MBRF (MBRF3) dispara 7% nesta quarta (19), mas ação segue distante do alvo dos bancos; 2º semestre anima?
As ações da MBRF (MBRF3) avançavam 7,59%, em R$ 17,30 por volta de 14h17 desta quarta-feira (19). Apesar da alta, há pouco no noticiário da companhia que ajuda explicar o avanço do dia. No começo da semana, a MBRF falou com o Broadcast Agro sobre o avanço do uso de colágeno em alimentos e bebidas […]

As ações da MBRF (MBRF3) avançavam 7,59%, em R$ 17,30 por volta de 14h17 desta quarta-feira (19).
Apesar da alta, há pouco no noticiário da companhia que ajuda explicar o avanço do dia.
No começo da semana, a MBRF falou com o Broadcast Agro sobre o avanço do uso de colágeno em alimentos e bebidas e, na semana passada, a companhiaviu o seu lucro líquido cair 19% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em relatório semanal, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama do Itaú BBA apontaram para uma visão construtiva para o segundo semestre de 2026, principalmente por três fatores:
- manutenção de margens fortes na BRF;
- recuperação gradual do negócio de carne bovina nos Estados Unidos e;
- melhora relevante da geração de caixa.
Após a teleconferência do segundo trimestre, a administração apresentou a perspectiva mais positiva para os próximos trimestres. No negócio de Beef North America, a avaliação é de que o pior momento do ciclo pecuário ficou para trás.
A expectativa é que as margens da operação de carne bovina nos EUA melhorem no segundo semestre em relação ao primeiro, com ajuda da racionalização da capacidade de abate promovida por concorrentes e a normalização gradual das importações de gado do México.
Embora o gado mexicano represente historicamente apenas cerca de 5% dos abates nos Estados Unidos, a expectativa da administração é que a reabertura da fronteira aumente gradualmente a disponibilidade de animais. A normalização dos volumes é esperada para o segundo trimestre de 2027, trazendo suporte adicional às margens.
Do lado da BRF, a mensagem também foi positiva. A companhia espera manter níveis saudáveis de rentabilidade, ajudando a compensar a recuperação ainda gradual do Beef North America.
Isso deixa o BBA mais confortável com a trajetória operacional da MBRF no restante do ano, sem depender de uma recuperação rápida da carne bovina americana.
Outro destaque é a expectativa de forte melhora do fluxo de caixa livre (FCF) no segundo semestre.
Segundo o BBA, três movimentos devem contribuir: melhora do Ebitda, reversão do forte consumo de capital de giro registrado no primero semestre de 2026 conforme os estoques se normalizam e redução das necessidades de investimentos.
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Mesmo com esse maior otimismo, o Itaú BBA mantém preço-alvo de R$ 23 e recomendação neutra para a ação, um potencial de alta de 32,95% sobre os atuais R$ 17,30 do papel.
A única recomendação de compra dos analistas entre os frigoríficos fica para JBS (JBSS32), com preço-alvo de US$ 18 para as ações listadas na NYSE.
Na semana passada, após o balanço do segundo trimestre, BTG Pactual, BB Investimentos e XP também mantiveram recomendação neutra para MBRF3, apesar de reconhecerem a resiliência operacional da companhia. Os preços-alvo são de R$ 26, R$ 26,20 e R$ 20,90, respectivamente.
Na ocasião, os analistas destacaram a força da BRF e sinais de que o pior do ciclo da carne bovina nos Estados Unidos pode ter ficado para trás, mas apontaram que a elevada alavancagem e a dificuldade de transformar o desempenho operacional em geração de caixa ainda limitam uma visão mais otimista sobre a ação.
No segundo trimestre de 2026, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 864 milhões, enquanto a dívida líquida, pela métrica divulgada pela companhia, chegou a R$ 45 bilhões, com alavancagem de 3,41 vezes.
Para a XP, apesar dos riscos de alta para as estimativas de BRF e National Beef, o trimestre ainda não representou um divisor de águas para a tese de investimento.
