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Sacre Investimentos
EmpresasACS
10/08/2026
4 min

Marcopolo (POMO4): O que fez o Itaú BBA cortar o preço-alvo e manter compra para o papel?

Embora tenha mantido recomendação de compra para a Marcopolo (POMO4), o Itaú BBA cortou o preço-alvo do papel em cerca de 25%, para R$ 7,50, o que ainda implica um potencial de valorização (upside) de 66% sobre o fechamento anterior. Em relatório, o time de analistas do banco disse observar pouco espaço para uma reprecificação […]

Marcopolo (POMO4): O que fez o Itaú BBA cortar o preço-alvo e manter compra para o papel?

Embora tenha mantido recomendação de compra para a Marcopolo (POMO4), o Itaú BBA cortou o preço-alvo do papel em cerca de 25%, para R$ 7,50, o que ainda implica um potencial de valorização (upside) de 66% sobre o fechamento anterior.

Em relatório, o time de analistas do banco disse observar pouco espaço para uma reprecificação das ações no curto prazo, especialmente após um segundo trimestre (2T26) abaixo das expectativas.

Segundo a instituição, porém, o papel recua cerca de 20% no último mês e, ao mesmo tempo, oferece um dividend yield de aproximadamente 10%, o que limita o espaço para novas quedas.

Por outro lado, o BBA não espera uma retomada rápida da cotação, pois considera difícil o mercado acreditar, neste momento, na recuperação dos resultados projetados para o segundo semestre (2S26).

Por que o BBA ficou mais cauteloso com a Marcopolo?

Para o banco, os números recentes aumentaram a possibilidade de os investidores adotarem uma postura mais conservadora em relação às estimativas para 2027.

Entre os fatores que podem pressionar os resultados futuros da Marcopolo, o BBA cita:

  • Caminho da Escola: o programa deve passar por uma interrupção temporária nas entregas durante o 3T26;
  • Demanda mais fraca por ônibus rodoviários e urbanos;
  • Menor visibilidade sobre a evolução da carteira de pedidos (backlog);
  • Incertezas relacionadas às eleições, que podem levar clientes a postergar decisões de compra.

Projeções para Marcopolo

Diante desse cenário, a casa revisou suas estimativas para a companhia.

Agora, para 2026, prevê receita de R$ 8,7 bilhões e lucro líquido de R$ 1,12 bilhão, contra R$ 9,6 bilhões e R$ 1,26 bilhão anteriormente, respectivamente.

Já para 2027, a instituição projeta receita de R$ 9,39 bilhões e lucro líquido de R$ 1,14 bilhão, versus R$ 10,8 bilhões e R$ 1,39 bilhão antes.

As expectativas de lucro do BBA ficam, em média, 12% abaixo do consenso tanto para este ano quanto para o que vem.

Marcopolo está barata?

Apesar da cautela com os resultados, o Itaú BBA avalia que a Marcopolo está negociando a múltiplos baixos.

Com as novas estimativas, a ação é cotada, pelas contas do banco, a cerca de 5 vezes o lucro projetado para 2026 e 4,9 vezes para 2027.

Na avaliação dos analistas, porém, o valuation até oferece suporte para o papel, mas não representa um gatilho de alta.

Isso porque, embora múltiplos baixos e um dividend yield elevado reduzam o risco de novas quedas, eles não são suficientes para provocar uma reprecificação enquanto as estimativas de resultados continuam sob pressão.

O que pode destravar a ação?

Do lado positivo, o BBA destaca que a Marcopolo conta com exposição ao dólar e demanda represada em mercados importantes, como Brasil, México e Argentina.

A companhia também possui uma política de distribuição de aproximadamente 50% do lucro, o que, segundo o banco, sustenta o dividendo elevado.

Para os próximos meses, os analistas apontam alguns fatores que podem ajudar a definir a trajetória do papel. Entre eles, estão:

  • Aprovação e cronograma da próxima rodada do Caminho da Escola, além da velocidade de normalização das entregas;
  • Evolução do backlog e da visibilidade sobre a demanda para o quarto trimestre;
  • Comportamento do câmbio, especialmente diante da proximidade das eleições, já que cerca de 40% da receita da companhia vem de mercados externos;
  • Investor Day da Marcopolo, marcado para 9 de setembro.

“Uma normalização das entregas do programa Caminho da Escola mais rápida do que o esperado poderia impulsionar uma recuperação mais acentuada dos volumes. Além disso, um mix de produtos mais favorável poderia sustentar margens acima de nossas estimativas”, afirmou o Itaú BBA.

“Em contrapartida, uma demanda mais fraca no terceiro e quarto trimestres de 2026 permanece como o principal risco. Caso os clientes adiem compras em meio à incerteza eleitoral, a recomposição da carteira de pedidos (backlog) poderia decepcionar e desencadear novas revisões para baixo nas projeções de resultados”, ponderou.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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