Meta muda estrutura de ações para proteger Zuckerberg de imposto bilionário
Proposta de taxação de 5% sobre grandes fortunas será votada em novembro; empresa quer evitar que CEO perca controle acionário ao pagar tributo

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A Meta anunciou uma mudança em sua estrutura acionária para permitir que Mark Zuckerberg venda ações sem perder o controle da companhia caso a Califórnia aprove um imposto de 5% sobre o patrimônio de bilionários. A proposta será votada em 3 de novembro e poderá obrigar o executivo a pagar bilhões de dólares em tributos. A empresa também pretende evitar que Zuckerberg transfira sua residência para fora do estado.
A Meta anunciou uma mudança em sua estrutura acionária para proteger o controle de Mark Zuckerberg sobre a companhia diante da possibilidade de criação de um imposto de 5% sobre o patrimônio de bilionários na Califórnia, nos Estados Unidos. A proposta será submetida aos eleitores do estado em 3 de novembro.
O acordo prevê a emissão de uma nova classe de ações sem direito a voto, o que permitirá ao fundador da Meta vender parte de sua participação para pagar eventuais impostos sem reduzir seu poder de decisão na empresa.
A medida também busca evitar que Zuckerberg transfira sua residência para fora da Califórnia, possibilidade que o executivo passou a considerar diante do impacto financeiro da proposta tributária, segundo documentos apresentados pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).
O anúncio ocorreu junto à divulgação dos resultados do terceiro trimestre. A Meta superou as expectativas dos investidores, mas seus lucros foram afetados em quase US$ 10 bilhões por um acordo judicial com a maioria dos estados americanos.
Como funciona o imposto sobre bilionários na Califórnia?
A chamada Proposição 40 prevê a cobrança única de 5% sobre o patrimônio de bilionários residentes na Califórnia. Pela proposta, 90% dos recursos arrecadados seriam destinados aos serviços de saúde.
O imposto será decidido pelos eleitores em 3 de novembro, mesma data das eleições legislativas americanas, que renovarão a Câmara dos Representantes e parte do Senado.
A Califórnia tem quase 39 milhões de habitantes. Segundo o Escritório de Análise Legislativa do estado, órgão apartidário, algumas centenas de residentes possuem patrimônio líquido igual ou superior a US$ 1 bilhão.
A proposta já levou empresários a considerar mudanças de residência para evitar a cobrança. De acordo com o site Politico, os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, e o cofundador do PayPal e da Palantir, Peter Thiel, estão entre os bilionários que deixaram preventivamente o estado.
Por que o imposto ameaça o controle de Zuckerberg sobre a Meta?
O patrimônio de Zuckerberg está concentrado em ações da Meta. Por isso, uma cobrança sobre sua fortuna poderia exigir a venda de parte desses papéis ou a contratação de empréstimos com ações como garantia.
Em documento enviado à SEC, a empresa afirmou que o executivo poderia ter de pagar vários bilhões de dólares em impostos caso a Proposição 40 seja aprovada.
Em 1º de outubro, Zuckerberg detinha 60,6% do poder de voto da Meta, segundo a companhia. A empresa alertou que esse percentual poderia cair para aproximadamente 53% ou menos se o executivo precisasse vender ações para arcar com o tributo.
O empresário possuía mais de 342 milhões de ações da Meta no fim de 2025, a maioria com direitos de voto privilegiados.
O risco para a companhia, portanto, não está apenas no custo tributário individual de Zuckerberg, mas também na possibilidade de alteração da estrutura de controle de uma das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
O que muda nas ações da Meta?
Para preservar o poder de voto de Zuckerberg, um comitê especial da Meta elaborou uma reorganização acionária que prevê a criação de ações de classe C, sem direito a voto.
O plano inclui a distribuição desses novos papéis aos acionistas por meio de um dividendo em ações, acompanhada de um desdobramento na proporção de duas ações para uma.
Com a nova estrutura, Zuckerberg poderá vender ações sem necessariamente reduzir sua participação no poder de voto da empresa na mesma proporção.
A Meta informou ainda que o executivo recebe salário anual de apenas US$ 1 desde 2013 e não solicitou remuneração adicional. Segundo a companhia, a estrutura de remuneração também está relacionada à preservação de sua participação acionária e de seu controle sobre o grupo.
Por que a Meta quer evitar a saída de Zuckerberg da Califórnia?
Além da questão acionária, a empresa manifestou preocupação com os efeitos de uma eventual mudança de residência do executivo.
Segundo o documento apresentado à SEC, Zuckerberg informou a um comitê especial que avaliava transferir sua residência principal para fora da Califórnia para evitar o impacto da nova tributação.
A Meta argumentou que a mudança, incluindo a possível venda de imóveis residenciais do empresário no estado, seria pública e poderia gerar dúvidas entre funcionários sobre o futuro da liderança da companhia.
O comitê também mencionou as dificuldades enfrentadas durante a pandemia de covid-19, quando Zuckerberg não podia estar fisicamente com a equipe executiva.
A reorganização acionária busca permitir que o fundador permaneça na Califórnia sem precisar abrir mão de parte relevante de seu poder de voto caso o imposto seja aprovado.
