Mais de 175 mil pessoas deixam suas casas após incêndios históricos na Espanha e França

Os incêndios florestais que atingem a Espanha e a França provocaram uma das maiores operações de evacuação da Europa nos últimos anos. Mais de 175 mil pessoas tiveram de deixar suas casas diante do avanço das chamas, que já devastaram quase 50 mil hectares de vegetação e atingem áreas próximas a Madri, na Espanha, e à região vinícola de Bordeaux, na França.
Na Espanha, dois grandes focos de incêndio se uniram na sexta-feira (24), formando um incêndio de grandes proporções entre a Comunidade de Madri e a província de Ávila. Segundo as autoridades, cerca de 25 mil hectares já foram destruídos e aproximadamente 35 mil moradores precisaram ser evacuados. O governo regional classificou o episódio como o pior incêndio da história da região.
"Nunca vivi nada parecido", afirmou à agência AFP o aposentado Ecologio Cabrera, de 86 anos, retirado de sua casa em Aldea del Fresno, a cerca de 50 quilômetros da capital espanhola.
Em visita a uma das áreas afetadas, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que a prioridade é "preservar vidas". Segundo ele, apesar da queda nas temperaturas, o comportamento dos ventos ainda mantém a situação sob risco.
Até o momento, não há registro de mortes na Espanha. Mais de 2 mil pessoas estão sendo atendidas em 14 centros de emergência montados pelo governo regional.
Bordeaux sob ameaça
Na França, a situação também é considerada sem precedentes. Desde quarta-feira, mais de 141 mil pessoas foram retiradas de áreas ameaçadas pelo fogo na região de Bordeaux, uma das mais importantes produtoras de vinho do mundo.
O presidente Emmanuel Macron determinou o envio das Forças Armadas para reforçar o combate às chamas, enquanto escolas e ginásios foram transformados em abrigos temporários para moradores e turistas.
"Não sei quanto tempo isso vai durar. Não sei em que estado está minha casa", disse à AFP Maria Lalanne, de 90 anos, evacuada durante a madrugada sem conseguir levar sequer seus óculos e aparelho auditivo.
Dois bombeiros morreram na terça-feira durante o combate às chamas nas proximidades do aeroporto de Bordeaux. Outros 40 profissionais ficaram feridos na operação, segundo as autoridades francesas.
Os incêndios já destruíram mais de 22 mil hectares — área equivalente ao dobro do território de Paris — além de cerca de 100 edifícios.
Diante da gravidade da situação, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou o envio de mil militares para apoiar as equipes de emergência, além da distribuição de 1,5 milhão de máscaras para proteger a população da fumaça. O governo também mobilizou uma aeronave militar A400M adaptada para lançar até 20 toneladas de retardante de incêndio sobre as áreas afetadas.
Ondas de calor agravam cenário
Tanto a França quanto a Espanha solicitaram apoio da União Europeia para conter os incêndios.
Especialistas apontam que a combinação entre seca prolongada e sucessivas ondas de calor, que atingem grande parte da Europa desde junho, aumentou significativamente a inflamabilidade das florestas e da vegetação, favorecendo a rápida propagação das chamas.
As autoridades seguem monitorando a evolução dos incêndios e alertam que a mudança na direção dos ventos poderá dificultar o trabalho das equipes de combate nos próximos dias.
