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Sacre Investimentos
ESGESGACS
28/08/2026
3 min

Mais carros, menos km: como a Dasa cortou 15% os deslocamentos mesmo com expansão da frota

Uso de dados de aplicativos de navegação permitiu agrupar atendimentos e reduzir rotas repetidas, ajudando na descarbonização da empresa de medicina diagnóstica

Mais carros, menos km: como a Dasa cortou 15% os deslocamentos mesmo com expansão da frota

Seja um exame de sangue, uma vacina ou um tratamento, cada vez mais os procedimentos médicos acontecem na sala de casa e não mais no laboratório.

É esse modelo de atendimento domiciliar que levou a Dasa, empresa de medicina diagnóstica, a repensar como seus carros circulam pelas cidades brasileiras.

No novo relatório de sustentabilidade divulgado, um dado chama atenção: mesmo tendo ampliado em 20% a frota e a equipe dedicadas ao serviço em 2025, a Dasa reduziu em 15% a quilometragem total percorrida nos atendimentos.

Segundo a companhia, o ganho veio do redesenho das rotas. A equipe passou a usar dados de aplicativos de navegação para agrupar atendimentos próximos em um mesmo trajeto, reduzindo a frequência de deslocamentos repetidos a uma mesma região.

"Essa reestruturação da malha logística permite, por exemplo, agrupar coletas de diferentes negócios da Dasa em uma mesma rota", explica Rachel Sarti, diretora de RH da Dasa, à EXAME.

A companhia já usa IA em outras frentes: mais de 30 modelos aplicados a diagnósticos e processos internos, mas, na logística, o time "segue avaliando novas tecnologias" que possam ir além da otimização atual.

Menos quilômetros rodados significam menor consumo de combustível e emissões, sem abrir mão do serviço.

Para Roberto Cury, vice-presidente de Atendimento e Experiência do Cliente da Dasa, o modelo vai além da logística: "o domiciliar hoje não é apenas uma alternativa. Ele reorganiza a forma como o cuidado acontece e como o paciente se relaciona com a saúde", destaca.

A mesma ideia de roteirização usada no domiciliar já era aplicada à rede de coleta de exames da companhia, em uma operação de escala bem maior, com mais de 700 rotas ativas e cerca de 80 mil quilômetros percorridos por dia em todas as regiões.

O verdadeiro gargalo das emissões

Apesar do resultado, a frota não é o principal gargalo da Dasa em termos de impacto ambiental. O inventário de gases de efeito estufa da empresa mostra que a maior fatia das emissões está no Escopo 3, que reúne as emissões indiretas de toda a cadeia de valor.

Ali, os dois pontos de maior peso são o deslocamento dos próprios colaboradores entre casa e trabalho e os resíduos gerados nas operações .

Já no Escopo 1 (emissões diretas), o principal componente não é a frota, e sim as emissões fugitivas ligadas aos sistemas de refrigeração e climatização das unidades e laboratórios.

A frota de atendimento domiciliar, embora tenha sido o alvo da otimização de rotas, representa uma fatia menor do inventário total da companhia.

Uma estratégia climática ainda em construção

Atualmente, a Dasa não tem uma meta formal de redução de emissões. Segundo Sarti, isso deve mudar em 2026, quando a empresa pretende concluir um estudo de riscos e oportunidades climáticas e avançar na adoção de normas internacionais de divulgação, um passo que também é reconhecido como fundamental para estabelecer metas. 

A agenda está amarrada à governança: a Dasa tem uma Vice-Presidência de Gente, Gestão e ESG reportando diretamente ao CEO, e os riscos climáticos são acompanhados pelo Conselho de Administração.

Em 2025, a companhia concluiu a revisão de sua matriz de materialidade, que vai orientar a agenda ESG entre 2027 e 2030, mantendo compromissos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: saúde e bem-estar, redução das desigualdades, consumo e produção responsáveis, e ação contra a mudança climática. 

AutorSofia Schuck
FonteExame
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