Maiores varejistas do Brasil faturam R$ 1,3 trilhão em 2025
As maiores varejistas do país abriram 2.474 lojas e levaram a inteligência artificial para dentro da operação, mostra estudo

As 300 maiores empresas do varejo brasileiro movimentaram R$ 1,3 trilhão em 2025, segundo o Instituto Retail Think Tank (IRTT), que dá continuidade aos estudos iniciados pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).
Entre as 227 empresas com dados comparáveis nos dois últimos anos, as vendas cresceram 8,6%. O Varejo Restrito brasileiro avançou 6,4% no período, segundo o IBGE. Das mesmas 227, 175 aumentaram vendas acima da inflação e 21 tiveram retração.
"As TOP 300 do varejo brasileiro entendem que é necessário realizar investimentos constantes na experiência do cliente e na adoção de tecnologias como a IA Agêntica e o Conversational Commerce", diz Eduardo Terra, cofundador do IRTT. "Ao mesmo tempo, temperam a visão de longo prazo com a tomada de decisões que protegem o caixa em um momento desafiador."
Entre as dez maiores aparecem Carrefour, Assaí, RD Saúde, Magazine Luiza, Grupo Boticário, Grupo Mateus, Casas Bahia, Natura&Co, Supermercados BH e Grupo Pão de Açúcar. Juntas, elas respondem por 36,4% das vendas do grupo.
A concentração continua caindo
O varejo brasileiro segue como um dos mercados menos concentrados do mundo, e a fatia dos líderes voltou a encolher. Em 2020, as cinco maiores detinham 27,2% das vendas das 300 maiores, e as dez maiores, 40,4%. Em 2025, os índices caíram para 25,6% e 36,4%.
O movimento indica crescimento mais acelerado das empresas em posições intermediárias do ranking.
A regionalidade também permanece. Apenas 38 redes estão presentes nos 27 estados, e 77 atuam em mais da metade do território nacional. Para a maioria das empresas de presença nacional, o caminho é a franquia: mais da metade das 50 varejistas com maior presença nacional usa o modelo. Entre as 300 maiores, 47 redes operam com franquias.
"Após 12 anos de acompanhamento das grandes empresas, algumas características estruturais do varejo brasileiro continuam se manifestando, principalmente o baixo grau de concentração no varejo e a atuação regional da maioria das empresas", diz Alberto Serrentino, cofundador do IRTT.
O clube do bilhão ganhou oito empresas
O número de companhias com receita acima de R$ 1 bilhão chegou a 206 em 2025, ante 198 no ano anterior. Em 2020, eram 138. As bilionárias somam R$ 1,26 trilhão, o equivalente a 94,7% do total das 300 maiores. Outras 28 superam os R$ 10 bilhões, contra cinco em 2015.
Supermercados lideram a lista de bilionárias, com 106 representantes, seguidos por Moda, Calçados e Artigos Esportivos (22) e Drogarias e Perfumarias (19).
Faturar acima de R$ 1 bilhão não depende de uma grande rede física. Quatro empresas do grupo são 100% digitais e outras 16 operam com menos de dez lojas.
A saúde financeira das gigantes
Pelo segundo ano, o levantamento traz indicadores de balanço. Entre as 59 empresas que informaram margem Ebitda em 2025, o Madero lidera, com 28,3%, ante 27,7% em 2024.
Na margem líquida, a Vivara aparece em primeiro, com 19,8%. Hope, Track & Field e Drogaria Araújo também superaram 15%.
A desalavancagem seguiu em curso. Entre as companhias que divulgaram o indicador, cinco têm alavancagem negativa — Lojas Renner, C&A, Cobasi, Petz e Leveros — e 25 devem menos de duas vezes seu Ebitda anual.
Físico x online
As lojas físicas continuam em expansão. As 300 maiores somam 82.775 pontos de venda, com 2.474 aberturas em 2025, e empregam 1,7 milhão de pessoas.
Cinco redes abriram mais de cem lojas no ano:
- RD Saúde (330)
- AM PM (181)
- BR Mania (167)
- Grupo Boticário (113)
- Chiquinho Sorvetes (112)
No comércio eletrônico, o Magazine Luiza segue na dianteira, com R$ 27,2 bilhões em vendas próprias, à frente de Amazon (R$ 20 bilhões estimados) e Grupo Carrefour (R$ 15,7 bilhões). Ao todo, 14 empresas venderam mais de R$ 1 bilhão em operações online próprias.
Do total, 226 das 300 maiores têm e-commerce em operação. Drogarias e Perfumarias e Óticas e Joias têm 100% de penetração digital. Supermercados ficam na ponta oposta, com 60,5%.
Quando o recorte é marketplace, o domínio é do Mercado Livre, com GMV digital estimado em R$ 185 bilhões. Na sequência aparecem Shopee (R$ 70 bilhões), Magalu (R$ 44,3 bilhões), Amazon (R$ 40 bilhões) e Casas Bahia (R$ 18,7 bilhões). O Carrefour é o sexto, com R$ 16,7 bilhões.
Quem domina as vendas
Supermercados e hipermercados respondem por 53,2% das vendas das 300 maiores, e drogarias e perfumarias, por 14,9%. Juntos, os dois setores concentram 68,1% do total.
O maior crescimento setorial em 2025 veio do Foodservice, com 16,7%, seguido por Óticas, Joias e Acessórios (13,6%) e Drogarias e Perfumarias (13,0%). Na outra ponta, Lojas de Departamento e Artigos do Lar cresceram 2,0%.
