MBRF desaba 4% na bolsa; doença de Newcastle em SC ameaça exportações à China
Confirmação de foco da doença em criação comercial de perus eleva o risco de suspensão das exportações brasileiras de aves para a China, principal comprador do produto

As ações da MBRF (MBRF3), dona das marcas Sadia e Perdigão, registraram a maior queda do Ibovespa nesta segunda-feira, 19, em meio à preocupação com o risco de suspensão das exportações brasileiras de carne de aves para a China.
Os papéis recuaram 4,37%, a R$ 18,15, enquanto o principal índice da B3 fechou praticamente estável, com leve baixa de 0,17%, aos 205.079 pontos.A pressão sobre as ações ocorre após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmar um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina.
O estabelecimento tem cerca de 6 mil animais e foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, que suspendeu a movimentação de aves.
A ocorrência será notificada à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil. A confirmação do foco acende um alerta para o comércio exterior de produtos avícolas, já que o protocolo sanitário entre Brasil e China prevê a suspensão temporária das exportações brasileiras em situações desse tipo.
De acordo com apuração da EXAME Agro junto ao Mapa, até o momento, porém, não há confirmação de que a medida tenha sido adotada.
China é a principal compradora
A China é o principal destino da carne de aves brasileira, seguida por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 4,4 milhões de toneladas do produto para todos os mercados, um crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O estado de Santa Catarina também tem peso relevante no setor por ser o segundo maior exportador brasileiro de carne de frango, atrás apenas do Paraná. Além do possível impacto sobre as vendas para a China, há risco de restrições por parte da Arábia Saudita, cujo protocolo sanitário prevê a suspensão das compras provenientes do Estado onde o foco for identificado.
O episódio remete ao embargo de 2024, quando a identificação de outro foco da doença de Newcastle, no Rio Grande do Sul, levou à suspensão das exportações brasileiras para pelo menos 44 destinos.
Na ocasião, a China retomou as compras no mês seguinte, mas manteve restrições aos frigoríficos gaúchos até janeiro de 2026.
