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26/06/2026
3 min

‘Mercado climático’ domina formação de preços da soja e milho, enquanto petróleo perde força

‘Mercado climático’ domina formação de preços da soja e milho, enquanto petróleo perde força

O mercado de soja e milho entrou em uma nova fase nas últimas semanas. Após a diminuição das tensões no Oriente Médio e a retirada do prêmio de risco do petróleo, as atenções dos investidores se voltam novamente para o clima nos Estados Unidos, principal fator de formação dos preços até o fim do verão no Hemisfério Norte.

Segundo Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual, os meses de junho, julho e agosto são tradicionalmente conhecidos como o período do “mercado climático” norte-americano, quando praticamente todas as demais variáveis perdem importância diante das condições das lavouras no país.

“O que importa nesse momento é o clima nas regiões produtoras dos Estados Unidos. O mercado acompanha chuva, temperatura e as condições do Corn Belt praticamente todos os dias”, afirmou durante participação no Radar das Commodities.

O novo foco do mercado surge após uma forte correção nos preços dos grãos em Chicago. O milho acumulou queda próxima de 10%, enquanto a soja também recuou quase na mesma intensidade.

Parte desse movimento ocorreu com a redução das preocupações envolvendo o conflito no Oriente Médio. Segundo o analista, a retomada gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e o avanço das negociações diplomáticas contribuíram para a retirada do prêmio geopolítico dos preços do Brent.

A queda do petróleo também reduziu a sustentação que vinha sendo oferecida aos grãos por meio dos biocombustíveis. Nos Estados Unidos, o milho é utilizado na produção de etanol, enquanto a soja serve como matéria-prima para o biodiesel.

“Quando o petróleo sobe, os biocombustíveis se tornam mais competitivos e isso favorece a demanda por grãos. Com a queda do Brent, essa correlação perdeu força”, explicou Miranda.

Além da descompressão geopolítica, os fundos especulativos também contribuíram para a recente correção dos preços. Ao longo de 2026, investidores financeiros ampliaram posições compradas em soja e milho diante da expectativa de recuperação das commodities após três anos consecutivos de quedas.

Com o avanço das negociações de paz no Oriente Médio, parte desses investidores passou a liquidar posições, intensificando o movimento de baixa.

El Niño entra no radar para milho e soja no segundo semestre

Passado o período crítico da safra norte-americana, o mercado deve voltar suas atenções para a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte no fim de 2026.

Segundo Miranda, o fenômeno pode provocar atrasos no plantio, perdas de produtividade e quebras de safra em importantes regiões produtoras.

No Brasil, os impactos podem começar pela soja. Um atraso das chuvas pode postergar a semeadura da oleaginosa e comprometer a janela ideal do milho safrinha em 2027.

“O impacto negativo tende a ser maior no milho safrinha, que depende do calendário da soja”, afirmou.

Outro ponto de atenção continua sendo o mercado de fertilizantes. Os preços dos nitrogenados, que dispararam durante o conflito no Oriente Médio, já retornaram aos níveis anteriores. Já os fosfatados seguem em patamares elevados.

Segundo o analista, custos mais altos podem levar produtores a reduzir aplicações ou rever decisões de plantio, o que poderia afetar a produtividade e reduzir a oferta global de grãos.

Para o produtor brasileiro, o principal desafio continua sendo a rentabilidade. “As margens seguem bastante apertadas. Uma eventual recuperação dos preços em 2027 pode ajudar a recompor a rentabilidade do setor”, disse Miranda.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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