Mais juros por mais tempo: Goldman eleva projeção da Selic e vê BC mais cauteloso

O Goldman Sachs revisou sua trajetória para a taxa Selic e passou a ver o Banco Central brasileiro mais cauteloso no processo de flexibilização monetária.
Após a divulgação da ata do Copom da reunião de 17 de junho, o banco elevou sua estimativa para a Selic terminal ao fim de 2026 de 13,25% para 14,00%. A revisão vem na esteira da interpretação de que o BC deve interromper temporariamente o ciclo de cortes.
Na avaliação do Goldman, o documento indica que o Comitê de Política Monetária (Copom) está disposto a conviver com uma inflação acima da meta no horizonte relevante da política monetária, privilegiando uma trajetória de juros mais gradual, com “cortes intercalados e pausas”. Esse desenho, segundo o BC, ajudaria a suavizar oscilações na atividade econômica e a garantir a convergência da inflação apenas em 2028.
O banco também destaca uma mudança de sinal importante na comunicação do Copom: a percepção de que o balanço de riscos para a inflação passou a ser assimétrico para cima, ou seja, com maior probabilidade de pressões inflacionárias do que de alívio.
Outro ponto relevante é a leitura de que uma política monetária mais agressiva, capaz de trazer a inflação mais rapidamente para a meta, poderia gerar volatilidade excessiva em preços de ativos e na atividade econômica. Nesse equilíbrio, o Copom estaria mais inclinado a evitar choques mais fortes sobre o crescimento.
Com isso, o Goldman passou a não esperar mais cortes na reunião de agosto e projeta que a retomada do ciclo de flexibilização só ocorra a partir do quarto trimestre de 2026.
A revisão reforça a leitura de um Banco Central mais tolerante com uma desinflação lenta, em troca de maior estabilidade da atividade econômica no curto prazo e juros mais altos por mais tempo.
