Mais carros, menos km: como a Dasa cortou 15% os deslocamentos mesmo com expansão da frota
Uso de dados de aplicativos de navegação permitiu agrupar atendimentos e reduzir rotas repetidas, ajudando na descarbonização da empresa de medicina diagnóstica

Seja um exame de sangue, uma vacina ou um tratamento, cada vez mais os procedimentos médicos acontecem na sala de casa e não mais no laboratório.
É esse modelo de atendimento domiciliar que levou a Dasa, empresa de medicina diagnóstica, a repensar como seus carros circulam pelas cidades brasileiras.
No novo relatório de sustentabilidade divulgado, um dado chama atenção: mesmo tendo ampliado em 20% a frota e a equipe dedicadas ao serviço em 2025, a Dasa reduziu em 15% a quilometragem total percorrida nos atendimentos.
Segundo a companhia, o ganho veio do redesenho das rotas. A equipe passou a usar dados de aplicativos de navegação para agrupar atendimentos próximos em um mesmo trajeto, reduzindo a frequência de deslocamentos repetidos a uma mesma região.
"Essa reestruturação da malha logística permite, por exemplo, agrupar coletas de diferentes negócios da Dasa em uma mesma rota", explica Rachel Sarti, diretora de RH da Dasa, à EXAME.
A companhia já usa IA em outras frentes: mais de 30 modelos aplicados a diagnósticos e processos internos, mas, na logística, o time "segue avaliando novas tecnologias" que possam ir além da otimização atual.
Menos quilômetros rodados significam menor consumo de combustível e emissões, sem abrir mão do serviço.
Para Roberto Cury, vice-presidente de Atendimento e Experiência do Cliente da Dasa, o modelo vai além da logística: "o domiciliar hoje não é apenas uma alternativa. Ele reorganiza a forma como o cuidado acontece e como o paciente se relaciona com a saúde", destaca.
A mesma ideia de roteirização usada no domiciliar já era aplicada à rede de coleta de exames da companhia, em uma operação de escala bem maior, com mais de 700 rotas ativas e cerca de 80 mil quilômetros percorridos por dia em todas as regiões.
O verdadeiro gargalo das emissões
Apesar do resultado, a frota não é o principal gargalo da Dasa em termos de impacto ambiental. O inventário de gases de efeito estufa da empresa mostra que a maior fatia das emissões está no Escopo 3, que reúne as emissões indiretas de toda a cadeia de valor.
Ali, os dois pontos de maior peso são o deslocamento dos próprios colaboradores entre casa e trabalho e os resíduos gerados nas operações .
Já no Escopo 1 (emissões diretas), o principal componente não é a frota, e sim as emissões fugitivas ligadas aos sistemas de refrigeração e climatização das unidades e laboratórios.
A frota de atendimento domiciliar, embora tenha sido o alvo da otimização de rotas, representa uma fatia menor do inventário total da companhia.
Uma estratégia climática ainda em construção
Atualmente, a Dasa não tem uma meta formal de redução de emissões. Segundo Sarti, isso deve mudar em 2026, quando a empresa pretende concluir um estudo de riscos e oportunidades climáticas e avançar na adoção de normas internacionais de divulgação, um passo que também é reconhecido como fundamental para estabelecer metas.
A agenda está amarrada à governança: a Dasa tem uma Vice-Presidência de Gente, Gestão e ESG reportando diretamente ao CEO, e os riscos climáticos são acompanhados pelo Conselho de Administração.
Em 2025, a companhia concluiu a revisão de sua matriz de materialidade, que vai orientar a agenda ESG entre 2027 e 2030, mantendo compromissos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: saúde e bem-estar, redução das desigualdades, consumo e produção responsáveis, e ação contra a mudança climática.
