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Sacre Investimentos
InvestMercados
24/06/2026
3 min

Mercado de debêntures vive 'boom' e alcança volume inédito

Mercado de debêntures vive 'boom' e alcança volume inédito

As debêntures incentivadas nunca foram tão negociadas. Entre janeiro e maio de 2026, os papéis com benefício fiscal movimentaram R$ 179,4 bilhões no mercado secundário, o maior volume já registrado para esse período na série histórica, com alta de 32,7% frente ao mesmo intervalo do ano anterior.

Só em maio, as negociações somaram R$ 43,4 bilhões, crescimento de 40,3% na mesma base. Investidores estão comprando e revendendo esses ativos com uma frequência que o mercado brasileiro raramente viu, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O estoque dessas debêntures incentivadas atingiu R$ 609,8 bilhões em 2026, com giro de 7,1% em maio.

Para a gerente executiva de mercado de capitais da Anbima, Erika Lacreta, o movimento é estrutural. "Um ambiente mais dinâmico amplia a liquidez dos ativos, melhora a formação de preços e fortalece o ciclo de financiamento de projetos de infraestrutura", disse em nota.

Mercado primário em compasso de espera

Se o secundário expande forte, o mercado primário opera em ritmo mais contido. As emissões de debêntures incentivadas somaram R$ 58,9 bilhões entre janeiro e maio, queda de 5,8% em relação a igual período de 2025, quando o volume acumulado estava em R$ 62,5 bilhões.

Só em maio, as captações chegaram a R$ 6,5 bilhões, recuo de 26,9% na mesma base de comparação. A desaceleração no volume convive, no entanto, com aumento na quantidade de operações. Foram 104 séries emitidas no acumulado, acima das 93 na base anual.

O prazo médio de vencimento chegou a 11,9 anos, mais que o dobro dos 5,4 anos das debêntures corporativas sem benefício fiscal emitidas no mesmo período.

Energia lidera, bioenergia surpreende

A distribuição setorial no acumulado do ano segue concentrada em energia elétrica, que absorveu cerca de 54% do volume total captado. Transporte e logística aparecem em segundo lugar, com 11,2%, seguidos por saneamento, com 10,7%.

Maio trouxe, porém, uma composição diferente. A bioenergia se destacou com 24,4% do volume mensal, enquanto a categoria "outros" concentrou 38,2% em função de uma operação no setor de assistência médica emitida nos termos do artigo 1º da Lei nº 12.431.

Energia elétrica e saneamento, embora relevantes, ficaram em segundo e terceiro plano no mês, com 21,5% e 16%, respectivamente.

Estrangeiro entra em cena

O perfil dos compradores também variou em maio. No acumulado do ano, intermediários financeiros e participantes ligados à oferta dominam as subscrições, com 58,3% do volume, enquanto os fundos de investimento respondem por 35,3%.

No mês de maio, especificamente, os intermediários concentraram 67,8% das subscrições, e os fundos recuaram para 5,5%. O destaque foi a participação de investidores estrangeiros, que alcançou 25,9% das subscrições no mês, explicada pela entrada integral de um único investidor em uma operação de R$ 1 bilhão.

Ao considerar todas as debêntures, isto é, com e sem benefício fiscal, as emissões somaram R$ 146,3 bilhões entre janeiro e maio, recuo de 5,9% frente ao mesmo período de 2025. O secundário movimentou R$ 420,4 bilhões no ano, patamar inédito para esse intervalo, com alta de 25,1% na mesma comparação.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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