Memorando de entendimento com EUA 'nunca esteve tão próximo', diz Irã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira que um “memorando de entendimento” com os Estados Unidos “nunca esteve tão próximo” e garantiu que os detalhes do mesmo serão divulgados “no momento oportuno”.
“O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo. Enquanto se aguarda sua finalização, a imprensa deve abster-se de especular sobre seu conteúdo. De acordo com nossa abordagem responsável e transparente, todos os detalhes serão compartilhados com o público no momento oportuno”, disse Araghchi em mensagem na rede social X (ex-Twitter).
Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado na quinta-feira que Washington e Teerã haviam chegado a um “grande acordo” que talvez fosse assinado neste mesmo fim de semana na Europa, a imprensa americana e iraniana divergiram quanto ao seu conteúdo.
Memorando de entendimento
Nesta sexta-feira, a agência oficial de notícias "IRNA" afirmou que o que foi acordado com os EUA é apenas “um memorando de entendimento” que estava “quase finalizado”, após o qual continuariam a negociar o “acordo final”, e enfatizou que o Irã permanece firme em suas linhas vermelhas.
Segundo "IRNA", o que foi acordado agora pelas duas partes não incluiria acordos em matéria nuclear nem o fim das sanções americanas contra o Irã. Pelo contrário, esses dois temas seriam incorporados a uma nova rodada de negociações que teria início no prazo de 60 dias.
Também seria incluída nessa negociação a indenização ao Irã pelos danos causados durante a guerra. A agência, além disso, insiste que o Irã chega com “total desconfiança em relação à outra parte” e estaria “plenamente preparado para enfrentar qualquer quebra de promessa ou engano”.
Diante dessas informações, Trump afirmou nesta sexta-feira que “os termos que o Irã vazou para a imprensa de ‘notícias falsas’ não têm nada a ver com os termos acordados por escrito”, acusando a parte iraniana de ser “muito desonesta” e alegando que não é possível “negociar de boa-fé” com eles.
“O que eles disseram, incluindo sua declaração fraca e patética sobre a existência de um acordo, não tem qualquer relação com a verdade”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Esses anúncios de possíveis avanços no diálogo chegam após dois dias de bombardeios cruzados que marcaram a pior escalada militar entre os dois países desde o início do cessar-fogo em 8 de abril.
