Malwee entra no mercado de uniformes: ‘Nova linha nasceu de um pedido para a Copa do Mundo’, diz CEO

O Grupo Malwee decidiu entrar em um segmento que movimenta R$ 7,8 bilhões por ano no Brasil, equivalente a aproximadamente 180 milhões de peças, segundo dados do IEMI. Conhecida pelas marcas de moda voltadas ao consumidor final, a companhia acaba de lançar a Malwee Pro, nova unidade de negócios focada em uniformes corporativos, roupas escolares e vestuário promocional para empresas.
A aposta marca a entrada do grupo no mercado B2B e faz parte de uma estratégia para diversificar receitas, reduzir a sazonalidade típica do varejo de moda e aumentar a ocupação da capacidade industrial da empresa.
"Nossa ideia é aproveitar a estrutura fabril e equalizar um pouco a sazonalidade das coleções para atender demandas que independem dos ciclos da moda. É uma nova linha de receita para complementar nossas coleções", afirma Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee, em entrevista à EXAME.
Segundo a executiva, a expectativa é que a nova vertical represente cerca de 10% da produção total da companhia nos próximos cinco anos.
Hoje, o Grupo Malwee produz entre 35 milhões e 40 milhões de peças por ano, com uma estrutura industrial construída ao longo de 58 anos.
A estratégia da Malwee não é disputar todos os nichos do mercado, mas concentrar esforços justamente na especialidade da empresa: malhas e moletons.
"Somos especialistas em camisetas e moletons masculinos, femininos e infantis. Temos capacidade industrial para grandes volumes, qualidade reconhecida e alto nível de customização. Com essas fortalezas, acreditamos que existe um bom espaço para conquistar", diz Rizzo.
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Copa do Mundo inspirou o negócio
Curiosamente, a ideia da Malwee Pro surgiu a partir de um projeto pontual.
Uma oportunidade relacionada à Copa do Mundo exigiu produção em grande escala e entrega em prazo reduzido, afirma a CEO. O sucesso da operação mostrou que a empresa poderia transformar essa capacidade em uma nova frente permanente de negócios.
"O desenvolvimento exigiu um investimento muito baixo. A iniciativa nasceu a partir de um piloto bastante consistente que mostrou nossa capacidade de responder rapidamente a grandes demandas", afirma.
Por aproveitar toda a estrutura já existente do grupo, a nova operação começou com uma equipe enxuta: apenas dois executivos dedicados exclusivamente à gestão do projeto.
Na prática, porém, toda a cadeia produtiva da companhia participa da operação.
ESG como diferencial
Se rapidez e escala são os principais argumentos comerciais, o Grupo Malwee trouxe o tema sustentabilidade para ser um diferencial competitivo em um mercado tradicionalmente focado apenas em preço e durabilidade.
A empresa afirma que toda a linha seguirá os mesmos padrões socioambientais já adotados pelo grupo, incluindo matérias-primas de menor impacto ambiental, uso de energia elétrica 100% renovável e processos industriais que reduzem consumo de água e energia.
Além disso, clientes poderão incorporar tecnologias já utilizadas pela companhia, como tecidos com proteção UV, controle de odor, propriedades antivirais e até a tecnologia Ar.voree, desenvolvida para capturar CO₂ durante o uso da peça e eliminá-lo nas lavagens.
"Hoje as empresas precisam auditar toda a cadeia de fornecedores. A Malwee Pro entrega conformidade ESG pronta e comprovada, além da tecnologia de conforto que já caracteriza nossos produtos", afirma Rizzo.
Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee: "Nossa ideia é aproveitar a estrutura fabril e equalizar um pouco a sazonalidade das coleções para atender demandas que independem dos ciclos da moda" (Leandro Fonseca /Exame)
Contratos recorrentes e grandes empresas
O foco inicial da operação está em grandes empresas dos setores de serviços, indústria, logística e varejo.
O modelo comercial será híbrido, permitindo contratos recorrentes para fornecimento contínuo de uniformes, mas também projetos pontuais para campanhas promocionais, eventos e ações especiais.
O valor das peças dependerá do volume e do nível de customização. Segundo a empresa, uma camiseta pode variar entre R$ 30 e R$ 99, dependendo dos acabamentos, tecnologias e personalizações.
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A empresa familiar de alimentos que virou uma indústria gigante de moda e têxtil
A história empreendedora da família Weege começou bem antes da moda. Em 1906, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, o negócio da família era um açougue e uma queijaria. Décadas depois, em 1968, Wolfgang Weege e seu filho Wandér Weege fundariam a indústria têxtil que se tornaria o atual Grupo Malwee, hoje uma estrutura integrada que vai da malharia à costura e distribui suas peças em 25 mil lojas multimarcas e cerca de 200 lojas próprias e franquias.
Com mais de 3,6 mil funcionários e faturamento estimado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, segundo dados compilados pela plataforma Klooks a partir de balanços públicos, o grupo vive um novo ciclo de gestão.
Em 2023, Guilherme Weege, que pertence a terceira geração, deixou a presidência executiva e assumiu o conselho, indicando Gabriela Rizzo, primeira mulher e também a primeira executiva de fora da família a liderar a companhia.
À frente do negócio, Rizzo conduz um dos movimentos mais sensíveis do mundo corporativo: profissionalizar a gestão sem romper com a cultura construída ao longo de décadas, ao mesmo tempo em que posiciona sustentabilidade, inovação industrial e proximidade com o consumidor como pilares estratégicos da próxima fase da companhia.
“O Grupo Malwee sempre foi reconhecido como indústria. Agora estamos trazendo cada vez mais a informação do mercado para dentro da companhia, fortalecendo marca, produto e conexão com o cliente, literalmente mostrando o nosso diferencial do fio ao consumidor”, diz.
Entre algums desafios para a empresa neste ano está o tarifaço do Donald Trump de 25% sobre alguns produtos, inclusive vestuários. Perguntada, a empresa não quis comentar.
Veja a entrevista completa da Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee, direto da sede da companhia em Jaraguá do Sul (SC):
