Maior varejista do Ceará fatura R$ 16 bilhões e começou numa farmácia de bairro em Fortaleza
São 13 cearenses no ranking das 300 maiores varejistas do país

Em 1981, uma farmácia no bairro Ellery, em Fortaleza, começou a fazer algo que nenhuma concorrente fazia: deixar o cliente pagar a conta de luz no mesmo caixa do remédio.
Quarenta e cinco anos depois, a Pague Menos faturou 16 bilhões de reais e é a maior varejista do Ceará — e a 18ª do Brasil.
O estado é o que mais colocou empresas do Nordeste no ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, do Instituto Retail Think Tank (IRTT), levantamento anual que ordena as maiores redes do país por faturamento.
Tirando a líder, o varejo cearense da lista é feito de redes de porte médio e alcance local. Sete das dez maiores operam exclusivamente dentro do estado, e a maioria fatura entre 600 milhões e 2 bilhões de reais. Oito das 13 atuam em supermercados, hipermercados ou atacarejo.
As 10 maiores varejistas do Ceará
- Pague Menos – 16 bilhões de reais
- Coco Bambu – 2,2 bilhões de reais
- Mercadinhos São Luiz – 1,8 bilhão de reais
- Supermercado Cometa – 1,7 bilhão de reais
- Âncora Distribuidora – 1,3 bilhão de reais
- Centerbox Supermercados – 804 milhões de reais
- Bom Vizinho – 789 milhões de reais
- Hope – 785 milhões de reais
- Zenir Móveis e Eletros – 769 milhões de reais
- Macavi – 620 milhões de reais
A líder: 1.689 lojas em todas as unidades da federação
A Pague Menos faturou 16 bilhões de reais em 2025, alta de 18% — mais que o dobro do crescimento médio das TOP 300.
A rede é uma das 38 companhias brasileiras presentes em todas as 27 unidades da federação, com 1.689 lojas. É também a maior varejista do Nordeste no segmento de drogarias e perfumarias, que responde por 14,9% das vendas das 300 maiores, o segundo maior setor do ranking.
O ritmo do setor farmacêutico é um dos destaques do estudo. As redes de drogarias vêm crescendo acima da média do varejo e ampliando o mix de produtos para além do medicamento, em direção a um posicionamento de saúde e bem-estar.
Qual é a história da Pague Menos
Francisco Deusmar de Queirós trabalhava no mercado financeiro no fim dos anos 1970 quando conheceu, em viagens aos Estados Unidos, o modelo das drugstores americanas — farmácias que vendem de remédio a comida. Em 19 de maio de 1981, abriu a primeira Pague Menos no Ellery, bairro simples de Fortaleza.
Ele nasceu em Amontada, no interior do Ceará, e começou vendendo frutas na rua ainda criança, em 1955. Depois foi balconista na mercearia do pai, entrou na IBM do Brasil em 1966 e migrou para o mercado financeiro. É economista de formação e deu aula na Unifor nos anos 1980.
A aposta inicial foi preço baixo para a baixa renda do Nordeste, combinada a um serviço que ninguém oferecia num balcão de farmácia: o pagamento de contas de luz e água no mesmo caixa do medicamento.
A expansão nacional veio devagar. Só em 2013 a rede se tornou a primeira do varejo farmacêutico a ter loja em todos os estados brasileiros. O IPO, oferta pública inicial de ações, saiu em setembro de 2020, na B3.
