Maior saída em cinco anos: Gringos retiram quase R$ 5 bilhões em um único pregão
Os investidores estrangeiros retiraram R$ 4,72 bilhões da B3 na última terça-feira (11), dia em queda o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV) recuou 2,5% e voltou ao menor nível desde janeiro, aos 167 mil pontos. A saída de capital estrangeiro foi a maior desde 22 de abril de 2021, quando os ‘gringos’ […]

Os investidores estrangeiros retiraram R$ 4,72 bilhões da B3 na última terça-feira (11), dia em queda o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV) recuou 2,5% e voltou ao menor nível desde janeiro, aos 167 mil pontos.
A saída de capital estrangeiro foi a maior desde 22 de abril de 2021, quando os ‘gringos’ retiraram R$ 6,6 bilhões do mercado acionário brasileiro.
O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro — também sofre forte pressão vendedora e caiu 3,4% na data, sendo a maior retirada de capital desde meados de 2013. Na semana até ontem (12), o EWZ registrou saída de US$ 329 milhões.
O movimento de saída dos estrangeiros da Bolsa, iniciado desde o início do mês, foi intensificado com a visão mais pessimista do JP Morgan para o mercado local. Em relatório, o banco rebaixou a recomendação de ações brasileiras de overweight (equivalente a compra) para neutra, sinalizando cautela com o Brasil em função do ciclo de queda da Selic, cenário eleitoral e deterioração do crédito.
Pesquisas eleitorais apontando para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também entram na conta.
Para os analistas e gestores ouvidos pelo Money Times, a eleição já está no preço dos ativos brasileiros — mas isso não significa que os investidores estejam antecipando um vencedor. O mercado, na verdade, está precificando a falta de clareza sobre o próximo governo e a sua agenda econômica.
“O gringo está retirando [capital] por conta do risco fiscal, principalmente após o ‘call’ do JP Morgan, o que pode dar sequência a algum outro rebaixamento por outra instituição da mesma reputação que o JPM”, avaliou Beto Saadia, economista-chefe da Nomos.
Também na terça-feira, o investidor institucional registrou entrada de R$ 3,6 bilhões, enquanto o investidor individual aportou R$ 560,5 milhões.
Em agosto, os investidores estrangeiros já retirararam R$ 11,9 bilhões da B3. No ano, o saldo ainda é positivo em R$ 5,4 bilhões, segundo dados da B3.
