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Mercados
15/07/2026
4 min

Mercado precifica um novo corte na Selic em setembro após dados de inflação nos EUA

Mercado precifica um novo corte na Selic em setembro após dados de inflação nos EUA

A curva de juros futuros fechou a sessão desta quarta-feira (15) perto da estabilidade com o alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, após novos dados de inflação norte-americanos abaixo do esperado.

Com a melhora do humor externo, os investidores seguiram posicionados em mais um corte na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – o que seria a quarta redução consecutiva, no ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março.

Durante a tarde, a curva a termo precificava quase 100% de chance de uma redução de 25 pontos-base na Selic, em agosto. Hoje, a taxa está em 14,25% ao ano.

Além disso, os investidores também passaram a observar uma pequena chance de redução na Selic em setembro: no fim da tarde desta quarta-feira, a curva precificava 30% de um possível quinto corte consecutivo nos juros para 13,75% ao ano, contra 70% de probabilidade de manutenção.

Hoje, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 13,890% ante 13,895% do fechamento anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,025%, ante 14,020% do fechamento anterior.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,320% ante 14,280% do fechamento da última terça-feira (13).

Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,137% ante 4,193% do ajuste anterior, por volta de 18h30 (horário de Brasília).

Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caía para 4,551%, de 4,585% da última segunda-feira (13), no mesmo horário.

Inflação adia aposta de alta nos juros nos EUA

O cenário geopolítico ficou no radar com o recuo do presidente norte-americano Donald Trump sobre a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz, mas o destaque do dia foi o novo dado de inflação nos EUA.

Os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) caíram 0,3% no mês passado, após alta de 0,6% em maio em dado revisado para baixo, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Os economistas consultados pela Reuters esperavam estabilidade na comparação mensal.

Nos 12 meses até junho, os preços ao produtor subiram 5,5%, após alta de 6,0% em maio.

O dado acompanhou o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgado ontem. O CPI registrou deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal dese abril de 2020 e abaixo das expectativas do mercado.

Embora o dado não seja a referência inflacionária para o Fed, o CPI e o PPI são usados pelo mercado para calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros. Agora, os investidores esperam o índice de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), principal referência para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) e que deve ser divulgado no próximo dia 30.

Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava para 89,8% de chance de o Fed manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na decisão prevista para o fim deste mês, no dia 29. Antes do PPI, a probabilidade de manutenção de 84%.

Para a reunião seguinte, em setembro, o mercado ajustou a aposta majoritária também para manutenção, com probabilidade de 51,9% de juros inalterados. Antes do PPI, os traders viam 52,1% de chance de alta nos juros pelo Fed.

Agora, outubro é o mês mais provável para uma nova alta nos juros, com probabilidade de 57,3%, segundo a ferramenta do CME.

*Com informações de Reuters

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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