Mais receita por metro quadrado: o plano do Grupo Burguês para faturar R$ 390 milhões

Com foco no delivery e variedade de marcas para garantir o alcance de um público maior, o Grupo Burguês vende mais de 350 mil hambúrgueres por mês – e a expectativa é crescer. A empresa, que soma 227 unidades em operação, espera chegar a 252 até o final de 2026.
O portfólio do grupo inclui O Burguês, Ex-Touro, Seu Vidal, B de Burger, além de O Fornês e House Forneria (de pizzas) e Crepelocks. A expansão volta ao centro da estratégia em 2026 após um ciclo de reorganização interna e ajuste na base de franqueados.
O movimento mira o crescimento com maior controle na seleção de pontos, uso de dados de geolocalização e o avanço do modelo de “operação casada”, que integra múltiplas marcas em uma mesma dark kitchen para ampliar a receita por metro quadrado. O Grupo faturou R$ 340 milhões em 2025 e, com a expansão, mira os R$ 390 milhões para este ano.
Mais marcas em um mesmo espaço
O Grupo Burguês estrutura sua expansão a partir de um modelo que combina franquias e dark kitchens — cozinhas compactas voltadas exclusivamente ao delivery. A estratégia permite até cinco marcas funcionando no mesmo endereço.
Na prática, uma única estrutura pode operar O Burguês, Ex-Touro, Seu Vidal, B de Burger e outras marcas do portfólio, usando a mesma equipe, cozinha e logística. O investimento inicial médio gira em torno de R$ 300 mil reais.
“O franqueado pode usar a mesma chapa e a mesma estrutura. É um único cadastro, um único CNPJ nas plataformas de delivery, mas com todas as marcas expostas para venda ao mesmo tempo”, diz Pedro Marçal, diretor de expansão do Grupo Burguês.
As marcas cobrem diferentes perfis de consumo, o que contribui para o maior faturamento dos franqueados. O Burguês tem posicionamento mais popular e escala via delivery. O Ex-Touro atua no segmento premium, com foco em produtos diferenciados e apresentação. Já o B de Burger ocupa o espaço “premium casual”, equilibrando marca e experiência, enquanto o Seu Vidal mira o público jovem e digital.
B de Burger e Crepelocks são as marcas mais recentes do Grupo – e seguem a lógica de ampliação de atuação em uma mesma cozinha. No caso da B de Burger, o movimento partiu da avaliação de que o produto já tinha validação, mas precisava de maior capilaridade nacional dentro da estrutura do holding.
“O B de Burger tinha implantação em alguns shoppings antes de fazer parte do nosso grupo. Vimos uma oportunidade perfeita para escalar a marca no delivery”, afirma o diretor de expansão. Já a Crepelocks entra com uma proposta semelhante, ampliando o alcance para além dos centros comerciais e passando a operar fortemente no ambiente digital, podendo ser integrada às operações de pizzaria do grupo.
Estratégia geográfica e ativação de marca
O ano de 2025 foi marcado por um crescimento controlado. “A rede parou para organizar a parte administrativa, ajustar a estrutura, atualizar plataformas, tecnologia e sistemas”, explica Marçal.
Agora, o foco volta para a escala da empresa. O crescimento, porém, não é guiado apenas por abertura de unidades, mas por uma seleção mais criteriosa de franqueados, com prioridade para operadores que já estão dentro da rede e conhecem o modelo de negócio.
O avanço geográfico ocorre primeiro em regiões com maior densidade de consumo, com foco recente no Sul e Sudeste, além de uma expansão consistente no Nordeste.
No Sudeste, o avanço busca ir além de Rio de Janeiro e São Paulo, estados onde as marcas já são consolidadas. “Estamos com negociações avançadas para ampliar nossa capilaridade em Minas Gerais e no Espírito Santo. Embora já tenhamos presença em Belo Horizonte, nossos estudos de geolocalização revelam um vasto potencial de escala em praças como Uberlândia”, afirma Marçal.
O Grupo Burguês também aposta em datas comerciais e momentos de alta atenção do consumidor como parte da estratégia de marca e aquisição. Campanhas como o Dia do Hambúrguer e ações ligadas a grandes eventos são tratadas como janelas para ampliar visibilidade, estimular a experimentação e reforçar a presença nos aplicativos de entrega.
“Para o Dia do Hambúrguer, por exemplo, desenhamos uma estratégia em duas frentes”, diz o diretor. “De um lado, surpreendemos nossos clientes mais fiéis enviando um produto surpresa para valorizar a recorrência. Do outro, vamos para a rua. Queremos popularizar a marca e dar acesso ao produto.”
Dos bastidores do delivery ao modelo de holding
A trajetória do Grupo Burguês começou em 2017, antecipando o movimento que viria a consolidar as dark kitchens no Brasil. O negócio nasceu como uma operação pequena, focada exclusivamente no delivery, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A proposta inicial era simples, mas estratégica: desenhar uma dinâmica operacional pensada 100% para as plataformas digitais, sem os custos e a estrutura de um salão físico.
O modelo validou sua tese rapidamente. Em menos de um ano, a marca expandiu para novas unidades na mesma região. O modelo de franquia chegou em 2019, favorecendo o crescimento fora do Rio de Janeiro.
À medida que a operação crescia e a demanda por entregas aumentava, os fundadores perceberam uma oportunidade de eficiência: a mesma estrutura logística e de cozinha poderia absorver outras verticais gastronômicas.
O que começou com uma hamburgueria individual evoluiu para uma holding de food service. Ao longo dos anos, o grupo incorporou marcas como Ex-Touro e Seu Vidal, além de criar braços de pizza e crepes.
