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TecnologiaBDR
30/09/2026
6 min

'Me acorde quando setembro acabar': como a corrida da IA tirou o sono da tecnologia

Agentes autônomos, alertas sobre inteligência artificial, novo CEO na Apple e regulação de IA: os fatos que marcaram a tecnologia em setembro

'Me acorde quando setembro acabar': como a corrida da IA tirou o sono da tecnologia
RESUMO +

Setembro de 2026 foi marcado por uma aceleração da corrida da inteligência artificial, com OpenAI e Anthropic lançando oito modelos em 29 dias, enquanto Meta e OpenAI apresentaram agentes capazes de executar tarefas de forma contínua. O mês também trouxe alertas de segurança de líderes do setor, avanços regulatórios e a entrada da Apple na disputa por novos formatos de hardware.

Na internet, existe um meme — como sempre existe — sobre como agosto demora demais para acabar, como se os 31 dias do mês fossem infinitos. Neste ano, agosto passou, mas setembro pareceu se alongar. Entre temores de uma extinção em massa causada pela inteligência artificial (IA), novos iPhones e modelos de linguagem avançados demais para o próprio ritmo de desenvolvimento, o setor de tecnologia viveu 30 dias que pareceram 300.

Setembro já é tradicionalmente um mês intenso para a indústria. É quando a Apple apresenta seus novos produtos e grandes empresas de tecnologia aceleram lançamentos antes da temporada de compras de fim de ano.

Mas, neste ano, a corrida ganhou outro ritmo. A OpenAI e Anthropic lançaram juntas oito modelos de IA em 29 dias, enquanto os próprios criadores da tecnologia passaram a alertar publicamente sobre os riscos de uma evolução difícil de controlar.

O avanço dos agentes autônomos de IA

Uma das principais mudanças do mês foi a passagem dos modelos de IA de ferramentas de resposta para sistemas capazes de executar tarefas. Em 8 de setembro, a Meta lançou o Muse, agente pessoal que planeja e executa ações sozinho em um computador virtual, com um navegador que o usuário pode acompanhar. Dez dias depois, o aplicativo chegou ao topo da App Store.

Três semanas depois, na terça-feira, 29, a OpenAI respondeu com os dots, agentes que assumem tarefas contínuas com um computador próprio na nuvem e procuram o usuário quando algo precisa de atenção.

Os produtos seguem uma lógica parecida de criar uma camada de automação capaz de executar ações digitais sem comandos constantes, mas a diferença aparece no modelo de negócio.

Mark Zuckerberg promete o Muse de graça para até 100 milhões de tokens por semana e afirma que a Meta pretende capturar receita com uma pequena taxa sobre transações realizadas pelos usuários. Já os dots aparecem na página de preços da OpenAI como exclusivos do plano Pro, que custa US$ 500 por mês, cerca de US$ 2.000 na cotação atual.

A aceleração dos lançamentos de modelos de linguagem

A disputa pelos agentes também aumentou a pressão sobre os modelos que sustentam essas ferramentas. A velocidade de lançamento passou a ser parte da própria competição.

Em 22 de setembro, a Anthropic lançou o Claude Opus 5.5. Cerca de 90 minutos depois, a OpenAI respondeu com o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna, com preços pela metade dos praticados pela geração anterior.

A competição deixou de ser apenas sobre capacidade técnica. O mercado passou a acompanhar também a rapidez com que cada empresa consegue transformar avanços de laboratório em produtos disponíveis.

Mas a mesma velocidade que impulsionou novos lançamentos também trouxe alertas de quem está dentro da indústria.

Em 6 de setembro, Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, escreveu que nenhuma empresa consegue manter seus modelos sob controle humano de forma confiável.

Dois dias depois, o pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic acusando as empresas de IA de "apostar com nossas vidas". Em 12 de setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, pediu que o setor desacelerasse.

Os alertas se apoiam em preocupações que já vinham sendo discutidas no setor. Em julho, agentes da OpenAI escaparam de um ambiente de testes e invadiram servidores da Hugging Face. Na véspera da DevDay, a empresa desistiu do GPT-6.1 Astra após resultados ruins em testes de segurança.

Em 2023, uma pesquisa da AI Impacts ouviu 2.778 especialistas em IA. Entre os que responderam à pergunta sobre o risco extremo da tecnologia, a probabilidade mediana atribuída à possibilidade de a IA causar extinção humana ou perda permanente de controle foi de 5%.

Nem todos concordam com essa interpretação. "Essa visão de que vai acabar é muito Vale do Silício", disse Fabro Steibel, diretor executivo do ITS Rio, à EXAME Para ele, a hipótese de uma superinteligência fora de controle está "mais para ficção do que para realidade". O calendário de lançamentos da própria indústria reforçou o debate: depois do alerta de Amodei, a Anthropic lançou dois modelos em seis dias.

Enquanto as empresas de IA aceleravam, a Apple adotou uma estratégia diferente. John Ternus assumiu como CEO em 1º de setembro, substituindo Tim Cook, com novidades no leque de hardware da empresa.

Na IA, porém, a Apple manteve uma postura mais cautelosa. Ternus apresentou o iPhone como uma central de inteligência pessoal, com os dados sob controle do usuário.

A novidade da tecnologia da gigante foi o iPhone Duo, o primeiro dobrável da empresa. O aparelho marca a entrada da Apple em uma categoria inaugurada por concorrentes e amplia a disputa pelo mercado de smartphones premium.

Em um mês em que acelerar produziu novos modelos, mas que também trouxe alertas de segurança, a demora pode se transformar em uma estratégia de longo prazo.

Governos entram na disputa pela direção da IA

A discussão deixou de ser restrita às empresas de tecnologia. Em Washington, a resposta aos alertas foi outra. Donald Trump chamou de "forças negativas" quem pede freio e anunciou na ONU que o governo passaria a chamar a IA de "superinteligência".

Em 24 de setembro, ao receber Xi Jinping, criou com a China um diálogo sobre IA e afirmou que a barreira de proteção do país seria o Departamento de Justiça.

Para fechar o mês, a autorregulação ganhou um documento formal. Trump e líderes de Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia assinaram um acordo de pouco mais de 300 palavras que prevê controles internos e auditorias externas, sem punição nem fiscalização governamental.

No Brasil, a discussão passou pela infraestrutura necessária para sustentar essa nova fase da tecnologia. Em 15 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Redata, que desonera equipamentos de data centers por cinco anos.

A Brasscom estima que o regime pode atrair US$ 92 bilhões em investimentos no período. Parte do setor, porém, avalia que a legislação pode beneficiar principalmente empresas estrangeiras.

Setembro termina nesta quarta-feira, 30, deixando uma indústria em movimento acelerado. A Anthropic promete lançar o Claude Haiku 5.5 nas próximas semanas, e os Estados Unidos e a China voltam a discutir IA em novembro, na segunda rodada do diálogo criado durante a visita de Xi Jinping. No Brasil, as eleições presidenciais rondam o setor, com o primeiro turno marcado para o domingo, 4 de outubro. Quem pediu para ser acordado quando setembro acabasse talvez prefira dormir mais um pouco.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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