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06/11/2026
3 min

Méliuz vende 78 bitcoins para financiar recompra de ações na B3

A Méliuz não informou detalhes adicionais sobre possíveis novas vendas de reservas ou alterações na política de tesouraria para os próximos trimestres

Méliuz vende 78 bitcoins para financiar recompra de ações na B3

A Méliuz realizou a venda de 78 unidades de bitcoin por R$ 29,4 milhões para financiar um programa de recompra de suas próprias ações. A operação, divulgada na quarta-feira (4), permitiu que a companhia de tecnologia executasse a estratégia de gestão de capital sem recorrer a empréstimos ou ao aumento de seu endividamento financeiro.

A movimentação financeira ocorre em um momento em que diversas companhias globais reavaliam como as tesourarias corporativas de bitcoin podem impactar o valor para o acionista. Para a Méliuz, a venda pontual de parte das reservas não significa uma saída definitiva do ativo, mas sim uma manobra tática para otimizar a estrutura de capital enquanto mantém a exposição ao mercado de criptoativos.

Gestão de tesouraria e derivativos

Para garantir que a venda dos 78 bitcoins não representasse uma perda permanente de exposição à valorização da moeda, a empresa estruturou contratos de opções de compra, conhecidos como calls. Esse mecanismo assegura o direito de readquirir o mesmo montante de ativos digitais em 2027, com um custo máximo fixado em US$ 75 mil por unidade, totalizando US$ 5,85 milhões.

A estratégia financeira da companhia tem sido objeto de análise por investidores que observam como grandes nomes do mercado, a exemplo de Ricardo Salinas defendendo o bitcoin, buscam alternativas ao sistema fiduciário tradicional. No caso da Méliuz, o uso de derivativos permite que a empresa capture ganhos de mercado enquanto utiliza o caixa gerado para reduzir o número de ações em circulação, o que pode elevar o lucro por ação para os investidores remanescentes.

Resultados operacionais e indicadores

O balanço do terceiro trimestre de 2026 mostrou um lucro líquido recorde de R$ 113,7 milhões, impulsionado significativamente pela valorização das reservas de bitcoin mantidas pela companhia. O resultado positivo de R$ 78,5 milhões, classificado como efeito não caixa, reflete a alta do preço do ativo digital no período.

O indicador de eficiência operacional, o EBITDA, atingiu R$ 85,3 milhões, superando os R$ 26,1 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. A empresa encerrou setembro com 526,7 bitcoins sob custódia, adquiridos a um preço médio de US$ 103.321,60.

Embora a venda tenha reduzido temporariamente o estoque de moedas em 12,9%, a administração projeta que, após a conclusão da recompra via opções, o estoque retornará a 604,7 unidades. Esse movimento deve elevar o rendimento do indicador de Bitcoin por mil ações para 0,00628, representando um avanço de 17,4% em relação a setembro de 2025.

O que observar a seguir

O mercado deve acompanhar a execução dos contratos de opções até 2027, data em que a empresa poderá exercer o direito de recompra dos ativos. A eficácia dessa manobra dependerá da cotação do Bitcoin no momento do exercício e da performance das ações da companhia na B3.

A Méliuz não informou detalhes adicionais sobre possíveis novas vendas de reservas ou alterações na política de tesouraria para os próximos trimestres. A empresa segue como pioneira na América Latina ao adotar o modelo de negócios de tesouraria em Bitcoin, enfrentando os desafios de volatilidade inerentes a esse tipo de alocação.

*Matéria original escrita por Lucas Espindola no BeinCrypto, portal parceiro da EXAME.
AutorBeInCrypto
FonteExame
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