Marcopolo (POMO4) volta à Europa e mira México, EUA e África para ampliar crescimento internacional
A Marcopolo (POMO4) está retomando sua presença na Europa e pretende usar o continente como uma das novas frentes de expansão internacional. A companhia começou o movimento por Itália e França e planeja avançar posteriormente para Portugal e Espanha, segundo André Armaganijan, CEO da empresa. A Europa é considerada pela companhia um mercado estratégico por […]

A Marcopolo (POMO4) está retomando sua presença na Europa e pretende usar o continente como uma das novas frentes de expansão internacional. A companhia começou o movimento por Itália e França e planeja avançar posteriormente para Portugal e Espanha, segundo André Armaganijan, CEO da empresa.
A Europa é considerada pela companhia um mercado estratégico por combinar maturidade, demanda por produtos de maior valor agregado e características alinhadas ao atual posicionamento da Marcopolo, mais voltado a tecnologia e produtos premium.
A volta acontece depois de uma experiência anterior da companhia no continente. A Marcopolo havia encerrado uma operação em Portugal e agora decidiu reconstruir sua presença por meio de uma estratégia diferente.
Em vez de necessariamente reproduzir uma estrutura industrial local, a empresa pretende aproveitar produtos desenvolvidos no Brasil, fazendo as adaptações necessárias para atender às exigências de homologação de cada país.
“É um mercado importante, um mercado maduro, de alto valor agregado, muito alinhado com a proposta de valor que a gente oferece”, disse Armaganijan em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube.
Assista à íntegra da conversa.
Produto brasileiro vai para a Europa
A estratégia também funciona como uma espécie de teste da capacidade tecnológica da operação brasileira.
Segundo Armaganijan, os produtos enviados à Europa são desenvolvidos na fábrica de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e posteriormente adaptados às exigências locais.
A companhia pretende aproveitar sua relação com fabricantes de chassis, que buscam carrocerias para comercializar seus próprios veículos.
“É um mercado importante, um mercado maduro, um mercado de alto valor agregado, muito alinhado com a proposta de valor que a gente oferece”, disse o executivo.
EUA continuam no radar
A expansão europeia não significa uma mudança de foco em relação aos Estados Unidos.
A Marcopolo é hoje a segunda maior acionista da New Flyer, fabricante de ônibus com forte presença no mercado americano. Além disso, a empresa vende nos EUA micro-ônibus produzidos no México.
A presença na América do Norte também permite à companhia aproveitar a estrutura industrial mexicana para atender parte da demanda americana.
O México, aliás, é outro mercado que a Marcopolo considera relevante para os próximos anos. A empresa tem uma fábrica no país desde o início dos anos 2000 e vê espaço para ampliar sua participação, principalmente no segmento rodoviário.
Recentemente, a companhia lançou um novo produto produzido localmente e passou a testá-lo com clientes mexicanos.
Brasil, México e Argentina no curto prazo
Apesar da aposta em novos mercados, Armaganijan aponta que os mercados prioritários no curto prazo são aqueles em que a Marcopolo já tem presença industrial e comercial consolidada.
Brasil e México aparecem entre os principais focos. A Argentina também permanece no radar, apesar da retração recente da demanda.
A lógica é aproveitar uma eventual retomada de mercados que reduziram suas compras, mas onde a Marcopolo não perdeu participação.
“A gente sabe que quando o mercado voltar, a gente também volta muito forte”, afirmou o CEO.
África pode destravar novos projetos
Outro mercado citado pelo executivo é a África. A Marcopolo já possui operações na África do Sul e vê oportunidades em projetos estruturantes em diferentes países do continente.
Armaganijan destaca que a África não deve ser tratada como um mercado único, mas como um conjunto de dezenas de países com diferentes necessidades de transporte e diferentes ciclos de investimento.
Segundo ele, vários desses mercados passaram anos sem grandes processos de renovação de frotas, o que cria potencial de demanda no futuro.
Diversificação reduz impacto de choques externos
A expansão internacional também funciona como uma proteção para a companhia em momentos de turbulência geopolítica e comercial.
Armaganijan afirma que as guerras e mudanças tarifárias recentes tiveram impacto limitado sobre a Marcopolo porque a companhia mantém cadeias de fornecedores regionalizadas e operações locais em diferentes países.
Grande parte das compras de componentes da empresa é feita no Rio Grande do Sul, enquanto operações como Colômbia e México contam com fornecedores próximos.
A estrutura reduz a exposição a tarifas e interrupções no comércio internacional.
Para uma empresa que pretende continuar crescendo fora do Brasil, essa diversificação é parte importante da estratégia. A Marcopolo hoje opera fábricas em Brasil, Colômbia, Argentina, México, África do Sul, China e Austrália e vê a internacionalização como uma das principais avenidas para os próximos anos.
