Mercado eleva previsões para Selic no fim de 2026; veja os fatores por trás da alta

Diversas instituições do mercado financeiro revisaram suas projeções de cenário macroeconômico nos últimos dias, como Itaú Unibanco, indicando elevação das estimativas para a Selic no fim de 2026. Hoje, a Porto Asset também aumentou o número para o juro básico neste ano.
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De acordo com a casa, a deterioração dos fundamentos domésticos restringe o tamanho do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central (BC) e obriga a manutenção de juros maiores. Diante desse cenário, a projeção para a Selic foi elevada de 13,50% para 13,75% em 2026. Já para 2027, a estimativa subiu de 12% para 12,75%.
“Esse fator explica o impacto aparentemente diminuto do aperto monetário sobre a demanda agregada e a resiliência da atividade econômica e da inflação”, afirma a Porto Asset.
Já o C6 Bank, em relatório de revisão divulgado nesta terça-feira (2), manteve o cenário base para a trajetória para a Selic, apesar de ter uma perspectiva de inflação mais elevada.
“Na ausência de informações que alterem a perspectiva do Banco Central sobre a inflação, um novo corte de 0,25 ponto percentual deve acontecer em junho. Por ora, acreditamos que a Selic ficará em 13,5% ao final de 2026 e 2027”, afirma o banco.
Inflação pressionada
A Porto Asset elevou as estimativas para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, de 4,9% para 5,2%, e para 2027, de 3,7% para 4,0%. A alta da última reflete a inércia inflacionária acumulada para o próximo ano.
O C6 Bank também subiu as projeções para a inflação de 4,4% para 5% em 2026, devido aos preços crescentes de serviços, o baixo nível do desemprego, o conflito no Oriente Médio e uma possível desvalorização do real até o final do ano.
PIB ainda resiliente
Assim como já destacado por outras casas como o Itaú, a Porto Asset tem um cenário base de maior resiliência do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
A casa elevou de 1,5% para 2% a projeção para o crescimento da atividade neste ano, em decorrência dos preogramas de estímulo ao crédito implementados pelo governo federal. Já o número para 2027 foi mantido em 1,5%.
O C6 manteve a estimativa de expansão de 1,7% do PIB para 2026 e para 2027, com perspectiva de continuidade da desaceleração econômica diante dos juros elevados. “Por outro lado, as medidas de estímulo à economia (como os incentivos à concessão de crédito) evitam uma perda de fôlego mais intensa da economia.”
E o câmbio?
O C6 prevê uma menor valorização do dólar ante o real até o final de 2026 em relação à estimativa anterior, reduzindo de R$ 5,50 para R$ 5,20. Para 2027, a projeção também foi reduzida de R$ 5,80 para R$ 5,50.
“Em um horizonte mais longo, acreditamos que o aumento da dívida pública brasileira pode voltar a pressionar o câmbio, mas, no curto prazo, a visão mais favorável sobre o Brasil no contexto do conflito no Oriente Médio prevaleceu”, diz o banco em relatório.
A Porto Asset manteve as expectativas para o câmbio em 2026 e 2027, a R$ 5,20 e R$ 5,30, respectivamente.
