinhados aos Estados Unidos

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta sexta-feira, 31, que acredita que a maior presença dos interesses norte-americanos na América Latina é uma "conquista extraordinária". A fala ocorre em meio a um ciclo eleitoral no continente neste ano que levou ao poder governos de direita, com discurso focado em segurança pública e alinhados geopoliticamente aos EUA, como Abelardo de la Espriella, na Colômbia, José Antonio Kast, no Chile, Keiko Fujimori, no Peru e Rodrigo Paz, na Bolívia.
O governo norte-americano também derrubou no início do ano o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, um de seus maiores adversários políticos e considerado uma ameaça militar. Além disso, o governo de Donald Trump reforçou a pressão sancionária sobre Cuba, que aprovou nesta semana uma reforma econômica que flexibiliza o sistema socialista da ilha caribenha.
"Pela primeira vez em 15 ou 20 anos, a imensa maioria dos países do hemisfério ocidental é agora liderada por dirigentes pró-Estados Unidos e governos pró-Estados Unidos. É uma conquista extraordinária", disse Rubio durante uma reunião de gabinete desta sexta-feira.
Segundo o secretário de Estado, praticamente todas as eleições realizadas desde a posse de Donald Trump resultaram na vitória de candidatos alinhados aos Estados Unidos. "Praticamente em todas as eleições realizadas desde que o senhor foi eleito presidente, foi eleita uma pessoa pró-Estados Unidos, e acredito que esta é uma situação incrível", afirmou Rubio ao presidente americano.
Atualmente, cerca de 17 países da América Latina e do Caribe são governados por líderes claramente alinhados à política externa de Washington. No entanto, as principais economias latinoamericanas, Brasil e México, permanecem sob governos de esquerda
Ciclo eleitoral fortaleceu governos de direita
A declaração de Rubio ocorre após uma sequência de eleições que alterou o mapa político da América Latina.
Nos últimos anos, diversos países elegeram presidentes de direita ou de centro-direita com campanhas centradas no combate ao crime organizado, na segurança pública e na aproximação com os Estados Unidos.
Segundo levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), 70% das eleições presidenciais realizadas entre 2023 e 2026 foram vencidas por candidatos que priorizaram o combate à criminalidade, à corrupção e ao crime organizado.
O pesquisador analisou 19 disputas presidenciais — excluindo Venezuela, Cuba e Nicarágua, cujos processos eleitorais são contestados — e concluiu que, em 13 delas, venceram lideranças com esse perfil.
Entre os casos estão Javier Milei, na Argentina; Daniel Noboa, no Equador; Nayib Bukele, em El Salvador; Nasry Asfura, em Honduras; Laura Fernández, na Costa Rica; além de Kast, Paz, Espriella e Fujimori.
Venezuela e Cuba reforçam influência dos EUA
Rubio também relacionou esse novo cenário às mudanças ocorridas em países historicamente adversários de Washington.
Na Venezuela, Nicolás Maduro foi capturado por forças militares americanas em janeiro e atualmente responde à Justiça dos Estados Unidos. Desde então, segundo a AFP, Caracas passou a colaborar com a agenda energética e econômica de Washington.
Já Cuba enfrenta uma grave crise econômica e perdeu seu principal aliado regional após a queda de Maduro. Nesta semana, o governo cubano anunciou um amplo pacote de reformas que ampliam o espaço da iniciativa privada, flexibilizando setores antes exclusivos do Estado socialista.
Enquanto isso, a Nicarágua permanece como um dos poucos governos da região em confronto aberto com os Estados Unidos. A pedido de Washington, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizará na próxima quarta-feira uma reunião extraordinária para discutir a situação política do país centro-americano.
Com AFP
