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Sacre Investimentos
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29/07/2026
3 min

Mercado Livre deve mostrar força no 2º trimestre, mas BTG vê novo desafio

Investimentos pressionam margens, mas reforçam liderança, segundo o banco do mesmo grupo controlador da EXAME

Mercado Livre deve mostrar força no 2º trimestre, mas BTG vê novo desafio

O crescimento do Mercado Livre deve seguir "incontestável" no segundo trimestre, segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), mas os investidores já olham para além dos volumes. Às vésperas dos resultados, o banco manteve recomendação de compra e reiterou preço-alvo (MELI) de US$ 2.400.

A expectativa é de um trimestre de crescimento acelerado, com expansão estimada em 42% no volume bruto de mercadorias (GMV, em inglês) em dólares na comparação anual. No Brasil, a projeção é de alta de 38%.

Só que, para os analistas, "0 debate central já não é se o MercadoLibre consegue continuar crescendo acima do mercado, mas sim quando o atual ciclo de investimentos começará a se traduzir em uma alavancagem operacional mais robusta", explicam em relatório.

A plataforma divulgará o balanço do segundo trimestre no dia 5 de agosto.

Pressão sobre as margens deve continuar

E, apesar do crescimento esperado, a rentabilidade deve continuar sob pressão. O BTG estima uma margem Ebit, que mede o lucro antes dos juros e dos impostos, de 7,5% no trimestre, cerca de 460 pontos-base abaixo da registrada um ano antes.

Isso reflete uma decisão da companhia de continuar priorizando investimentos, para o banco. Só no Brasil, o Mercado Livre prevê investir R$ 57 bilhões em 2026, alta de 50% sobre o ano anterior, na expansão da operação logística, no desenvolvimento tecnológico, no marketplace e no Mercado Pago.

"A empresa também planeja abrir 14 novos centros de distribuição, ampliando sua rede no Brasil para 42 unidades, ao mesmo tempo em que contrata 10.000 funcionários, principalmente nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros", acrescentou o BTG.

Mercado Pago amplia crédito; e a inadimplência?

A operação de crédito do Mercado Pago também está no radar. A estratégia continua sendo expandir a carteira por meio de cartões de crédito e empréstimos pessoais, a fim de aumentar o engajamento dos usuários dentro do ecossistema da empresa.

Levantamento do BTG com base nos três principais Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do Mercado Pago mostra que a carteira combinada atingiu R$ 8,1 bilhões em junho, crescimento de 2,4% frente a maio e de 23,7% em relação a igual mês do ano passado.

Ao mesmo tempo, os indicadores que medem a qualidade dos ativos, como a inadimplência, melhoraram. Os empréstimos com atraso entre um e 90 dias recuaram 126 pontos-base, para 9,5%, enquanto os contratos com mais de 90 dias de atraso caíram 26 pontos-base, para 11,2%.

Concorrência explica ritmo de investimentos

A concorrência cada vez mais intensa no mercado brasileiro parece explicar o ritmo de investimentos. O BTG destaca que a Shopee vem ampliando sua infraestrutura logística e financeira no Brasil, e a Amazon acelerou "significativamente" sua expansão local.

A Amazon está combinando "investimentos em logística com uma capacidade de atendimento de pedidos mais ampla, iniciativas de entrega no mesmo dia e entrega rápida de itens de supermercado por meio do Amazon Now, ao mesmo tempo em que continua a fortalecer o ecossistema do Prime."

"Nesse contexto, os elevados níveis de investimento do MercadoLibre parecem menos gastos discricionários e mais uma resposta necessária para preservar suas vantagens competitivas em logística, qualidade de serviço e profundidade do ecossistema", acrescentou o banco.

Para 2026, o BTG espera receita de US$ 38,9 bilhões, Ebitda de US$ 4,26 bilhões e lucro líquido de US$ 2,17 bilhões. O lucro por ação estimado é de US$ 42,76. Na avaliação do banco, o Mercado Livre negocia a múltiplos de 42,6 vezes o lucro (P/L) e 20,1 vezes o Ebitda (EV/Ebitda) nesse ano.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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