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Sacre Investimentos
Mundo
06/11/2026
6 min

Mesmo após renúncia, Peña terá de responder a impeachment e três investigações sobre o Ueno Bank

Santiago Peña permanece formalmente na Presidência do Paraguai, já que parlamentares governistas deixaram sem quórum a sessão conjunta convocada nesta quinta-feira para votar sobre a renúncia

Mesmo após renúncia, Peña terá de responder a impeachment e três investigações sobre o Ueno Bank

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou nesta quinta-feira, 5, que irá colaborar no julgamento político que enfrentará no Senado em decorrência da crise pelo fechamento do Ueno Bank. A investigação passou a incluir o mandatário desde que o Ministério Público do Paraguai anunciou no mesmo dia que ele é parte de três processos penais abertos sobre o banco.

Santiago Peña permanece formalmente na Presidência do Paraguai, já que parlamentares governistas deixaram sem quórum a sessão conjunta convocada nesta quinta-feira para votar sobre a renúncia e assim ativar o mecanismo de sucessão após declararem a vacância do cargo. A sessão foi convocada depois que ele anunciou sua intenção de deixar o cargo, mas a ausência de parlamentares impediu a votação.

"Colaborarei plenamente com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, se determinem as responsabilidades, e quem tiver infringido a lei responda perante a Justiça", escreveu Peña em sua conta no X (ex-Twitter). "A discussão sobre minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções de que necessitam as famílias afetadas."

Ele afirmou também que o pagamento aos poupadores não pode ficar pendente do que ocorra no processo. "A discussão sobre minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções de que necessitam as famílias afetadas. Minha prioridade foi impulsionar, dentro da lei e em coordenação com as instituições responsáveis, as medidas necessárias para que os poupadores recuperem seus depósitos. Esclarecer os fatos e resolver os pagamentos são obrigações que devem avançar ao mesmo tempo. Uma não pode ser desculpa para postergar a outra."

Peña será investigado por ligação com o Banco Ueno

O Ministério Público do Paraguai anunciou que Santiago Peña foi incluído em três processos penais relacionados ao Ueno Bank. A decisão ocorreu após um grupo de congressistas ampliar uma denúncia apresentada em outubro de 2025, incorporando fatos ligados à supervisão e ao procedimento de resolução da instituição financeira, à destinação de recursos públicos ao banco e à atuação de autoridades do Banco Central do Paraguai (BCP).

Durante o governo de Peña, o Ueno recebeu recursos milionários de órgãos públicos, entre eles o Instituto de Previdência Social (IPS). A investigação também envolve o vice-presidente Pedro Alliana, o ex-ministro da Economia e Finanças Carlos Fernández Valdovinos e autoridades e ex-funcionários do Banco Central, do IPS e da Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro ou Bens (Seprelad).

O Ministério Público informou que as apurações partem de denúncias apresentadas por parlamentares. Uma delas foi ampliada para incluir questionamentos sobre a atuação do governo e dos órgãos reguladores no caso do banco. Outra, apresentada por um grupo de senadores, também cita Peña e outras autoridades.

Impeachment já tramitava no Congresso

Deputados da oposição apresentaram ao Congresso do Paraguai um pedido de impeachment contra o presidente do país e seu vice, em razão da crise que envolve um dos maiores bancos paraguaios e que levou ao congelamento dos depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas.

A Câmara dos Deputados discutia nesta quinta-feira o impeachment do mandatário, acusando-o de "mau desempenho de suas funções no exercício do cargo".

Entre as acusações contra Peña está a de "conflito de interesses", além de questionamentos sobre o aumento do seu patrimônio. O presidente de fato possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, das quais se desvinculou em 2025.

A oposição acusa Peña de tomar "decisões regulatórias supostamente favoráveis ao Ueno Bank" e de concentrar recursos previdenciários na instituição, em meio a um possível conflito de interesses decorrente de seus vínculos passados com o banco.

O Partido Colorado, governante, tem maioria própria nas duas câmaras do Congresso, mas seu presidente, o ex-chefe de Estado Horacio Cartes, distanciou-se do governo.

Crise do Banco Ueno no Paraguai

O Ueno Bank, instituição financeira que chegou a reunir quase três milhões de clientes no Paraguai, entrou em processo de resolução nesta segunda-feira, 2, após a autoridade monetária do país identificar insuficiência de capital, ou seja, seu índice de solvência estava abaixo da metade do mínimo exigido por lei.

Sem capital suficiente para absorver prejuízos, o banco passou ao controle do regulador, que busca proteger os depositantes. O caso tem sido comparado ao do Banco Master no Brasil.

A crise atingiu depositantes, expôs cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos administrados pelo banco e provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.

Em 3 de novembro, o BCP anunciou o início do procedimento de resolução do Ueno, decidido no dia anterior, após identificar um índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido pela regulamentação.

Em comunicado oficial sobre a resolução do Ueno Bank, o regulador informou que a medida foi tomada após ajustes nos demonstrativos financeiros da instituição.

A resolução é um regime especial previsto na legislação paraguaia para instituições financeiras em situação de insolvência. Nesse procedimento, o Banco Central assume o controle do banco para reorganizar seus ativos e passivos, que podem ser transferidos a outras instituições, e liquidar o restante, com o objetivo de proteger os depositantes e evitar que os problemas contaminem o sistema financeiro.

O BCP também relatou a identificação de empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador. Segundo a autoridade, o banco havia sido notificado em 5 de junho para adequar essas operações aos limites legais. Oito pessoas ligadas ao banco foram detidas nas investigações.

Antes da resolução, o Ueno negava a existência de irregularidades comprovadas e afirmava que colaboraria com as investigações.

Com informações da EFE

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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