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Mercados
20/10/2026
4 min

Mercado de capitais tem captação recorde de R$ 556,7 bilhões no ano, impulsionado por renda fixa e retomada de FIIs e IPOs

O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 556,7 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro de 2026, o maior volume já registrado para o período na série histórica iniciada em 2012. Apesar de a renda fixa continuar sendo o motor do mercado, o destaque do ano ficou para o avanço dos instrumentos híbridos, como fundos […]

Mercado de capitais tem captação recorde de R$ 556,7 bilhões no ano, impulsionado por renda fixa e retomada de FIIs e IPOs

O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 556,7 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro de 2026, o maior volume já registrado para o período na série histórica iniciada em 2012.

Apesar de a renda fixa continuar sendo o motor do mercado, o destaque do ano ficou para o avanço dos instrumentos híbridos, como fundos imobiliários (FIIs) e Fiagros, e pela retomada das Ofertas Públicas de Abertura de Capital (IPOs).

Os dados divulgados nesta terça-feira (20) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o volume captado cresceu 5,3% em relação aos nove primeiros meses de 2025, enquanto o número de operações avançou 10,9%, para 2.311 ofertas.

A renda fixa respondeu por R$ 441 bilhões do total captado, mantendo a liderança entre as fontes de financiamento.

Ainda assim, a composição do mercado ficou mais diversificada em 2026.

Os instrumentos híbridos, categoria que reúne principalmente FIIs e Fiagros, somaram R$ 80,8 bilhões, alta de 127% sobre o mesmo período do ano passado. Já a renda variável, composta por ofertas iniciais (IPOs) e secundárias (follow-ons) de ações, alcançou R$ 34,8 bilhões, ante apenas R$ 4,2 bilhões um ano antes.

Segundo o diretor da Anbima, Cesar Mindof, a mudança na composição das ofertas do ano foi um aspecto mais importante do que o recorde do volume em si. Para ele, a retomada dos IPOs e a maior emissão de FIIs e Fiagros são sinais mais claros da resiliência e amadurecimento de mercado de capitais brasileiro.

Avanço da renda variável

Entre os destaques, os FIIs captaram R$ 70,6 bilhões nos nove primeiros meses do ano, avanço de 114,3% na comparação anual. O segmento foi o principal responsável pela expansão dos instrumentos híbridos.

No agronegócio, os Fiagros movimentaram R$ 10,2 bilhões, volume quase quatro vezes maior em relação ao mesmo período de 2025. O número de operações seguiu pelo mesmo caminho, aumentando de 31 para 95 operações no mesmo período.

De acordo com a Anbima, ambos os instrumentos estão passando por momentos relevantes internamente.

No caso dos FIIs, os fundos passam por um processo de consolidação significativo. Fundos comprando fundos e fundos comprando imóveis de empresas. Nos dois casos, muitas das ofertas oferecidas a mercado não tiveram apenas entrada de pessoas físicas e institucionais, mas também serviram de pagamento para essas operações.

Os Fiagros passam por uma situação semelhante. Há um lado de negociação de terras agrícolas, mas há também um movimento de financiamento de pequenos produtores e empresas que não se enquadram mais nas regras de emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Não por acaso, as emissões de CRAs registraram queda de 62,3%, para R$ 11,1 bilhões.

A renda variável também voltou a ganhar espaço. As ofertas de ações somaram R$ 34,8 bilhões até setembro, superando o volume registrado nos três anos anteriores.

O resultado foi impulsionado tanto por IPOs — que somaram R$ 3 bilhões em oferta depois de anos de seca —, quanto por operações de follow-on (R$ 31,8 bilhões).

Renda fixa ainda brilha

Em contraponto ao avanço da renda variável, a renda fixa recuou nos primeiros nove meses do ano em comparação com anos anteriores.

As emissões de debêntures, que foram destaque em anos anteriores, recuaram 18% no acumulado do ano, para R$ 261,2 bilhões.

O movimento foi observado nas operações corporativas e nas incentivadas — com isenção de imposto para a pessoa física. A categoria que descolou das demais foi a de debêntures de securitização, que registraram avanço de 40,1% no ano e atingiram R$ 45,6 bilhões em ofertas.

No mercado secundário, as negociações de debêntures seguiram aquecidas.

O volume movimentado alcançou R$ 689 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025, puxada principalmente pelas debêntures incentivadas.

Para Mindof, um mercado secundário resiliente é particularmente importante para dar condições ao investidor de se posicionar sabendo que tem um mercado líquido para ajustar o portfólio quando for necessário.

AutorMonique Lima
FonteMoney Times
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