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NegóciosMPOL
30/08/2026
4 min

Maior varejista de Santa Catarina começou com um balcão e um funcionário — hoje fatura R$ 18 bilhões

Estado tem 16 empresas entre as 300 maiores varejistas do país e alguns dos crescimentos mais rápidos da lista

Maior varejista de Santa Catarina começou com um balcão e um funcionário — hoje fatura R$ 18 bilhões

Em 26 de junho de 1986, uma sala de 45 metros quadrados na avenida Primeiro de Maio, em Brusque, no Vale do Itajaí, começou a vender tecido. Tinha um balcão e um funcionário.

O dono, Luciano Hang, havia saído de um emprego na indústria têxtil da região para tentar o comércio. O nome do negócio veio da junção do sobrenome dele com o nome sócio da época, Vanderlei de Limas.

Quatro décadas depois, a Havan fechou 2025 com 18,3 bilhões de reais em faturamento, alta de 16% sobre o ano anterior, e 184 lojas em 24 estados.

É a 14ª maior varejista do Brasil e a maior de Santa Catarina, segundoo ranking das 300 maiores empresas do setor levantado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT).

O levantamento mostra um estado que não lidera em número de empresas, mas aparece entre os que crescem mais rápido.

As 16 varejistas com sede em Santa Catarina somaram 59,3 bilhões de reais, ou 4,4% do faturamento das 300 maiores. Entre as dez maiores catarinenses, três avançaram 15% ou mais em 2025. Uma delas, as Lojas Koerich, cresceu 36% — quatro vezes a média das TOP 300, que ficou em 8,6%.

Boa parte desse ritmo vem de comida e de preço baixo.Oito das 16 catarinenses da lista são supermercados, hipermercados ou atacarejos, formato de loja que vende no varejo e no atacado ao mesmo tempo, com produtos empilhados e margem menor.

Quais são as 10 maiores varejistas de Santa Catarina

  1. Havan: 18,3 bilhões de reais
  2. Grupo Pereira (Fort Atacadista): 17,5 bilhões de reais
  3. Koch Hipermercado: 12,9 bilhões de reais
  4. Giassi & Cia: 4,5 bilhões de reais
  5. Angeloni Supermercados:  3,9 bilhões de reais
  6. Clamed Farmácias: 3,6 bilhões de reais
  7.  Passarela Supermercados3 bilhões de reais
  8. Mundial Mix: 3 bilhões de reais
  9. Portobello Shop: 1,5 bilhão de reais
  10. Lojas Koerich: 1,5 bilhão de reais

O IRTT registra o Grupo Pereira com sede em São Paulo. A lista acima considera a origem catarinense do grupo, fundado em Itajaí. Pelo critério do instituto, o Grupo Pereira fica de fora e a décima posição passa a ser da Studio Z, com 1,3 bilhão de reais.

Qual é a história da Havan

A Havan levou nove anos para sair de Santa Catarina. A primeira filial fora do estado abriu em 1995, em Curitiba. Foi também nessa fase que a rede fixou a identidade que virou sua marca de estrada: fachadas com colunas brancas inspiradas na Casa Branca e réplicas da Estátua da Liberdade na entrada.

O formato atual é a megaloja de departamentos, que reúne vestuário, itens de casa, eletrodomésticos e brinquedos no mesmo espaço. É um modelo que quase desapareceu do varejo brasileiro nas décadas de 1990 e 2000, quando Mesbla, Mappin e Arapuã fecharam as portas.

O segmento em que a Havan opera — lojas de departamento, artigos do lar e mercadorias em geral — responde por 7,2% das vendas das 300 maiores varejistas do país. É uma fatia pequena diante do peso do varejo alimentar, e concentrada em poucos nomes.

O crescimento de 16% da rede em 2025 ficou quase no dobro da média das TOP 300.

O crescimento mais rápido do estado

As Lojas Koerich cresceram 36% em 2025 e chegaram a 1,5 bilhão de reais. É o maior avanço percentual entre as dez maiores catarinenses e mais de quatro vezes a média das 300 maiores do país.

O número vem de uma base menor, o que ajuda a explicar a intensidade. Uma rede de 1,5 bilhão de reais precisa somar cerca de 540 milhões de reais em vendas para crescer 36%. 

A Portobello Shop empata com a Koerich em faturamento, 1,5 bilhão de reais, mas com um perfil oposto: opera nos 27 estados, no varejo de revestimentos cerâmicos. Junto com a Havan, é uma das duas únicas do top 10 catarinense com presença nacional.

Um varejo de comida e de vizinhança

O retrato do estado no ranking tem duas características.

A primeira é alimentar. Metade das 16 catarinenses da lista vende comida — supermercados, hipermercados e atacarejos. Giassi, Angeloni, Passarela e Mundial Mix aparecem entre a quarta e a oitava posição estadual, todas na faixa de 3 bilhões a 4,5 bilhões de reais.

A segunda é local. Seis das dez maiores operam apenas dentro de Santa Catarina. A concentração ajuda a explicar o crescimento acima da média em um estado com renda e consumo em alta, e também define o teto: sem sair da divisa, o tamanho da rede fica limitado ao tamanho do mercado catarinense.

Para o consumidor, a diferença aparece na prateleira e no preço. A disputa entre atacarejos e supermercados de bairro empurra as redes a operar com margem menor, o que barateia a cesta, mas cobra escala. Redes que não conseguem acompanhar o volume tendem a sair da lista.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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