Mansão dos bilionários reúne avós, filhos e netos sob o mesmo teto, diz estudo
Family compounds unem casas independentes, lazer e planejamento sucessório; São Paulo desponta como um dos mercados onde o conceito ganha força

Durante décadas, a casa de campo da família rica era sinônimo de uma grande propriedade com uma única residência principal. Agora, um novo modelo começa a ganhar espaço entre famílias de alto patrimônio: os family compounds, complexos privados que reúnem diferentes casas ou unidades independentes para pais, filhos e netos, combinando convivência e autonomia.
O conceito representa uma mudança na lógica da moradia multigeracional. No passado, diferentes gerações compartilhavam o mesmo imóvel principalmente por necessidade. Hoje, famílias ricas buscam criar espaços que permitam proximidade sem abrir mão da privacidade individual.
O movimento aparece em diferentes mercados globais e também começa a ganhar força no Brasil, especialmente em São Paulo. Segundo levantamento da Sotheby’s International Realty, esses complexos familiares já são uma tendência entre compradores de altíssimo patrimônio, que enxergam essas propriedades não apenas como imóveis, mas como ferramentas de planejamento sucessório e preservação de legado.
De casa de campo a patrimônio familiar
Os family compounds funcionam quase como pequenas comunidades privadas. Em vez de uma única residência, o projeto pode reunir uma casa principal, construções independentes para familiares, áreas de lazer compartilhadas e espaços pensados para diferentes gerações.
A lógica é equilibrar dois desejos aparentemente opostos: manter a família próxima e, ao mesmo tempo, garantir autonomia.
Entre os compradores, o imóvel passa a ser tratado quase como uma empresa familiar. Segundo o levantamento, algumas famílias estabelecem reuniões periódicas ou estruturas de governança para discutir manutenção, custos e objetivos de longo prazo da propriedade.
O interesse também está ligado ao planejamento patrimonial. Para famílias de grande patrimônio, adquirir um complexo desse tipo pode ser uma forma de transferir riqueza ainda em vida, criando um espaço físico associado à história e às tradições familiares.
São Paulo entra na rota dos complexos familiares
No Brasil, especialmente em São Paulo, o conceito começa a ganhar espaço entre famílias de alta renda que buscam propriedades capazes de combinar natureza, segurança e infraestrutura.
Esses empreendimentos costumam estar localizados em áreas rurais ou condomínios de campo a cerca de duas horas das grandes cidades, mantendo acesso a serviços considerados essenciais, como hospitais de referência e escolas internacionais.
A proposta é criar uma espécie de refúgio privado com estrutura próxima à de resorts internacionais: grandes áreas verdes, segurança reforçada, espaços de lazer e autonomia para diferentes membros da família.
Diferentemente de antigas casas de veraneio, esses projetos são pensados para uso recorrente e para atravessar gerações.
O mercado global dos 'complexos de família'
A tendência já aparece com números em outros mercados. Nos Estados Unidos, cerca de 17% dos compradores de imóveis em 2024 adquiriram uma residência com intenção de abrigar várias gerações.
A Geração X lidera esse movimento, representando 21% dos compradores de casas multigeracionais, contra 12% em 2014. Entre os Millennials, a participação avançou de 6% para 19% no mesmo segmento.
Entre as principais razões apontadas pelos compradores estão cuidar de pais idosos ou passar mais tempo com eles, o retorno de filhos adultos para casa e a redução de custos ao compartilhar uma estrutura familiar.
Nos Estados Unidos, exemplos desse mercado incluem propriedades em regiões como Maine, Hamptons e Porto Rico.
Uma propriedade próxima ao complexo da família Bush, em Kennebunkport, foi vendida por US$ 12 milhões em 2025 e ficou apenas 90 minutos no mercado. Em Porto Rico, uma propriedade multigeracional chegou a ser listada por US$ 65 milhões, o maior preço já registrado na ilha.
O luxo agora inclui distância dentro da própria casa
A arquitetura desses projetos também mudou. O conceito não é apenas construir grandes áreas comuns, mas criar espaços independentes para cada membro da família.
Arquitetos passaram a trabalhar com o conceito de away space: ambientes de refúgio dentro da própria propriedade, como cozinhas menores, entradas separadas e salas de leitura, permitindo que os moradores tenham momentos de privacidade.
Em mercados como o Japão, propriedades desse tipo podem incluir alas inteiras dedicadas a diferentes membros da família ou unidades próximas dentro de condomínios verticais.
A ideia central é que o luxo contemporâneo não está apenas no tamanho do imóvel, mas na possibilidade de controlar como cada geração quer viver.
