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InvestMercados
30/07/2026
4 min

Meta despenca 10% após aposta bilionária em IA assustar investidores

Fluxo de caixa livre caiu 91%, enquanto Meta elevou gastos com IA para até US$ 145 bilhões.

Meta despenca 10% após aposta bilionária em IA assustar investidores

A tentativa da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, de se transformar em uma companhia líder do setor de inteligência artificial (IA) não convenceu investidores e levou as ações a caírem quase 10% no pré-mercado de Nova York na manhã desta quinta-feira, 30, e podem eliminar US$ 100 bilhões do seu valuation.

Os gastos com a IA, que podem totalizar US$ 145 bilhões em 2026, são vistos como uma "grande aposta" na visão do CEO da empresa, Mark Zuckemberg. "Vemos a tecnologia funcionando. Estamos satisfeitos com a trajetória do laboratório. Estou empolgado com os produtos que estão por vir. E acreditamos que isso será algo grande."

Em um momento que empresas estão gastando volumes recordes com a tecnologia, investidores têm visto com temor a formação de uma eventual "bolha da IA", assim como ocorreu com a internet nos anos 2000.

E o que aumentou mais o pessimismo foi o fluxo de caixa livre do segundo trimestre da Meta, que caiu 91%, para US$ 784 milhões. O indicador no ano anterior girava em torno de US$ 8,5 bilhões.

A ideia de Zuckemberg é oferecer agentes de IA que possam fazer tarefas de forma autônoma durante 24 horas por dia, como um secretário, com demandas em áreas como saúde, hobbies, finanças, entre outros. Também há possibilidade de vender produtos como esse para outras empresas. As informações são do Financial Times.

Lucro abaixo das expectativas

O lucro por ação da Meta de US$ 6,18 ficou abaixo da projeção de analistas da LSEG consultados pela CNBC, que estimavam US$ 7,22. Já o lucro líquido caiu 14%, saindo de US$ 18,3 bilhões no segundo trimestre de 2025 para US$ 15,8 bilhões em igual período de 2026. A expectativa do mercado era de US$ 18,5 bilhões.

A receita ficou em linha com o esperado, no montante de US$ 60,80 bilhões, ante US$ 60,17 bilhões. Mas a previsão para os próximos trimestres frustrou. De acordo com a CFO da Meta, Susan Li, a estimativa do indicador para o terceiro trimestre é de US$ 61 bilhões a US$ 64 bilhões.

"Nossa projeção considera que as variações cambiais representarão um impacto negativo de aproximadamente 1% no crescimento da receita total em relação ao ano anterior, com base nas taxas de câmbio atuais", acrescentou em conversa com os investidores.

Gastos de capital maiores

A Meta ajustou a faixa de gastos com capital na quarta-feira, 29, para algo entre US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões para 2026. Em abril, a empresa já havia aumentado a expectativa de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões para US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões. No segundo trimestre, o valor foi de US$ 31 bilhões.

Grande parte dessa quantia é destinada à construção de data centers e na contratação de equipe profissional especializada em IA. O limite inferior da previsão de despesas da Meta também foi elevado para US$ 165 bilhões a US$ 169 bilhões em 2026.

No segundo trimestre, US$ 2,4 bilhões foram de custos com processos judiciais.

Prejuízo de área relacionada à IA

A unidade Reality Labs, destinada ao desenvolvimento de atividades de realidade aumentada relacionados com a IA, contou, ainda, com um prejuízo operacional de US$ 4,6 bilhões no segundo trimestre, com vendas de US$ 431 milhões.

Mas a previsão de analistas era de um prejuízo ainda maior, no valor de US$ 5,07 bilhões e receita de US$ 423,4 milhões.

A Meta anunciou também nesta semana uma parceria com a BlackRock voltada à operação de um campus de data centers no Texas, que deve necessitar de US$ 14 bilhões em investimentos. As operações deverão ser iniciadas em 2028, e o complexo deve oferecer 1 gigawatt de capacidade computacional.

*Com informações de Carolina Ingizza

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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