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InvestMercadosACS
05/10/2026
6 min

Maiores altas do Ibovespa: Magazine Luiza, Cosan, Cyrela e B3 sobem mais de 20% com rali eleitoral

Apesar da disparada do Ibovespa, nem todas as ações acompanham o movimento; entenda

Maiores altas do Ibovespa: Magazine Luiza, Cosan, Cyrela e B3 sobem mais de 20% com rali eleitoral

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais acelerou a alta da bolsa brasileira nesta segunda-feira, 5, e levou o Ibovespa aos 200 mil pontos pela primeira vez. Às 10h35, o índice subia 8,39%, aos 208.226 pontos, enquanto algumas das ações mais sensíveis à reprecificação do cenário eleitoral avançavam mais de 20%.

Como a maior alta estava Magazine Luiza (MGLU3), com ganho de 24,18%. A ação da varejista é seguida pela Cosan (CSAN3), que subia 22,82%, Cyrela (CYRE3), com alta de 21,33%, B3 (B3SA3), que avançava 20,79%, e BTG Pactual (BPAC11), com valorização de 19,21%.

O movimento ocorre depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. O resultado surpreendeu o mercado, que esperava uma disputa apertada, mas tinha como cenário mais provável Lula na primeira colocação.

A leitura dos investidores é de que o resultado aumentou a probabilidade de uma vitória de Flávio no segundo turno e, com isso, de uma mudança na percepção sobre a política econômica e fiscal. Antes mesmo da abertura da B3, o EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, chegou a subir 10,29% no pregão overnight.

“Essa alta recente do Ibovespa foi o começo de uma precificação de uma chance maior do Flávio ganhar, mas ainda tem bastante chão para a bolsa subir”, afirma Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office.

O movimento desta segunda-feira também confirma uma tendência que já vinha ganhando força em setembro. OIbovespa subiu mais de 5% no mês, à medida que Flávio ganhou força nas pesquisas, e avançou outros 2,63% na sexta-feira, 2, aos 192.114 pontos, em meio à formação de posições para um desempenho melhor do candidato de oposição no primeiro turno.

Varejo, construtoras e mercado de capitais na liderança

A disparada de Magazine Luiza, Cyrela e B3 está alinhada com os setores que o BTG Pactual (do memso grupo controlador da EXAME) apontou como os que poderiam apresentar desempenho superior caso Flávio fosse eleito.

Em relatório, o banco destacou varejistas, construtoras de médio e alto padrão e empresas do mercado de capitais entre os segmentos que poderiam ter desempenho desproporcionalmente bom em um cenário de vitória do candidato de direita. O banco citou nominalmente Cyrela e B3 entre suas ações preferidas.

Para o varejo, o BTG também destacou empresas como Renner, C&A e Assaí. Segundo o banco, ações mais alavancadas e empresas com maior beta também poderiam se beneficiar da reprecificação do mercado.

A tese do BTG parte da avaliação de que as ações brasileiras ainda negociavam com desconto antes do movimento desta segunda-feira. Segundo o banco, o mercado estava sendo negociado a 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, excluindo Petrobras e Vale, abaixo da média histórica.

Na avaliação do banco, uma eventual vitória de Flávio poderia levar as ações brasileiras de volta rapidamente à média histórica de 11,9 vezes o lucro, o que representaria potencial de alta de 20%. Em um cenário ainda mais favorável, com o múltiplo chegando a 14,5 vezes, um desvio-padrão acima da média, o potencial chegaria a 45%.

A alta da Cosan também se encaixa na lista de empresas que o BTG considera de maior beta e que poderiam apresentar desempenho superior em uma eventual reprecificação. O banco cita nominalmente Cosan entre essas companhias, ao lado de Movida, Vamos, Dexco e Bradesco.

A B3, por sua vez, aparece duas vezes na tese do banco. Entre as empresas do mercado de capitais que poderiam se beneficiar do movimento e na lista de ações preferidas para o cenário de vitória de Flávio. A Cyrela também está entre as preferidas.

O BTG ainda cita a Localiza entre suas ações favoritas. O banco também destaca Motiva, Rede D'Or, Equatorial, Energisa, Auren, Sabesp e Allos, além de Renner, C&A, Assaí, XP e Cyrela. Nas informações disponíveis, porém, não há a cotação da Localiza no momento analisado.

Quais ações caem na contramão da bolsa

Apesar da disparada do Ibovespa, nem todas as ações acompanham o movimento. Dos 76 papéis que compõem o índice, dois estavam em queda às 10h35: Suzano (SUZB3), que recuava 3,36%, e Embraer (EMBJ3), com baixa de 1,51%.

A WEG (WEGE3) também operava praticamente estável, com queda de 0,33%, enquanto Prio (PRIO3) tinha alta de 0,49%.

Nos inéditos 200 mil pontos

OIbovespa chegou aos 200 mil pontos nesta segunda-feira, meses depois de o mercado ter colocado esse patamar no radar pela primeira vez em 2026.

No início do ano, a marca parecia uma questão de tempo. O índice havia acumulado 11 recordes de pontuação antes do fim de fevereiro, impulsionado por um fluxo estrangeiro positivo que superou R$ 26 bilhões em janeiro. Na primeira metade de fevereiro, a bolsa já havia ultrapassado os 190 mil pontos.

O cenário, porém, mudou com a guerra entre Irã e Estados Unidos, que provocou aversão ao risco nos mercados globais e levou o petróleo a passar semanas na casa dos US$ 100. Entre março e junho, o Ibovespa acumulou quedas mensais de 0,70%, 0,08%, 7,22% e 1,01%. Em maio, o índice caiu 7,06% e terminou o mês aos 173.787 pontos.

A recuperação começou em julho, com alta de 3,47%, mas agosto terminou com queda de 0,33%. Foi apenas em setembro, com a mudança na percepção sobre a corrida presidencial, que a bolsa retomou força de forma mais consistente.

Na sexta-feira, antes da votação, o Ibovespa avançou 2,63%, aos 192.114 pontos. Agora, com o resultado do primeiro turno, o índice não apenas retomou o patamar de 200 mil pontos como acelerou para acima dos 208 mil pontos durante a manhã.

O segundo turno, marcado para 25 de outubro, ainda mantém aberta a disputa eleitoral. Para o mercado, porém, o resultado da primeira rodada já alterou de forma relevante a precificação dos ativos brasileiros — especialmente daqueles mais expostos à atividade doméstica, ao crédito, ao consumo e ao mercado de capitais.

AutorClara Assunção
FonteExame
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