Marca de joias que fatura R$ 100 milhões quer dobrar rede de lojas no Brasil
Fundada nos anos 1990, operação que deu origem à Roma Joias cresceu 17,6% em 2025 e agora planeja dobrar o número de lojas e quiosques até 2028

RESUMO +
A empresa brasileira de semijoias Roma Joias pretende dobrar sua rede de 40 para cerca de 80 lojas e quiosques nos próximos dois anos, com franquias a partir de R$ 150 mil. O Grupo Roma, que reúne aproximadamente 7 mil revendedoras, faturou R$ 100 milhões em 2025 e projeta crescer entre 10% e 15% em 2026.
A Roma Joias, rede paulista de joias que nasceu da venda porta a porta, prepara uma mudança em seu modelo de expansão. Depois de construir uma rede com cerca de 7 mil revendedoras, a companhia decidiu apostar nas franquias para ampliar sua presença no varejo e chegar a novos mercados.
A estratégia vem acompanhada de uma meta: dobrar o número de lojas e quiosques nos próximos dois anos, passando das atuais 40 operações para 80 unidades. A expansão deve se concentrar nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, com investimentos a partir de R$ 150 mil por franquia.
O movimento ocorre após a empresa atingir R$ 100 milhões de faturamento em 2025, ante R$ 85 milhões no ano anterior, um crescimento de 17,6%. Para 2026, a expectativa é de mais uma alta, entre 10% e 15%.
"A gente identificou uma oportunidade de negócio de até dobrar a quantidade de lojas através desse novo canal, que são as franquias", afirma Filipe Lima, vice-presidente do Grupo Roma.
Como uma empresa de venda direta chegou aos R$ 100 milhões
A história do Grupo Roma começou nos anos 1990, quando Henrique Lima, fundador e CEO, decidiu transformar em negócio a experiência que acompanhava dentro de casa. Sua mãe, Maria Herbene, trabalhava revendendo semijoias e bijuterias de porta em porta.
Foi observando as dificuldades enfrentadas por ela e por outras revendedoras que Lima identificou uma oportunidade para criar uma empresa dedicada ao segmento.
O modelo de venda direta se tornou a principal fonte de receita do grupo e, mesmo com a abertura de lojas físicas, continua respondendo por 85% do faturamento, segundo Filipe Lima.
Nessa operação, as revendedoras compram produtos da marca para comercializá-los diretamente aos consumidores. Segundo o executivo, uma compra de R$ 1 mil pode gerar R$ 1.850 em vendas, antes de descontadas eventuais despesas.
Em 2023, o grupo deu um novo passo ao lançar a marca própria Roma Joias e investir R$ 15 milhões em uma estrutura fabril em Limeira, no interior de São Paulo, um dos principais polos brasileiros de produção de joias folheadas.
A unidade tem capacidade informada de produzir uma tonelada de peças por mês. O catálogo reúne produtos folheados com banho de 15 milésimos de ouro, além de peças em prata 925.
Por que a empresa decidiu apostar nas franquias
A ideia de franquear a operação surgiu de uma demanda das próprias revendedoras. Com o crescimento da marca, algumas passaram a procurar a empresa para saber como poderiam abrir lojas em suas cidades.
"Eu recebo todo dia mensagens de pessoas no meu Instagram ou no Instagram da empresa dizendo: 'Eu quero abrir uma loja da Roma, como é que eu faço?'", diz Filipe.
A decisão foi transformar esse interesse em uma nova frente de crescimento, aberta tanto às revendedoras que desejam ampliar seus negócios quanto a empreendedores sem experiência anterior com a marca.
O modelo prevê quiosques em shopping centers e lojas de rua, inclusive em cidades menores. O investimento inicial parte de R$ 150 mil, incluindo mobiliário, estoque e taxa de franquia.
Segundo a empresa, o prazo projetado para recuperar o investimento varia de 16 a 20 meses. A estimativa depende do desempenho de cada operação e não representa uma garantia de retorno.
A escolha dos pontos comerciais terá apoio da franqueadora, que utiliza ferramentas de geolocalização para analisar fluxo de consumidores, concentração comercial e presença de estabelecimentos complementares.
A experiência com as lojas próprias também deve ajudar a orientar os novos parceiros. Atualmente, a maioria das 40 operações da Roma pertence à própria companhia.
"Eu não sou franqueador que ganha dinheiro vendendo taxa de franquia. Eu tenho loja, eu ganho dinheiro vendendo produto. Então eu sei como operar", afirma o vice-presidente.
Filipe Lima, vice-presidente do Grupo Roma: empresa quer dobrar o número de lojas em dois anos (Roma Joias/Divulgação)
Onde a Roma Joias quer chegar
A empresa possui lojas e quiosques distribuídos por sete estados e pelo Distrito Federal. Com as franquias, pretende ganhar escala sem depender exclusivamente da abertura de unidades próprias.
A produção continuará concentrada na fábrica de Limeira, enquanto os franqueados ficarão responsáveis pela operação comercial. A companhia manterá as atividades de desenvolvimento de produtos, controle de qualidade e marketing.
A expansão também poderá fortalecer a rede de venda direta, que continuará funcionando em paralelo ao varejo físico. A avaliação da administração é que uma presença maior da marca nas cidades tende a facilitar o trabalho das revendedoras.
O desafio será preservar o padrão dos produtos e a rentabilidade das lojas à medida que a rede crescer. Para isso, a empresa afirma que pretende selecionar os mercados de acordo com seu potencial comercial e a capacidade de oferecer suporte aos parceiros.
