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20/09/2026
5 min

Manda Brasa: de festa para amigos a festival com 1,5 tonelada de churrasco em antiga fábrica gaúcha

Em sua terceira edição, evento criado pelo grupo dono de marcas como 20BARRA9 e 1835 Carne e Brasa ganhou escala e reuniu 1.700 pessoas

Manda Brasa: de festa para amigos a festival com 1,5 tonelada de churrasco em antiga fábrica gaúcha

O que começou como uma comemoração entre amigos ganhou escala e virou um negócio de experiência. No sábado, 19 de setembro, o Festival Manda Brasa reuniu 1.700 pessoas durante 12 horas na antiga indústria da Guahyba, nova área do Instituto Caldeira, em Porto Alegre. A programação combinou churrasco, bebidas, música e arte em uma área de mais de 5 mil metros quadrados.

A terceira edição do evento marcou também os 11 anos do 20BARRA9, restaurante que deu origem ao Grupo Manda Brasa e hoje divide o portfólio com marcas como 1835 e De Rua.

“Nossos amigos cresceram e aí a festa virou um festival, mas o espírito de entregar uma experiência incrível permanece.”

A frase é de Márcio Callage, sócio do Grupo Manda Brasa. A ambição, segundo ele, é fazer com que o público enxergue o evento menos como uma festa tradicional e mais como uma experiência completa. Para isso, o grupo se associou à Opinião Produtora, responsável pela produção do evento, e ao Instituto Caldeira, que abriga o espaço.

O resultado foi uma operação que envolveu cerca de 300 pessoas trabalhando diretamente no festival. O open churras ficou a cargo do 20BARRA9, enquanto a programação musical teve shows de Renato Borghetti e Armandinho, além de DJs.

O que foi consumido em 12 horas

A escala aparece nos números. Ao longo do sábado, foram assadas 1,5 tonelada de carne e preparados 250 quilos de carreteiro. O cardápio também teve 1.500 empanadas e 2.700 burgers.

No bar, foram consumidas 12 mil long necks de cerveja e mais de 5 mil litros de bebidas entre cervejas, drinks, vinhos e opções não alcoólicas.

A estrutura foi pensada para sustentar o formato open durante toda a programação, das 12 horas à meia-noite.

O público também cresceu em relação à expectativa divulgada antes do festival. A organização esperava receber até 2 mil pessoas e terminou a edição com 1.700 participantes.

Para Callage, a experiência passa justamente pela combinação desses elementos — e não apenas pelo churrasco.

“A gente gosta de expressar uma identidade. A história do churrasco, da gastronomia, é o que a gente gosta de comer; a música é a que a gente ouve. Essa experiência tem uma identidade.”

Márcio Callage e Rodrigo Rech: Márcio Callage, sócio, e Rodrigo Rech, diretor de relacionamento do Grupo Manda Brasa: expansão para além de Porto Alegre está nos planos da empresa (Leandro Fonseca/Exame)

Por que levar o churrasco para uma antiga fábrica

O endereço escolhido também faz parte da narrativa. A Guahyba é uma antiga área industrial no 4º Distrito de Porto Alegre que passou a integrar a expansão do Instituto Caldeira, polo de inovação e criatividade instalado em uma região marcada pelo passado industrial da cidade.

O ambiente combina estruturas industriais preservadas com intervenções contemporâneas. Para o Manda Brasa, o espaço ajudou a construir uma interpretação diferente da cultura gaúcha no festival.

A proposta foi conectar elementos tradicionais — como carne, fogo e música regional — com arquitetura, arte contemporânea e novos formatos de consumo.

A programação teve ainda uma exposição do artista indígena Guarani Xadalu, cuja obra dialoga com a presença ancestral do fogo e com a cultura dos povos originários.

A escolha não foi casual. O festival ocorreu na véspera do Dia do Gaúcho, em 20 de setembro, data que serviu como ponto de partida para a primeira edição da festa.

“É um outro jeito de promover o Estado, de trazer uma arquitetura bruta, uma decoração bacana e um olhar para o Rio Grande do Sul mais contemporâneo.”

Churrasco e público: 1.700 pessoas participaram da terceira edição do Festival Manda Brasa, que teve 12 horas de programação, open churras e open bar em Porto Alegre (Leandro Fonseca/Exame)

Qual é o próximo passo do Grupo Manda Brasa

O festival também funciona como vitrine para um grupo que pretende continuar crescendo fora de Porto Alegre.

O próximo movimento já tem endereço: o Parque do Caracol, em Canela. O Grupo Manda Brasa prepara uma operação na região, aproveitando um dos principais destinos turísticos da Serra Gaúcha.

Callage diz que o objetivo é transportar para o novo endereço parte da identidade construída em Porto Alegre, mas sem simplesmente replicar os restaurantes existentes.

“É um lugar icônico. Talvez um dos lugares mais bonitos do Brasil. A gente quer trazer um pouco da nossa essência misturado com o que o Estado tem de melhor.”

O grupo também olha para São Paulo, mas colocou esse projeto para depois. A expectativa inicial era avançar ainda em 2026, mas os planos agora apontam para 2027.

A cautela está relacionada à escolha do endereço. Segundo Callage, a expansão só faz sentido se o ponto permitir reproduzir a experiência que o grupo considera central para suas marcas.

“A busca do ponto tem que ser perfeita. A gente acredita muito no que faz, mas acredita muito no que faz bem feito.”

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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