María Corina diz que EUA a excluíram de negociações na Venezuela
Em entrevista ao New York Times, opositora disse que pretende voltar ao país; Departamento de Estado afirma que seu partido foi convidado

RESUMO +
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou que os Estados Unidos a deixaram fora das negociações realizadas nesta semana em Caracas com o governo de Delcy Rodríguez. Em entrevista ao The New York Times, a vencedora do Nobel da Paz disse que pretende retornar à Venezuela antes do esperado para mobilizar seus apoiadores. O Departamento de Estado americano contestou a declaração e afirmou que seu partido foi convidado a participar das conversas.
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou que os Estados Unidos a excluíram das negociações realizadas nesta semana em Caracas entre o governo da presidente Delcy Rodríguez e representantes da oposição. A declaração foi feita em entrevista ao jornal The New York Times.
María Corina, que permanece fora da Venezuela, também afirmou que pretende retornar ao país "antes do que se imagina" para mobilizar seus apoiadores em preparação para futuras eleições.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos contestou a versão da opositora. Segundo o órgão, o partido de María Corina, Vamos Venezuela, foi convidado a participar das negociações. O governo americano também afirmou que ela "tem todo o direito de entrar em seu país quando quiser".
María Corina critica acordos petrolíferos na Venezuela
Na entrevista, María Corina também questionou o papel do empresário Alejandro Betancourt, beneficiário de contratos no setor de energia e vinculado a um acordo com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para controlar cerca de um quinto das reservas petrolíferas venezuelanas.
A opositora definiu Betancourt como "um dos principais responsáveis pelo sofrimento de nosso povo" e afirmou que ele não seria um parceiro empresarial viável em um eventual governo liderado ou apoiado por ela.
Apesar das críticas, María Corina declarou que os acordos petrolíferos já assinados serão respeitados caso estejam de acordo com a legislação venezuelana.
"Quero ser muito clara: se estes contratos que estão sendo assinados cumprirem a lei venezuelana, serão respeitados", afirmou.
Ela também defendeu que a Venezuela precisa oferecer condições de segurança, estabilidade e legitimidade para atrair novos investimentos.
O que María Corina defende para o futuro de Delcy Rodríguez?
María Corina afirmou que os responsáveis por violações de direitos humanos na Venezuela devem prestar contas à Justiça. O governo de Delcy Rodríguez enfrenta acusações relacionadas a essas violações.
A líder opositora propôs a criação de uma comissão da verdade independente para reunir depoimentos de vítimas e estabelecer mecanismos de reparação.
"O povo exige justiça, e isso é absolutamente legítimo", declarou.
María Corina venceu as primárias da oposição venezuelana em 2023 e apoiou a candidatura de Edmundo González Urrutia nas eleições presidenciais de 2024.
Mesmo após afirmar que foi excluída das negociações desta semana, a opositora reiterou sua confiança na intenção dos Estados Unidos de promover uma transição democrática na Venezuela.
