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Mundo
15/07/2026
4 min

María Corina Machado anuncia retorno à Venezuela e pede ajuda da Europa para reconstrução do país

María Corina Machado anuncia retorno à Venezuela e pede ajuda da Europa para reconstrução do país

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quarta-feira, 15, que retornará "agora" à Venezuela e apelou aos países europeus para que apoiem a reconstrução do país. Segundo ela, esse processo precisa ser "também institucional e democrática", uma vez que os terremotos que atingiram o território "evidenciaram a corrupção do regime".

A declaração foi feita durante participação, por videoconferência, no Libertas Forum, promovido pelo Partido Popular Europeu (PPE), em Madri. Na ocasião, Machado afirmou que sua prioridade é conduzir a transição política e disse aos líderes conservadores europeus que espera recebê-los em breve na Venezuela, "em pleno processo de reconstrução democrática".

"Esta transição política "é meu propósito agora que vou retornar à Venezuela", declarou.

Machado, que havia deixado a Venezuela para receber o Prêmio Nobel e ainda não tinha conseguido voltar ao país, afirmou que seu retorno terá um caráter "pacificador". Ela rebateu avaliações de que sua presença poderia contribuir para aumentar a instabilidade diante do atual cenário político venezuelano.

Na avaliação da opositora, os terremotos fortaleceram a união da população e ampliaram o apoio à mudança de governo e à transição democrática.

"A reconstrução tem que ser humana e econômica, mas também institucional e democrática", afirmou.

Ela também declarou que "Os terremotos não apenas derrubaram centenas de edificações - acrescentou -, mas também evidenciaram um sistema baseado na corrupção e na indolência".

Machado afirmou que a resposta da população diante da tragédia demonstrou "enorme solidariedade" e "união", acrescentando que os venezuelanos estão "preparados e organizados" para promover uma transição democrática.

"Acreditar que o país pode ser reconstruído por aqueles que geraram tanta dor é desconhecer a Venezuela", disse. Em seguida, acrescentou que os cidadãos reconhecem que "o regime chavista fraturou o país" e que a oposição democrática foi responsável por "mantê-lo coeso".

Ao encerrar sua participação, afirmou: "Agora estamos unidos em favor da igualdade perante a lei, da democracia e do desejo de que os venezuelanos que tiveram que partir possam voltar".

As declarações ocorreram diante de uma plateia formada por líderes conservadores, entre eles Edmundo González Urrutia, apontado pela oposição venezuelana como presidente eleito do país, e Alberto Núñez Feijóo, presidente do Partido Popular da Espanha.

Durante o evento, Feijóo manifestou solidariedade ao povo venezuelano na "luta pela vida" e no processo de reconstrução após o terremoto. O dirigente espanhol também ressaltou o compromisso de María Corina Machado e de Edmundo González.

O vice-primeiro-ministro da Itália, Antonio Tajani, também fez referência "ao grande povo venezuelano", afirmando que ele "saberá se levantar" após os terremotos e que, ao mesmo tempo, "tem que percorrer o caminho para a democracia" e "poder votar".

Mortes em terremoto na Venezuela

O número de vítimas fatais do duplo terremoto que atingiu o norte da Venezuela, há quase três semanas, chegou a 4.734. A atualização foi divulgada nesta terça-feira pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, após a confirmação de mais 173 mortes.

De acordo com o balanço publicado por Rodríguez na plataforma Telegram, o total de feridos permanece em 16.740, enquanto o número de pessoas que perderam suas casas segue em 17.907. O parlamentar é irmão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Os dados oficiais também apontam aumento no número de pessoas acolhidas em abrigos temporários. Segundo o relatório, 20.903 venezuelanos estão distribuídos entre 107 acampamentos provisórios instalados em Caracas e em estados vizinhos.

O governo informou ainda que prestou assistência a 128.324 famílias e realizou atendimento a 33.652 pacientes. As autoridades, no entanto, não detalharam quais tipos de auxílio foram oferecidos nem o período em que os atendimentos ocorreram.

Desde 24 de junho, o país contabilizou 1.275 réplicas do terremoto. A mais recente, considerada de intensidade moderada, ocorreu na manhã da última sexta-feira. O tremor registrou magnitude 3,9 na escala Richter e teve epicentro a 10 quilômetros a nordeste de Naiguatá, no estado de La Guaira, área mais afetada pelo desastre.

O novo abalo provocou momentos de apreensão entre os moradores e levou à evacuação preventiva de edifícios na região.

No fim de semana, o governo venezuelano anunciou o início de um censo biométrico para medir a demanda por moradias. A estimativa oficial é de que cerca de 25 mil habitações sejam necessárias para atender a população afetada.

AutorMateus Omena
FonteExame
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